Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

“The Boston Globe” reinventa o conceito de jornal metropolitano

O diário norte-americano The Boston Globe orgulha-se de estar à frente no número de assinantes exclusivos da sua edição digital, mas afirma que não vai desistir do jornal impresso nem pretende tornar-se numa empresa digital first. A reestruturação que tem neste momento em curso aponta para “ser grande em todas as plataformas”, mantendo o nível que lhe deu quatro Prémios Pulitzer e oito finalistas nestes últimos quatro anos.

Ao mesmo tempo, o seu director, Brian McGrory, acaba de dirigir a todo o pessoal um documento de incentivo e informação sobre o que vem aí, não escondendo que se trata de uma “reestruturação ambiciosa”, implicando um “esforço disruptivo” que começa já, no início de Maio. 

The Boston Globe define-se como um grande jornal metropolitano, o que significa, nos EUA, que cobre uma cidade importante e a respectiva área metropolitana, algures entre os (muito poucos) jornais de projecção verdadeiramente nacional e a Imprensa de natureza claramente local. 

O comentário de David Uberti, na Columbia Journalism Review, que aqui citamos, diz que os motivos que tornam este diário “um laboratório interessante sobre a reinvenção do jornal metropolitano” são os mesmos que tornam o esforço difícil de copiar para outros casos: “um proprietário bem sucedido e dotado de espírito cívico; instituições locais de alcance nacional e internacional; e uma invulgarmente elevada concentração de licenciados na sua área de cobertura próxima”. 

Segundo o testemunho do analista de media Ken Doctor, em Março de 2017 The Boston Globe tinha ultrapassado as 80 mil assinaturas digitais, “o mais elevado número entre todos os diários de expansão regional no país”. Esta subida foi acentuada nas primeiras semanas do ano, “mas saber se o benefício cresce a um ritmo capaz de contrabalançar as perdas no jornal impresso continua a ser uma questão em aberto”. 

O texto de mobilização de Brian McGrory informa sobre novidades e prioridades, entre estas a constituição de um departamento nomeado Express Desk, bem servido de meios humanos e com “alguns dos nossos melhores editores e repórteres”, para dar aos leitores “aquilo que precisam de saber e que sem dúvida vão desejar saber”. Vai incluir as breaking news (as notícias de última hora), assim como as trending news, sobre o meio social de Boston e arredores, e as apetecíveis histórias locais colhidas de redes sociais ou de fontes directas. 

O fio comum a todas será “a urgência de as ter publicadas”. Aliás, a meio do memorando, o director anuncia que se vai começar a trabalhar mais cedo. “Uma boa parte do Express Desk vai certamente ser lançada entre as seis e as oito. A reunião da manhã vai passar a ser às 9h.15, e toda a redacção vai começar às 9h em vez de às 10h.” 

A respeito do jornal impresso, não há uma desistência, “mas simplesmente não queremos que ele domine tudo aquilo que fazemos e como fazemos, do modo como sucede actualmente”. Os editores responsáveis vão exigir que “o jornal físico, em papel, seja sempre fresco, se não mesmo surpreendente”. 

E a mudança anunciada não é só no estilo e nos ritmos de trabalho. Nas conclusões da sua carta aos que trabalham no Boston Globe, o director põe a questão: 

“Quanto tempo deveria alguém permanecer num posto? A experiência garante sabedoria, confiança e, no nosso ramo, fontes. Mas o ponto fraco incómodo da experiência é, frequentemente, a complacência. (...) Demasiadas pessoas ficam demasiado tempo em demasiadas posições. Vamos então estabelecer que não há postos fixos na redacção do Globe. Vamos sacudir isto. Vamos deixar de temer novas funções. Isto vai revigorar as pessoas, individualmente, e abrir as nossas artérias, colectivamente. A equipa Spotlight, por exemplo, vai passar a ter uma estrita rotação de dois anos, e a revista de Domingo de um ano.” (...)

 

Mais informação no artigo da CJR, de onde colhemos a imagem utilizada, e o memorando de Brian McGrory, na íntegra

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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