Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Media

Literacia "neo-jornalística" versus “jornalismo-cidadão”

É verdade que o chamado “jornalismo-cidadão” não pode substituir o trabalho de um repórter profissional. Mas todos sabemos que muitos media, sobretudo as estações de televisão, não resistem a utilizar vídeos espontâneos de quem estava no local onde as coisas aconteceram (nem podemos condenar em absoluto essa prática). Finalmente, o que hoje acontece é que muitos profissionais estão, eles próprios, a tirar partido das novas tecnologias de bolso  - por motivos evidentes. O jornalista australiano Ivo Burum foi por este caminho e explica como e porquê.

Antes do mais, o autor do texto que citamos adopta uma designação para falar do que faz: mojo, abreviatura de mobile journalism  -  o tipo de jornalismo que se pode fazer com os novos dispositivos móveis. Mas para nos situarmos em todas as questões envolvidas, começa por uma série de perguntas: 

“A pessoa que filma com um smartphone, mas depois edita num computador portátil, está em mojo? As definições de mojo podem incluir alguém que usa uma máquina fotográfica digital para fazer a captação, mas que depois edita num smartphone?” 

“E como é se alguém está no sítio certo à hora certa e filma um avião a cair no Rio Hudson, e depois faz o respectivo upload? Quem é o jornalista, neste exemplo  - o cidadão que se torna testemunha acidental, ou a CNN, que usou [o ficheiro disponível] e lhe chamou ‘jornalismo de cidadão’?” 

Ivo Burum continua:

“A concepção tradicional do mojo como sendo um processo de filmar, editar, escrever e publicar reportagens vídeo usando um smartphone é aquilo que Glen Mulcahy, o responsável por Inovações na rede irlandesa RTE, chama ‘a visão purista’. O que ele acredita é que ‘no jornalismo mobile, trata-se de dotar [empowering, no original] a testemunha individual com as competências no uso de todas as tecnologias que lhe estejam acessíveis, para obter a melhor reportagem que consiga’...” 

O autor que citamos está de acordo, desde que isso implique uma “literacia neo-jornalística”, uma “voz jornalística” e uma edição estruturada. Acrescenta a sua própria definição: 

“Em termos simples, mojo é uma combinação de competências de reportagem digital e ferramentas utilizadas para captar e transformar material em bruto, proveniente de conteúdos de utentes (UGC – user generated contents) e torná-lo em reportagens provenientes de utentes (UGS – user-generated stories).” 

A partir deste ponto, Ivo Burum passa a falar das vantagens relativas deste ou daquele material  -  gravadores, lentes, microfones, modelos de smartphones, memórias externas para dar espaço a mais trabalho, etc.

 

O artigo original, na Global Investigative Journalism Network

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França