Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
Media

Literacia "neo-jornalística" versus “jornalismo-cidadão”

É verdade que o chamado “jornalismo-cidadão” não pode substituir o trabalho de um repórter profissional. Mas todos sabemos que muitos media, sobretudo as estações de televisão, não resistem a utilizar vídeos espontâneos de quem estava no local onde as coisas aconteceram (nem podemos condenar em absoluto essa prática). Finalmente, o que hoje acontece é que muitos profissionais estão, eles próprios, a tirar partido das novas tecnologias de bolso  - por motivos evidentes. O jornalista australiano Ivo Burum foi por este caminho e explica como e porquê.

Antes do mais, o autor do texto que citamos adopta uma designação para falar do que faz: mojo, abreviatura de mobile journalism  -  o tipo de jornalismo que se pode fazer com os novos dispositivos móveis. Mas para nos situarmos em todas as questões envolvidas, começa por uma série de perguntas: 

“A pessoa que filma com um smartphone, mas depois edita num computador portátil, está em mojo? As definições de mojo podem incluir alguém que usa uma máquina fotográfica digital para fazer a captação, mas que depois edita num smartphone?” 

“E como é se alguém está no sítio certo à hora certa e filma um avião a cair no Rio Hudson, e depois faz o respectivo upload? Quem é o jornalista, neste exemplo  - o cidadão que se torna testemunha acidental, ou a CNN, que usou [o ficheiro disponível] e lhe chamou ‘jornalismo de cidadão’?” 

Ivo Burum continua:

“A concepção tradicional do mojo como sendo um processo de filmar, editar, escrever e publicar reportagens vídeo usando um smartphone é aquilo que Glen Mulcahy, o responsável por Inovações na rede irlandesa RTE, chama ‘a visão purista’. O que ele acredita é que ‘no jornalismo mobile, trata-se de dotar [empowering, no original] a testemunha individual com as competências no uso de todas as tecnologias que lhe estejam acessíveis, para obter a melhor reportagem que consiga’...” 

O autor que citamos está de acordo, desde que isso implique uma “literacia neo-jornalística”, uma “voz jornalística” e uma edição estruturada. Acrescenta a sua própria definição: 

“Em termos simples, mojo é uma combinação de competências de reportagem digital e ferramentas utilizadas para captar e transformar material em bruto, proveniente de conteúdos de utentes (UGC – user generated contents) e torná-lo em reportagens provenientes de utentes (UGS – user-generated stories).” 

A partir deste ponto, Ivo Burum passa a falar das vantagens relativas deste ou daquele material  -  gravadores, lentes, microfones, modelos de smartphones, memórias externas para dar espaço a mais trabalho, etc.

 

O artigo original, na Global Investigative Journalism Network

Connosco
“Floriram por Pessanha as rosas bravas, 150 anos depois” - a reportagem vencedora do Prémio de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

Um trabalho sobre Camilo Pessanha, no âmbito das comemorações  dos 150 anos do nascimento do poeta, assinado pela jornalista Sílvia Gonçalves ,  no jornal “Ponto Final” , foi distinguido com o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído em parceria pelo Clube Português de Imprensa e pelo Jornal Tribuna de Macau.

Trata-se de uma reportagem com o título “Floriram por Pessanha  as rosas bravas, 150 anos depois”  que o júri, escolheu por unanimidade, realçando “a originalidade da abordagem e a forma como foi construída a narrativa” , reconhecendo que o texto “não se limitou a ser evocativo dos 150 anos de Camilo Pessanha,  contribuindo para o conhecimento do poeta e da sua relação estreita com a lusofonia”.

Isabel Mota abre em Outubro novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, vai subordinar-se ao tema genérico “O estado do Estado;  Estado, Sociedade, Opções” e arranca no próximo dia 23 de Outubro, tendo Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, como oradora convidada.

Isabel Maria de Lucena Vasconcelos Cruz de Almeida Mota, de seu nome completo, nasceu em Lisboa, teve uma educação tradicional, uma adolescência pacata e  passou dois anos em Moçambique,  onde o pai foi colocado em missão.

Licenciou-se em Economia e Finanças, foi assistente no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa e  conselheira na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia, em Bruxelas, tendo representado  Portugal em várias organizações multilaterais.

O Clube

O cineasta alemão Wim Wenders foi distinguido com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, pelo seu contributo para a história multicultural da Europa e dos ideais europeus. Ao ser informado da decisão, Wim Wenders declarou que “a Europa é uma utopia em curso, construída, mais do que por qualquer outra coisa, pelo seu legado cultural”. A cerimónia de entrega do Prémio  - instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a “Europa Nostra” e o Clube Português de Imprensa -  terá lugar em 24 de Outubro de 2017, na Fundação Calouste Gulbenkian.


ver mais >
Opinião
A comunicação social e a Catalunha
Francisco Sarsfield Cabral
A crise da Catalunha foi, em grande parte, feita para a comunicação social. Os independentistas catalães estavam nos últimos anos a perder adeptos. Uma forma de atrair para a causa os moderados seria provocar Madrid a usar a força policial na região e em particular em Barcelona. Correram mundo as imagens televisivas de polícias nacionais a carregar sobre pessoas que queriam votar no simulacro de referendo. O que descredibilizou...
Ao completar 25 anos, a SIC  cresceu, mas não se emancipou nem libertou o seu criador de preocupações. Francisco Pinto Balsemão, com 80 anos feitos, merecia um sossego que não tem, perante a crise que atingiu o Grupo de media que construiu do zero . Balsemão ganhou vários desafios, alguns deles complexos, desde que lançou o Expresso nos idos de 70 do século passado - o seu “navio-almirante”, como gosta de...
Na semana passada aconteceu o que há muito se esperava – um dos maiores grupos de comunicação anunciou que vai encerrar ou vender a maior parte dos seus títulos de imprensa. A braços com um endividamente gigantesco, acaba por reconhecer que as receitas que obtém, quando existem, são insuficientes para inverter a situação criada ao longo de anos. O cenário actual complica tudo: é devastador folhear um jornal...
Peter Barbey, actual proprietário (desde 2015) do The Village Voice, anunciou em 22 de Agosto o fim da edição impressa do semanário nova-iorquino, após 62 anos de publicação, continuando a ser produzida a versão digital. A edição impressa – gratuita desde há 21 anos -  tinha actualmente uma tiragem de 120 mil exemplares, enquanto a versão digital, segundo a comScore (empresa de análise de...
Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Agenda
20
Out
20
Out
Facebook para Jornalistas
12:00 @ Cenjor,Lisboa
23
Out
II Congresso Internacional sobre Competências Mediáticas
16:00 @ Brasil, Faculdade de Comunicação – Universidade Federal de Juiz de Fora , Minas Gerais
23
Out
Atelier de Jornalismo Digital
18:30 @ Cenjor,Lisboa