Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
Media

A "dança das cadeiras" no "ranking" da liberdade de Imprensa no mundo

A liberdade de Imprensa está cada vez mais ameaçada no mundo, com agravamento da situação mesmo em países com democracias parlamentares estabelecidas há muito. Segundo o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2017, agora publicado pela organização Repórteres sem Fronteiras, países “antes considerados como exemplos virtuosos” baixaram na tabela  - com os EUA e o Reino Unido a descerem dois lugares, para as 43ª e 40ª posições, respectivamente. Portugal sobe cinco lugares, para a 18ª posição.

O texto do relatório que descreve as alterações de posição dentro do ranking, bem como um documento de análise a ele associado, sublinham a emergência crescente de políticos autoritários, em várias regiões do mundo, e o fenómeno preocupante da “erosão da democracia” verificada na Europa e nos Estados Unidos. 

“A chegada ao poder de Donald Trump, nos Estados Unidos, e a campanha pelo Brexit, no Reino Unido, serviram de trampolins para a prática de media bashing, para os discursos anti-media altamente tóxicos, fazendo com que o mundo entre na era da pós-verdade, da desinformação e das notícias falsas. Ao mesmo tempo, onde quer que o modelo do político autoritário triunfe, a liberdade de Imprensa recua.” 

Na Europa, são citadas a Polónia, que perde sete lugares, para a 54ª posição, e a Hungria, que desce quatro, para a 71ª. Embora continuando a ser a zona geográfica onde os media são mais livres, segundo este ranking  “a Europa é também o continente que registou a degradação mais forte de seu índice global: +3,80% em um ano; a diferença é ainda mais impressionante se tomarmos os últimos cinco anos: +17,5%.” 

Ainda na Europa, “a Finlândia (3a, -2) que ocupava o topo do ranking há seis anos, cedeu o seu lugar por causa de pressões políticas e conflitos de interesse, beneficiando a Noruega (1a, +2), que não faz parte da União Europeia  - um golpe duro para o modelo europeu; em segundo lugar, a Suécia ganha seis pontos”. 

As regiões onde o exercício do jornalismo é considerado mais perigoso são o norte de África e o Médio Oriente, especialmente nos países devastados pela guerra. 

“A região Ásia-Pacífico concentra todos os recordes: reúne as maiores prisões do mundo para os jornalistas e bloggers, como a China (176a) ou o Vietnam (175a); inclui países entre os mais perigosos para a profissão, como o Paquistão (139a), as Filipinas (127a) e o Bangladesh (146a). A região ainda reúne um grande número de "predadores da liberdade de imprensa" no comando das piores ditaduras do planeta, como a China, a Coreia do Norte (180a) ou o Laos (170a), verdadeiros buracos negros da informação.” (...) 

“Publicado todos os anos, desde 2002, por iniciativa dos RSF, o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa permite determinar a situação relativa de 180 países com relação, sobretudo, ao seu desempenho em matéria de pluralismo, independência dos media, respeito à segurança e à liberdade dos jornalistas.” 

“O Ranking 2017 foi estabelecido levando-se em conta violações cometidas entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2016. Os índices globais e regionais são calculados a partir dos pontos obtidos pelos diferentes países. Por sua vez, esses pontos são estabelecidos a partir de um questionário proposto em vinte línguas a especialistas do mundo inteiro e submetido a uma análise qualitativa.” (...) 


Mais informação no DN e textos de síntese sobre o Ranking e a "erosão da democracia

Connosco
“Floriram por Pessanha as rosas bravas, 150 anos depois” - a reportagem vencedora do Prémio de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

Um trabalho sobre Camilo Pessanha, no âmbito das comemorações  dos 150 anos do nascimento do poeta, assinado pela jornalista Sílvia Gonçalves ,  no jornal “Ponto Final” , foi distinguido com o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído em parceria pelo Clube Português de Imprensa e pelo Jornal Tribuna de Macau.

Trata-se de uma reportagem com o título “Floriram por Pessanha  as rosas bravas, 150 anos depois”  que o júri, escolheu por unanimidade, realçando “a originalidade da abordagem e a forma como foi construída a narrativa” , reconhecendo que o texto “não se limitou a ser evocativo dos 150 anos de Camilo Pessanha,  contribuindo para o conhecimento do poeta e da sua relação estreita com a lusofonia”.

Isabel Mota abre em Outubro novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, vai subordinar-se ao tema genérico “O estado do Estado;  Estado, Sociedade, Opções” e arranca no próximo dia 23 de Outubro, tendo Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, como oradora convidada.

Isabel Maria de Lucena Vasconcelos Cruz de Almeida Mota, de seu nome completo, nasceu em Lisboa, teve uma educação tradicional, uma adolescência pacata e  passou dois anos em Moçambique,  onde o pai foi colocado em missão.

Licenciou-se em Economia e Finanças, foi assistente no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa e  conselheira na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia, em Bruxelas, tendo representado  Portugal em várias organizações multilaterais.

O Clube

O cineasta alemão Wim Wenders foi distinguido com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, pelo seu contributo para a história multicultural da Europa e dos ideais europeus. Ao ser informado da decisão, Wim Wenders declarou que “a Europa é uma utopia em curso, construída, mais do que por qualquer outra coisa, pelo seu legado cultural”. A cerimónia de entrega do Prémio  - instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a “Europa Nostra” e o Clube Português de Imprensa -  terá lugar em 24 de Outubro de 2017, na Fundação Calouste Gulbenkian.


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