Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

O contributo da banda desenhada para o jornalismo de investigação

Pode uma reportagem de investigação ser contada na forma de uma banda desenhada, digital e interactiva? E pode fazê-lo mesmo tratando de um caso sério, com mortos e feridos? Ojo Público, um site jornalístico do Peru, escolheu esta via para contar a história de um conflito entre os agricultores do vale de Tambo, no sul do país, e a empresa mineira Southern Copper. “A Guerra pela Água” dura há quase dez anos e pode ser vista aqui, onde tudo começou.

Composta por 42 cenas e mais de 120 desenhos, “A Guerra pela Água” é a primeira reportagem desenvolvida num formato de banda desenhada interactiva pelo Ojo Público, e está acessível em espanhol e em inglês. 

Nelly Luna, uma das jornalistas fundadoras do site, explica que escolheram esta via para atingir mais audiência, “especialmente os cidadãos que não estão envolvidos no conflito”. 

“Escolhemos a banda desenhada pelo seu poder didáctico e narrativo para um tema complexo e urgente no Peru: a disputa pela água perante grandes projectos mineiros. A banda desenhada tem a capacidade de retratar, a partir da intimidade das personagens e das suas realidades, histórias e detalhes que podem passar despercebidos num formato tradicional.” 

A reportagem foi concebida em Julho de 2016 e faz parte de uma série de jornalismo de investigação intitulada “Privilégios Fiscais”. 

“Esta série revela os milhões de dólares que o Estado do Peru deixa de receber devido aos benefícios fiscais de que gozam os mais poderosos sectores privados, como são os mineiros”  - conta Luna. “Para este efeito, Ojo Público preparou e analisou uma base de dados com a informação financeira do país nas décadas recentes.” 

“O primeiro capítulo de “A Guerra pela Água” foi apresentado em Dezembro de 2016 na cidade de Arequipa, onde o projecto de exploração mineira está localizado. Já morreram seis pessoas em confrontos com a polícia, durante protestos.” 

 

Mais informação no artigo que citamos, na Global Investigative Journalism Network

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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