Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
Media

“The Boston Globe” reinventa o conceito de jornal metropolitano

O diário norte-americano The Boston Globe orgulha-se de estar à frente no número de assinantes exclusivos da sua edição digital, mas afirma que não vai desistir do jornal impresso nem pretende tornar-se numa empresa digital first. A reestruturação que tem neste momento em curso aponta para “ser grande em todas as plataformas”, mantendo o nível que lhe deu quatro Prémios Pulitzer e oito finalistas nestes últimos quatro anos.

Ao mesmo tempo, o seu director, Brian McGrory, acaba de dirigir a todo o pessoal um documento de incentivo e informação sobre o que vem aí, não escondendo que se trata de uma “reestruturação ambiciosa”, implicando um “esforço disruptivo” que começa já, no início de Maio. 

The Boston Globe define-se como um grande jornal metropolitano, o que significa, nos EUA, que cobre uma cidade importante e a respectiva área metropolitana, algures entre os (muito poucos) jornais de projecção verdadeiramente nacional e a Imprensa de natureza claramente local. 

O comentário de David Uberti, na Columbia Journalism Review, que aqui citamos, diz que os motivos que tornam este diário “um laboratório interessante sobre a reinvenção do jornal metropolitano” são os mesmos que tornam o esforço difícil de copiar para outros casos: “um proprietário bem sucedido e dotado de espírito cívico; instituições locais de alcance nacional e internacional; e uma invulgarmente elevada concentração de licenciados na sua área de cobertura próxima”. 

Segundo o testemunho do analista de media Ken Doctor, em Março de 2017 The Boston Globe tinha ultrapassado as 80 mil assinaturas digitais, “o mais elevado número entre todos os diários de expansão regional no país”. Esta subida foi acentuada nas primeiras semanas do ano, “mas saber se o benefício cresce a um ritmo capaz de contrabalançar as perdas no jornal impresso continua a ser uma questão em aberto”. 

O texto de mobilização de Brian McGrory informa sobre novidades e prioridades, entre estas a constituição de um departamento nomeado Express Desk, bem servido de meios humanos e com “alguns dos nossos melhores editores e repórteres”, para dar aos leitores “aquilo que precisam de saber e que sem dúvida vão desejar saber”. Vai incluir as breaking news (as notícias de última hora), assim como as trending news, sobre o meio social de Boston e arredores, e as apetecíveis histórias locais colhidas de redes sociais ou de fontes directas. 

O fio comum a todas será “a urgência de as ter publicadas”. Aliás, a meio do memorando, o director anuncia que se vai começar a trabalhar mais cedo. “Uma boa parte do Express Desk vai certamente ser lançada entre as seis e as oito. A reunião da manhã vai passar a ser às 9h.15, e toda a redacção vai começar às 9h em vez de às 10h.” 

A respeito do jornal impresso, não há uma desistência, “mas simplesmente não queremos que ele domine tudo aquilo que fazemos e como fazemos, do modo como sucede actualmente”. Os editores responsáveis vão exigir que “o jornal físico, em papel, seja sempre fresco, se não mesmo surpreendente”. 

E a mudança anunciada não é só no estilo e nos ritmos de trabalho. Nas conclusões da sua carta aos que trabalham no Boston Globe, o director põe a questão: 

“Quanto tempo deveria alguém permanecer num posto? A experiência garante sabedoria, confiança e, no nosso ramo, fontes. Mas o ponto fraco incómodo da experiência é, frequentemente, a complacência. (...) Demasiadas pessoas ficam demasiado tempo em demasiadas posições. Vamos então estabelecer que não há postos fixos na redacção do Globe. Vamos sacudir isto. Vamos deixar de temer novas funções. Isto vai revigorar as pessoas, individualmente, e abrir as nossas artérias, colectivamente. A equipa Spotlight, por exemplo, vai passar a ter uma estrita rotação de dois anos, e a revista de Domingo de um ano.” (...)

 

Mais informação no artigo da CJR, de onde colhemos a imagem utilizada, e o memorando de Brian McGrory, na íntegra

Connosco
“Floriram por Pessanha as rosas bravas, 150 anos depois” - a reportagem vencedora do Prémio de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

Um trabalho sobre Camilo Pessanha, no âmbito das comemorações  dos 150 anos do nascimento do poeta, assinado pela jornalista Sílvia Gonçalves ,  no jornal “Ponto Final” , foi distinguido com o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído em parceria pelo Clube Português de Imprensa e pelo Jornal Tribuna de Macau.

Trata-se de uma reportagem com o título “Floriram por Pessanha  as rosas bravas, 150 anos depois”  que o júri, escolheu por unanimidade, realçando “a originalidade da abordagem e a forma como foi construída a narrativa” , reconhecendo que o texto “não se limitou a ser evocativo dos 150 anos de Camilo Pessanha,  contribuindo para o conhecimento do poeta e da sua relação estreita com a lusofonia”.

Isabel Mota abre em Outubro novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, vai subordinar-se ao tema genérico “O estado do Estado;  Estado, Sociedade, Opções” e arranca no próximo dia 23 de Outubro, tendo Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, como oradora convidada.

Isabel Maria de Lucena Vasconcelos Cruz de Almeida Mota, de seu nome completo, nasceu em Lisboa, teve uma educação tradicional, uma adolescência pacata e  passou dois anos em Moçambique,  onde o pai foi colocado em missão.

Licenciou-se em Economia e Finanças, foi assistente no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa e  conselheira na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia, em Bruxelas, tendo representado  Portugal em várias organizações multilaterais.

O Clube

O cineasta alemão Wim Wenders foi distinguido com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, pelo seu contributo para a história multicultural da Europa e dos ideais europeus. Ao ser informado da decisão, Wim Wenders declarou que “a Europa é uma utopia em curso, construída, mais do que por qualquer outra coisa, pelo seu legado cultural”. A cerimónia de entrega do Prémio  - instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a “Europa Nostra” e o Clube Português de Imprensa -  terá lugar em 24 de Outubro de 2017, na Fundação Calouste Gulbenkian.


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