Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
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Quando a ética jornalística se deixa viciar pelo cinismo

O jornalismo tem uma missão indispensável à democracia mas, quando consente em degradar-se, afasta-se do seu fundamento de “afligir os satisfeitos e satisfazer os aflitos”, tornando-se exactamente no contrário disso. A propósito da controversa figura jurídica da “delação premiada”, o autor do Comentário da Semana do ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística, faz uma reflexão sobre o que sucede quando o jornalismo segue o caminho do cinismo.

O texto começa por uma referência à Crítica da Razão Cínica, de Peter Sloterdijk, publicado em 1983 na Alemanha, comouma referência para entender o comportamento humano, representado por várias instituições, ao final do século 20”. 

“Ele já percebia cinismo crescente à época em diversas actividades, como na religiosa, nas forças armadas, na política parlamentar, no Estado…Também não deixa de falar sobre o jornalismo. O autor alemão considerava que o jornalismo estava se tornando um terreno mais fértil para a legitimação pública de ideias do que os próprios institutos de relações públicas, as agências de publicidade, os estúdios de propaganda e congéneres. Verificava tal tendência. Era mais conveniente e crível que o jornalismo continuasse a se chamar jornalismo, mas vivesse de estratégias como a da propaganda.” (...) 

O autor deste Comentário da Semana, Francisco José Castilhos Karam, investigador do ObjEthos e autor, entre outros textos, de Jornalismo, Ética e Liberdade, toma partido sobre a actual situação política no seu país, afirmando: 

“Talvez hoje, no Brasil de 2017, consigamos, quase quatro décadas depois do livro Crítica da Razão Cínica, constatar que a Imprensa  – como instituição consolidada na Modernidade e na democracia –  ajudou a confirmar o autor alemão. Sim, a maior parte do jornalismo da chamada grande media faz parte, actualmente, de um amplo processo de propaganda de interesses particulares, desvinculando-se, a despeito da vontade e esforço de muitos de seus profissionais, do até então marco do interesse público. Uma nova etapa? Ainda dá pra chamar de jornalismo?” 

“Embora ofereça muita munição como pauta, a troca de delação por liberdade não é tema de investigação jornalística. Faz parte do cinismo contemporâneo.” (...) 

O seu diagnóstico final é pesado:

“Infelizmente, a partir das reformas propostas por Temer e apoiadas pelos media, subsidiados para defender interesses privados patrocinados pela propina oferecida diariamente pelo governo às empresas jornalísticas e nem mais disfarçada, ‘chegar lá’ torna-se uma utopia cada vez mais distante.” 

“O dinheiro público que vai para a empresa jornalística sai ‘do meu bolso, do seu bolso’, do ‘bolso do contribuinte’ e agrava ainda mais a ‘crise da Previdência e do País’. Quanto às delações, a investigação jornalística, se jornalismo houvesse, deveria apresentar precisão, factos e documentos de acordo com o tamanho das denúncias. Mas estamos no reino do cinismo.”

 

O original, na íntegra, em ObjEthos, de onde recolhemos igualmente o cartoon que inserimos

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
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“Fake news”, ontem e hoje
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Ago
Composição Fotográfica
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Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set