Quarta-feira, 16 de Agosto, 2017
Media

O contributo da banda desenhada para o jornalismo de investigação

Pode uma reportagem de investigação ser contada na forma de uma banda desenhada, digital e interactiva? E pode fazê-lo mesmo tratando de um caso sério, com mortos e feridos? Ojo Público, um site jornalístico do Peru, escolheu esta via para contar a história de um conflito entre os agricultores do vale de Tambo, no sul do país, e a empresa mineira Southern Copper. “A Guerra pela Água” dura há quase dez anos e pode ser vista aqui, onde tudo começou.

Composta por 42 cenas e mais de 120 desenhos, “A Guerra pela Água” é a primeira reportagem desenvolvida num formato de banda desenhada interactiva pelo Ojo Público, e está acessível em espanhol e em inglês. 

Nelly Luna, uma das jornalistas fundadoras do site, explica que escolheram esta via para atingir mais audiência, “especialmente os cidadãos que não estão envolvidos no conflito”. 

“Escolhemos a banda desenhada pelo seu poder didáctico e narrativo para um tema complexo e urgente no Peru: a disputa pela água perante grandes projectos mineiros. A banda desenhada tem a capacidade de retratar, a partir da intimidade das personagens e das suas realidades, histórias e detalhes que podem passar despercebidos num formato tradicional.” 

A reportagem foi concebida em Julho de 2016 e faz parte de uma série de jornalismo de investigação intitulada “Privilégios Fiscais”. 

“Esta série revela os milhões de dólares que o Estado do Peru deixa de receber devido aos benefícios fiscais de que gozam os mais poderosos sectores privados, como são os mineiros”  - conta Luna. “Para este efeito, Ojo Público preparou e analisou uma base de dados com a informação financeira do país nas décadas recentes.” 

“O primeiro capítulo de “A Guerra pela Água” foi apresentado em Dezembro de 2016 na cidade de Arequipa, onde o projecto de exploração mineira está localizado. Já morreram seis pessoas em confrontos com a polícia, durante protestos.” 

 

Mais informação no artigo que citamos, na Global Investigative Journalism Network

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Modos de combater a vigilância electrónica sobre jornalistas e as suas fontes Ver galeria

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A “curadoria de notícias”, que parecia inerente ao trabalho de qualquer jornalista, tornou-se mais necessária do que nunca, mas, “como actividade lucrativa, só funciona em nichos especializados de informação”. É esta a reflexão de Carlos Castilho, ex-assessor da União Europeia para projectos de comunicação na América Central e membro da direcção do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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Opinião
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