Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

A "dança das cadeiras" no "ranking" da liberdade de Imprensa no mundo

A liberdade de Imprensa está cada vez mais ameaçada no mundo, com agravamento da situação mesmo em países com democracias parlamentares estabelecidas há muito. Segundo o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2017, agora publicado pela organização Repórteres sem Fronteiras, países “antes considerados como exemplos virtuosos” baixaram na tabela  - com os EUA e o Reino Unido a descerem dois lugares, para as 43ª e 40ª posições, respectivamente. Portugal sobe cinco lugares, para a 18ª posição.

O texto do relatório que descreve as alterações de posição dentro do ranking, bem como um documento de análise a ele associado, sublinham a emergência crescente de políticos autoritários, em várias regiões do mundo, e o fenómeno preocupante da “erosão da democracia” verificada na Europa e nos Estados Unidos. 

“A chegada ao poder de Donald Trump, nos Estados Unidos, e a campanha pelo Brexit, no Reino Unido, serviram de trampolins para a prática de media bashing, para os discursos anti-media altamente tóxicos, fazendo com que o mundo entre na era da pós-verdade, da desinformação e das notícias falsas. Ao mesmo tempo, onde quer que o modelo do político autoritário triunfe, a liberdade de Imprensa recua.” 

Na Europa, são citadas a Polónia, que perde sete lugares, para a 54ª posição, e a Hungria, que desce quatro, para a 71ª. Embora continuando a ser a zona geográfica onde os media são mais livres, segundo este ranking  “a Europa é também o continente que registou a degradação mais forte de seu índice global: +3,80% em um ano; a diferença é ainda mais impressionante se tomarmos os últimos cinco anos: +17,5%.” 

Ainda na Europa, “a Finlândia (3a, -2) que ocupava o topo do ranking há seis anos, cedeu o seu lugar por causa de pressões políticas e conflitos de interesse, beneficiando a Noruega (1a, +2), que não faz parte da União Europeia  - um golpe duro para o modelo europeu; em segundo lugar, a Suécia ganha seis pontos”. 

As regiões onde o exercício do jornalismo é considerado mais perigoso são o norte de África e o Médio Oriente, especialmente nos países devastados pela guerra. 

“A região Ásia-Pacífico concentra todos os recordes: reúne as maiores prisões do mundo para os jornalistas e bloggers, como a China (176a) ou o Vietnam (175a); inclui países entre os mais perigosos para a profissão, como o Paquistão (139a), as Filipinas (127a) e o Bangladesh (146a). A região ainda reúne um grande número de "predadores da liberdade de imprensa" no comando das piores ditaduras do planeta, como a China, a Coreia do Norte (180a) ou o Laos (170a), verdadeiros buracos negros da informação.” (...) 

“Publicado todos os anos, desde 2002, por iniciativa dos RSF, o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa permite determinar a situação relativa de 180 países com relação, sobretudo, ao seu desempenho em matéria de pluralismo, independência dos media, respeito à segurança e à liberdade dos jornalistas.” 

“O Ranking 2017 foi estabelecido levando-se em conta violações cometidas entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2016. Os índices globais e regionais são calculados a partir dos pontos obtidos pelos diferentes países. Por sua vez, esses pontos são estabelecidos a partir de um questionário proposto em vinte línguas a especialistas do mundo inteiro e submetido a uma análise qualitativa.” (...) 


Mais informação no DN e textos de síntese sobre o Ranking e a "erosão da democracia

Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


ver mais >
Opinião
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto. Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A...
Ironias de uma tragédia
Francisco Sarsfield Cabral
O horrível assassinato de um jornalista saudita no consulado do seu país em Istambul tem várias e graves implicações políticas. Embaraça Trump, que logo no início do seu mandato decidiu apoiar a Arábia Saudita, contra o seu ódio de estimação, o Irão. Por outro lado, ninguém acredita que o até aqui todo poderoso príncipe herdeiro saudita, M. bin Salman, seja alheio ao crime. Pelo...
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Agenda
14
Nov
News Xchange 2018
09:00 @ Edinburgo, Escócia
14
Nov
10ª Conferência Comunicação e Jornalismo
10:00 @ Universidade Lusófona, Lisboa
17
Nov
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa
19
Nov