Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
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Quando a ética jornalística se deixa viciar pelo cinismo

O jornalismo tem uma missão indispensável à democracia mas, quando consente em degradar-se, afasta-se do seu fundamento de “afligir os satisfeitos e satisfazer os aflitos”, tornando-se exactamente no contrário disso. A propósito da controversa figura jurídica da “delação premiada”, o autor do Comentário da Semana do ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística, faz uma reflexão sobre o que sucede quando o jornalismo segue o caminho do cinismo.

O texto começa por uma referência à Crítica da Razão Cínica, de Peter Sloterdijk, publicado em 1983 na Alemanha, comouma referência para entender o comportamento humano, representado por várias instituições, ao final do século 20”. 

“Ele já percebia cinismo crescente à época em diversas actividades, como na religiosa, nas forças armadas, na política parlamentar, no Estado…Também não deixa de falar sobre o jornalismo. O autor alemão considerava que o jornalismo estava se tornando um terreno mais fértil para a legitimação pública de ideias do que os próprios institutos de relações públicas, as agências de publicidade, os estúdios de propaganda e congéneres. Verificava tal tendência. Era mais conveniente e crível que o jornalismo continuasse a se chamar jornalismo, mas vivesse de estratégias como a da propaganda.” (...) 

O autor deste Comentário da Semana, Francisco José Castilhos Karam, investigador do ObjEthos e autor, entre outros textos, de Jornalismo, Ética e Liberdade, toma partido sobre a actual situação política no seu país, afirmando: 

“Talvez hoje, no Brasil de 2017, consigamos, quase quatro décadas depois do livro Crítica da Razão Cínica, constatar que a Imprensa  – como instituição consolidada na Modernidade e na democracia –  ajudou a confirmar o autor alemão. Sim, a maior parte do jornalismo da chamada grande media faz parte, actualmente, de um amplo processo de propaganda de interesses particulares, desvinculando-se, a despeito da vontade e esforço de muitos de seus profissionais, do até então marco do interesse público. Uma nova etapa? Ainda dá pra chamar de jornalismo?” 

“Embora ofereça muita munição como pauta, a troca de delação por liberdade não é tema de investigação jornalística. Faz parte do cinismo contemporâneo.” (...) 

O seu diagnóstico final é pesado:

“Infelizmente, a partir das reformas propostas por Temer e apoiadas pelos media, subsidiados para defender interesses privados patrocinados pela propina oferecida diariamente pelo governo às empresas jornalísticas e nem mais disfarçada, ‘chegar lá’ torna-se uma utopia cada vez mais distante.” 

“O dinheiro público que vai para a empresa jornalística sai ‘do meu bolso, do seu bolso’, do ‘bolso do contribuinte’ e agrava ainda mais a ‘crise da Previdência e do País’. Quanto às delações, a investigação jornalística, se jornalismo houvesse, deveria apresentar precisão, factos e documentos de acordo com o tamanho das denúncias. Mas estamos no reino do cinismo.”

 

O original, na íntegra, em ObjEthos, de onde recolhemos igualmente o cartoon que inserimos

Connosco
Relatório assinala em Espanha quebra do consumo de TV por assinatura Ver galeria

O consumo doméstico de televisão por assinatura em Espanha, no ano de 2016, foi de 14,5 euros por mês, por habitação, o que significa quase 21% do seu gasto total em tecnologias de informação e comunicação. Esta quantia é 6,5% inferior à de 2015, que se situava numa média de 15,4%. Os dados são do relatório La sociedad en red 2016, elaborado pelo Observatorio Nacional de las Tecnologías de la Sociedad de la Información (ONTSI).

As imagens e as palavras depois da tragédia Ver galeria

A tragédia causada pelos incêndios no centro e norte do País, neste domingo 15 de Outubro, já considerado “o pior dia do ano” em número de ocorrências (mais de 500), simultâneas ou consecutivas, é retratado nas primeiras páginas dos jornais de 17. Quase todos destacam os números das vítimas, somando as de agora às de Pedrógão. Os dois jornais que usam a mesma foto, de três mulheres junto de uma casa destruída, abraçando-se ao lado de uma menina, são também os que procuram as palavras fortes para caracterizar o ocorrido: “Imperdoável” (Correio da Manhã); “Cem mortes sem desculpa” (Jornal de Notícias). 

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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