Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Manifesto da APM defende liberdade de Imprensa como âncora da democracia

“É necessário recordar à sociedade que a liberdade de Imprensa não é património exclusivo dos editores e dos jornalistas. Pertence a todos, e todos devemos defendê-la.” Em vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a APM – Asociación de la Prensa de Madrid, divulgou um comunicado em que descreve as muitas formas pelas quais esta liberdade é posta em risco e sublinha a sua importância como “direito fundamental da democracia”.
É um comunicado em que o Clube Português de Imprensa se reconhece e subscreve no essencial da sua mensagem.

Num texto intitulado “Manifesto da APM a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa”, a Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  define, desde o início, a liberdade de Imprensa como “um bem valioso que merece ser protegido, porque todo o propósito de a debilitar afunda a qualidade da nossa democracia”: 

“A força de uma democracia está estreitamente liagada a uma Imprensa livre e independente, muito mais nestes tempos, em que se pretende que a mentira se imponha aos factos, a verdade é escondida por baixo de eufemismos e proliferam nas redes sociais a calúnia, os insultos e a difamação.” 

O texto do comunicado da APM sublinha, naturalmente, a situação que se vive no seu país, mas não ficaria deslocado em muitos outros, quando afirma que a liberdade de Imprensa é confrontada com “pressões e ameaças provenientes de actores públicos e privados  - Governos, Administrações Públicas, partidos políticos de todas as tendências, grupos de pressão financeiros e da sociedade civil -  com o objectivo de limitar a independência dos meios de comunicação e dos jornalistas”. (...)

É salientada a gravidade da precariedade laboral, da deterioração das condições de trabalho e outras formas de redução dos direitos dos jornalistas, que resultam em comportamentos de auto-censura e afectam principalmente estagiários, freelancers e colaboradores. 

“A melhor forma que os jornalistas têm de proteger a liberdade de Imprensa é procurando a verdade e exercendo um controlo independente do Poder, além de defenderem os valores constitucionais e denunciarem sem descanso flagelos como a corrupção, respeitando o direito das pessoas à sua própria intimidade e imagem, e à presunção de inocência.” (...) 

O comunicado desenvolve depois uma lista de apelos, ou reivindicações, de que citamos aqui as cinco primeiras, das quais todas as restantes decorrem:

  1. – Apelar aos poderes para que abandonem de vez, e para sempre, a tentação permanente de pressionar os jornalistas.
  2. – Pedir aos jornalistas que denunciem as pressões, e às associações de Imprensa que os apoiem.
  3. – Afirmar que a resposta às pressões deve ser o exercício do nosso ofício com rigor, honestidade, exactidão, imparcialidade e, antes de tudo, com lealdade para com os cidadãos.
  4. – Insistir junto dos editores e directores dos meios de comunicação para que protejam e defendam os seus jornalistas e não cedam às pressões.
  5. – Exigir aos poderes que, uma vez denunciadas as pressões, dêem explicações claras sobre o seu comportamento e não procurem passar a responsabilidade para terceiros.
Tal como se refere no ponto 5 do comunicado, o CPI- Clube Português de Imprensa secunda e apoia esta posição da APM, ao exprimir uma inquietude que não se coloca apenas aos jornalistas espanhóis, mas que é comum a muitos outros, portugueses incluídos.

O comunicado da APM, na íntegra

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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