Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
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Eleições francesas são um pretexto para apelo a favor da liberdade de informação

A liberdade de informar “é a audácia de um país que, pelas suas leis e o seu eco-sistema institucional, político e cultural, deixa prosperar no seu seio os agentes de intranquilidade que são os jornalistas”.  A poucos dias das eleições francesas, a associação Repórteres sem Fronteiras e o colectivo “Informar não é um delito” publicaram um apelo segundo o qual, “agora que as violências contra os jornalistas e os atentados à independência dos media se multiplicam no nosso país, pedimos ao futuro Presidente da República um compromisso firme na defesa da liberdade de Informação em França”.

O texto do documento parte da necessidade de defender, tanto a liberdade de opinião de qualquer cidadão  - que consiste em “poder dar, sem correr risco, o seu ponto de vista, na condição óbvia de não ferir aquelas leis elementares sobre o ódio ao outro” -  como a liberdade de informar, que se dirige aos “agentes de intranquilidade que são os jornalistas, esses ‘chatos’ que trazem ao conhecimento do maior número de pessoas aquilo que não se sabia antes de o ler, de o escutar ou ver”. 

Situando estes direitos no contexto actual, o mesmo documento afirma:

“Na hora da ‘pós-verdade’, que pretende que já não sejam os factos a formar as opiniões, mas as opiniões a fabricarem falsidades; na hora em que os ataques contra o jornalismo se tornaram tristes investimentos eleitorais de numerosos responsáveis políticos; na hora em que a concentração dos media atingiu em França um nível histórico  - em resumo, nesta hora, está escuro. Não podemos aceitá-lo.” 

“Que a imensa maioria da produção de Informação, em França, fora do serviço público, esteja hoje nas mãos de oito milionários financeiros ou capitães de indústria cujo centro de actividade é a venda de armas, de comunicações telefónicas, da construção e obras públicas ou da banca, não é uma boa notícia  - ainda mais quando o movimento de negócio de alguns depende das boas relações com os governos no poder ou, por vezes, com ditaduras estrangeiras.”  (...) 

O apelo desenvolve então cinco pontos que formam o núcleo do apelo dirigido a todos os candidatos presidenciais:

  1. – Lutar contra a concentração dos media e assegurar a transparência da sua propriedade.
  2. – Fazer adoptar uma nova lei sobre a protecção do segredo das fontes.
  3. – Lutar contra os processos abusivos postos aos jornalistas.
  4. – Criar o delito de tráfico de influência aplicado ao campo da Informação.
  5. – Tornar mais fácil e alargar a todos os cidadãos o acesso aos documentos públicos.

 

O apelo público, na íntegra, no site do Acrimed

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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