null, 17 de Dezembro, 2017
Media

O contributo da banda desenhada para o jornalismo de investigação

Pode uma reportagem de investigação ser contada na forma de uma banda desenhada, digital e interactiva? E pode fazê-lo mesmo tratando de um caso sério, com mortos e feridos? Ojo Público, um site jornalístico do Peru, escolheu esta via para contar a história de um conflito entre os agricultores do vale de Tambo, no sul do país, e a empresa mineira Southern Copper. “A Guerra pela Água” dura há quase dez anos e pode ser vista aqui, onde tudo começou.

Composta por 42 cenas e mais de 120 desenhos, “A Guerra pela Água” é a primeira reportagem desenvolvida num formato de banda desenhada interactiva pelo Ojo Público, e está acessível em espanhol e em inglês. 

Nelly Luna, uma das jornalistas fundadoras do site, explica que escolheram esta via para atingir mais audiência, “especialmente os cidadãos que não estão envolvidos no conflito”. 

“Escolhemos a banda desenhada pelo seu poder didáctico e narrativo para um tema complexo e urgente no Peru: a disputa pela água perante grandes projectos mineiros. A banda desenhada tem a capacidade de retratar, a partir da intimidade das personagens e das suas realidades, histórias e detalhes que podem passar despercebidos num formato tradicional.” 

A reportagem foi concebida em Julho de 2016 e faz parte de uma série de jornalismo de investigação intitulada “Privilégios Fiscais”. 

“Esta série revela os milhões de dólares que o Estado do Peru deixa de receber devido aos benefícios fiscais de que gozam os mais poderosos sectores privados, como são os mineiros”  - conta Luna. “Para este efeito, Ojo Público preparou e analisou uma base de dados com a informação financeira do país nas décadas recentes.” 

“O primeiro capítulo de “A Guerra pela Água” foi apresentado em Dezembro de 2016 na cidade de Arequipa, onde o projecto de exploração mineira está localizado. Já morreram seis pessoas em confrontos com a polícia, durante protestos.” 

 

Mais informação no artigo que citamos, na Global Investigative Journalism Network

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Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

Sobre a “decadência das redacções”, a dúvida de ser jornalista Ver galeria

“A decadência das redações e a diminuição do número de alunos cursando jornalismo apontam na direção da extinção da profissão de repórter?” A pergunta é do jornalista brasileiro Carlos Wagner, que compara a situação que encontrou há 40 anos, quando começou a sua carreira de repórter de investigação, com aquela que hoje enfrentam os novos candidatos. Para a geração dos seus pais (a mãe opunha-se a que ele seguisse este caminho), “os jornalistas tinham fama de bêbados, boémios, comunistas e de ‘língua de lavadeira’.” Mas “a preocupação dos pais da geração de repórteres que entra na faculdade no próximo ano é se ainda existirá a profissão quando o filho acabar o curso”. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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