Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Media

Crónica das “notícias falsas” tem antecedentes em jornais alemães do séc. XIX

Habituámo-nos a identificar o fenómeno das “notícias falsas” como uma espécie de praga recente, trazida pela crispação política e potenciada pelos meios digitais; até lhe démos um nome actual  - fakenews. Mas um artigo de Petra McGillen vai ao jornalismo alemão do séc. XIX e tira do esquecimento aquilo que já era, no fundo, a mesma coisa; e também tinha nome  - unechte Korrespondenz. Uma história que nos faz pensar.

A autora, professora de estudos alemães no Dartmouth College, nos Estados Unidos, interessa-se pela história do jornalismo, desde a era industrial da Imprensa, e foi por esse caminho que chegou a Theodor Fontane, a personagem deste episódio, sobre quem está a escrever um livro. 

A questão de fundo, como conta num artigo que aqui citamos do NiemanLab, é perceber como é que as fakenews funcionam, e têm o efeito de convencer as pessoas, e o resultado da sua investigação é que “as fakenews são eficazes porque nos contam alguma coisa sobre o mundo que, de certo modo, nós já sabíamos”. A explicação parece pouco convincente, mas a autora desenvolve, mais adiante, uma análise mais focada sobre os "truques" pessoais de redacção que tornam essas histórias emocionantes e, por esse lado, apelativas e credíveis.  

“As fakenews floresceram no séc. XIX. Nesse período, a circulação de jornais e revistas aumentou muitíssimo, em consequência do progresso na tecnologia de imprensa e do facto de o papel se ter tornado mais barato. Agências de notícias profissionais apareceram nas maiores cidades do mundo, enquanto o telégrafo permitia que as mensagens fossem rapidamente enviadas entre continentes.”

Para vencerem a concorrência, os jornais passaram a procurar ter correspondentes no estrangeiro. “A ideia era que os correspondentes podiam produzir reportagens e análises de um ponto de vista pessoal, que os leitores achariam mais apelativo do que os relatos impessoais que vinham das agências de notícias.” 

Mas como ficava caro mandar repórteres ao estrangeiro, os jornais que não tinham meios para o fazer “arranjaram uma solução criativa e mais barata: pagavam a redactores locais para fingirem que estavam a enviar despachos noticiosos de fora”. 

“Em meados do séc. XIX, o fenómeno era tão generalizado na Alemanha que se tinha tornado um género próprio  - a unechte Korrespondenz, ou ‘a carta do falso correspondente no estrangeiro’, como lhe chamavam  no meio jornalístico alemão.” 

Theodor Fontane tinha sido farmacêutico antes de entrar para a redacção do jornal ultra-conservador Kreuzzeitung, de Berlim, que o encarregou “de fazer a cobertura da Inglaterra e, durante uma década, ele publicou reportagens umas atrás das outras, ‘desde’ Londres, fascinando os seus leitores com relatos ‘pessoais’ de acontecimentos dramáticos, como o grande incêndio de Tooley Street, em 1861”. 

O artigo de Petra McGillen detém-se nos pormenores da arte, passando depois a um exemplo de hoje, das eleições presidenciais nos EUA, em que um autor de fakenews acaba por contar mais tarde, ao New York Times, de que modo tinha construído a “descoberta” de umas urnas de voto, algures no Ohio, cheias de boletins de voto em Hillary Clinton. 

A autora detém-se sobre a análise de estilo literário, num e noutro caso, e identifica os pontos comuns. A lição actual é que, com “o aumento fenomenal no consumo de notícias” que se deu no final da campanha e durante a eleição, torna-se realmente difícil “discernir entre o que é falso e o que não é”.

 

O artigo original, no NiemanLab

 

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França