null, 17 de Dezembro, 2017
Media

Literacia "neo-jornalística" versus “jornalismo-cidadão”

É verdade que o chamado “jornalismo-cidadão” não pode substituir o trabalho de um repórter profissional. Mas todos sabemos que muitos media, sobretudo as estações de televisão, não resistem a utilizar vídeos espontâneos de quem estava no local onde as coisas aconteceram (nem podemos condenar em absoluto essa prática). Finalmente, o que hoje acontece é que muitos profissionais estão, eles próprios, a tirar partido das novas tecnologias de bolso  - por motivos evidentes. O jornalista australiano Ivo Burum foi por este caminho e explica como e porquê.

Antes do mais, o autor do texto que citamos adopta uma designação para falar do que faz: mojo, abreviatura de mobile journalism  -  o tipo de jornalismo que se pode fazer com os novos dispositivos móveis. Mas para nos situarmos em todas as questões envolvidas, começa por uma série de perguntas: 

“A pessoa que filma com um smartphone, mas depois edita num computador portátil, está em mojo? As definições de mojo podem incluir alguém que usa uma máquina fotográfica digital para fazer a captação, mas que depois edita num smartphone?” 

“E como é se alguém está no sítio certo à hora certa e filma um avião a cair no Rio Hudson, e depois faz o respectivo upload? Quem é o jornalista, neste exemplo  - o cidadão que se torna testemunha acidental, ou a CNN, que usou [o ficheiro disponível] e lhe chamou ‘jornalismo de cidadão’?” 

Ivo Burum continua:

“A concepção tradicional do mojo como sendo um processo de filmar, editar, escrever e publicar reportagens vídeo usando um smartphone é aquilo que Glen Mulcahy, o responsável por Inovações na rede irlandesa RTE, chama ‘a visão purista’. O que ele acredita é que ‘no jornalismo mobile, trata-se de dotar [empowering, no original] a testemunha individual com as competências no uso de todas as tecnologias que lhe estejam acessíveis, para obter a melhor reportagem que consiga’...” 

O autor que citamos está de acordo, desde que isso implique uma “literacia neo-jornalística”, uma “voz jornalística” e uma edição estruturada. Acrescenta a sua própria definição: 

“Em termos simples, mojo é uma combinação de competências de reportagem digital e ferramentas utilizadas para captar e transformar material em bruto, proveniente de conteúdos de utentes (UGC – user generated contents) e torná-lo em reportagens provenientes de utentes (UGS – user-generated stories).” 

A partir deste ponto, Ivo Burum passa a falar das vantagens relativas deste ou daquele material  -  gravadores, lentes, microfones, modelos de smartphones, memórias externas para dar espaço a mais trabalho, etc.

 

O artigo original, na Global Investigative Journalism Network

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

Sobre a “decadência das redacções”, a dúvida de ser jornalista Ver galeria

“A decadência das redações e a diminuição do número de alunos cursando jornalismo apontam na direção da extinção da profissão de repórter?” A pergunta é do jornalista brasileiro Carlos Wagner, que compara a situação que encontrou há 40 anos, quando começou a sua carreira de repórter de investigação, com aquela que hoje enfrentam os novos candidatos. Para a geração dos seus pais (a mãe opunha-se a que ele seguisse este caminho), “os jornalistas tinham fama de bêbados, boémios, comunistas e de ‘língua de lavadeira’.” Mas “a preocupação dos pais da geração de repórteres que entra na faculdade no próximo ano é se ainda existirá a profissão quando o filho acabar o curso”. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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03
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