Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Media

A "dança das cadeiras" no "ranking" da liberdade de Imprensa no mundo

A liberdade de Imprensa está cada vez mais ameaçada no mundo, com agravamento da situação mesmo em países com democracias parlamentares estabelecidas há muito. Segundo o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2017, agora publicado pela organização Repórteres sem Fronteiras, países “antes considerados como exemplos virtuosos” baixaram na tabela  - com os EUA e o Reino Unido a descerem dois lugares, para as 43ª e 40ª posições, respectivamente. Portugal sobe cinco lugares, para a 18ª posição.

O texto do relatório que descreve as alterações de posição dentro do ranking, bem como um documento de análise a ele associado, sublinham a emergência crescente de políticos autoritários, em várias regiões do mundo, e o fenómeno preocupante da “erosão da democracia” verificada na Europa e nos Estados Unidos. 

“A chegada ao poder de Donald Trump, nos Estados Unidos, e a campanha pelo Brexit, no Reino Unido, serviram de trampolins para a prática de media bashing, para os discursos anti-media altamente tóxicos, fazendo com que o mundo entre na era da pós-verdade, da desinformação e das notícias falsas. Ao mesmo tempo, onde quer que o modelo do político autoritário triunfe, a liberdade de Imprensa recua.” 

Na Europa, são citadas a Polónia, que perde sete lugares, para a 54ª posição, e a Hungria, que desce quatro, para a 71ª. Embora continuando a ser a zona geográfica onde os media são mais livres, segundo este ranking  “a Europa é também o continente que registou a degradação mais forte de seu índice global: +3,80% em um ano; a diferença é ainda mais impressionante se tomarmos os últimos cinco anos: +17,5%.” 

Ainda na Europa, “a Finlândia (3a, -2) que ocupava o topo do ranking há seis anos, cedeu o seu lugar por causa de pressões políticas e conflitos de interesse, beneficiando a Noruega (1a, +2), que não faz parte da União Europeia  - um golpe duro para o modelo europeu; em segundo lugar, a Suécia ganha seis pontos”. 

As regiões onde o exercício do jornalismo é considerado mais perigoso são o norte de África e o Médio Oriente, especialmente nos países devastados pela guerra. 

“A região Ásia-Pacífico concentra todos os recordes: reúne as maiores prisões do mundo para os jornalistas e bloggers, como a China (176a) ou o Vietnam (175a); inclui países entre os mais perigosos para a profissão, como o Paquistão (139a), as Filipinas (127a) e o Bangladesh (146a). A região ainda reúne um grande número de "predadores da liberdade de imprensa" no comando das piores ditaduras do planeta, como a China, a Coreia do Norte (180a) ou o Laos (170a), verdadeiros buracos negros da informação.” (...) 

“Publicado todos os anos, desde 2002, por iniciativa dos RSF, o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa permite determinar a situação relativa de 180 países com relação, sobretudo, ao seu desempenho em matéria de pluralismo, independência dos media, respeito à segurança e à liberdade dos jornalistas.” 

“O Ranking 2017 foi estabelecido levando-se em conta violações cometidas entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2016. Os índices globais e regionais são calculados a partir dos pontos obtidos pelos diferentes países. Por sua vez, esses pontos são estabelecidos a partir de um questionário proposto em vinte línguas a especialistas do mundo inteiro e submetido a uma análise qualitativa.” (...) 


Mais informação no DN e textos de síntese sobre o Ranking e a "erosão da democracia

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França