Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
Media

Manifesto da APM defende liberdade de Imprensa como âncora da democracia

“É necessário recordar à sociedade que a liberdade de Imprensa não é património exclusivo dos editores e dos jornalistas. Pertence a todos, e todos devemos defendê-la.” Em vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a APM – Asociación de la Prensa de Madrid, divulgou um comunicado em que descreve as muitas formas pelas quais esta liberdade é posta em risco e sublinha a sua importância como “direito fundamental da democracia”.
É um comunicado em que o Clube Português de Imprensa se reconhece e subscreve no essencial da sua mensagem.

Num texto intitulado “Manifesto da APM a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa”, a Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  define, desde o início, a liberdade de Imprensa como “um bem valioso que merece ser protegido, porque todo o propósito de a debilitar afunda a qualidade da nossa democracia”: 

“A força de uma democracia está estreitamente liagada a uma Imprensa livre e independente, muito mais nestes tempos, em que se pretende que a mentira se imponha aos factos, a verdade é escondida por baixo de eufemismos e proliferam nas redes sociais a calúnia, os insultos e a difamação.” 

O texto do comunicado da APM sublinha, naturalmente, a situação que se vive no seu país, mas não ficaria deslocado em muitos outros, quando afirma que a liberdade de Imprensa é confrontada com “pressões e ameaças provenientes de actores públicos e privados  - Governos, Administrações Públicas, partidos políticos de todas as tendências, grupos de pressão financeiros e da sociedade civil -  com o objectivo de limitar a independência dos meios de comunicação e dos jornalistas”. (...)

É salientada a gravidade da precariedade laboral, da deterioração das condições de trabalho e outras formas de redução dos direitos dos jornalistas, que resultam em comportamentos de auto-censura e afectam principalmente estagiários, freelancers e colaboradores. 

“A melhor forma que os jornalistas têm de proteger a liberdade de Imprensa é procurando a verdade e exercendo um controlo independente do Poder, além de defenderem os valores constitucionais e denunciarem sem descanso flagelos como a corrupção, respeitando o direito das pessoas à sua própria intimidade e imagem, e à presunção de inocência.” (...) 

O comunicado desenvolve depois uma lista de apelos, ou reivindicações, de que citamos aqui as cinco primeiras, das quais todas as restantes decorrem:

  1. – Apelar aos poderes para que abandonem de vez, e para sempre, a tentação permanente de pressionar os jornalistas.
  2. – Pedir aos jornalistas que denunciem as pressões, e às associações de Imprensa que os apoiem.
  3. – Afirmar que a resposta às pressões deve ser o exercício do nosso ofício com rigor, honestidade, exactidão, imparcialidade e, antes de tudo, com lealdade para com os cidadãos.
  4. – Insistir junto dos editores e directores dos meios de comunicação para que protejam e defendam os seus jornalistas e não cedam às pressões.
  5. – Exigir aos poderes que, uma vez denunciadas as pressões, dêem explicações claras sobre o seu comportamento e não procurem passar a responsabilidade para terceiros.
Tal como se refere no ponto 5 do comunicado, o CPI- Clube Português de Imprensa secunda e apoia esta posição da APM, ao exprimir uma inquietude que não se coloca apenas aos jornalistas espanhóis, mas que é comum a muitos outros, portugueses incluídos.

O comunicado da APM, na íntegra

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

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O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Set