Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

A "dança das cadeiras" no "ranking" da liberdade de Imprensa no mundo

A liberdade de Imprensa está cada vez mais ameaçada no mundo, com agravamento da situação mesmo em países com democracias parlamentares estabelecidas há muito. Segundo o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2017, agora publicado pela organização Repórteres sem Fronteiras, países “antes considerados como exemplos virtuosos” baixaram na tabela  - com os EUA e o Reino Unido a descerem dois lugares, para as 43ª e 40ª posições, respectivamente. Portugal sobe cinco lugares, para a 18ª posição.

O texto do relatório que descreve as alterações de posição dentro do ranking, bem como um documento de análise a ele associado, sublinham a emergência crescente de políticos autoritários, em várias regiões do mundo, e o fenómeno preocupante da “erosão da democracia” verificada na Europa e nos Estados Unidos. 

“A chegada ao poder de Donald Trump, nos Estados Unidos, e a campanha pelo Brexit, no Reino Unido, serviram de trampolins para a prática de media bashing, para os discursos anti-media altamente tóxicos, fazendo com que o mundo entre na era da pós-verdade, da desinformação e das notícias falsas. Ao mesmo tempo, onde quer que o modelo do político autoritário triunfe, a liberdade de Imprensa recua.” 

Na Europa, são citadas a Polónia, que perde sete lugares, para a 54ª posição, e a Hungria, que desce quatro, para a 71ª. Embora continuando a ser a zona geográfica onde os media são mais livres, segundo este ranking  “a Europa é também o continente que registou a degradação mais forte de seu índice global: +3,80% em um ano; a diferença é ainda mais impressionante se tomarmos os últimos cinco anos: +17,5%.” 

Ainda na Europa, “a Finlândia (3a, -2) que ocupava o topo do ranking há seis anos, cedeu o seu lugar por causa de pressões políticas e conflitos de interesse, beneficiando a Noruega (1a, +2), que não faz parte da União Europeia  - um golpe duro para o modelo europeu; em segundo lugar, a Suécia ganha seis pontos”. 

As regiões onde o exercício do jornalismo é considerado mais perigoso são o norte de África e o Médio Oriente, especialmente nos países devastados pela guerra. 

“A região Ásia-Pacífico concentra todos os recordes: reúne as maiores prisões do mundo para os jornalistas e bloggers, como a China (176a) ou o Vietnam (175a); inclui países entre os mais perigosos para a profissão, como o Paquistão (139a), as Filipinas (127a) e o Bangladesh (146a). A região ainda reúne um grande número de "predadores da liberdade de imprensa" no comando das piores ditaduras do planeta, como a China, a Coreia do Norte (180a) ou o Laos (170a), verdadeiros buracos negros da informação.” (...) 

“Publicado todos os anos, desde 2002, por iniciativa dos RSF, o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa permite determinar a situação relativa de 180 países com relação, sobretudo, ao seu desempenho em matéria de pluralismo, independência dos media, respeito à segurança e à liberdade dos jornalistas.” 

“O Ranking 2017 foi estabelecido levando-se em conta violações cometidas entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2016. Os índices globais e regionais são calculados a partir dos pontos obtidos pelos diferentes países. Por sua vez, esses pontos são estabelecidos a partir de um questionário proposto em vinte línguas a especialistas do mundo inteiro e submetido a uma análise qualitativa.” (...) 


Mais informação no DN e textos de síntese sobre o Ranking e a "erosão da democracia

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
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O título deste texto corresponde a um livro publicado nos anos 70 por Francisco Balsemão, numa altura em que já se ‘contavam espingardas’ para pôr termo ao Estado Novo, como veio a acontecer com o derrube de Marcello Caetano, em 25 de Abril de 74.  A obra foi polémica à época e justamente considerada um ‘grito de alma’, assinada por quem começara a sua vida profissional num jornal controlado pela família...
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