Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

Mais uma ferramenta contra a natureza tendenciosa da nossa leitura de notícias

Na ressaca do debate sobre a credibilidade dos media, e num clima em que a designação de fake news se tornou uma arma de arremesso recíproco entre protagonistas inconciliáveis, está em curso a procura de ferramentas que possam orientar os leitores. The Huffington Post desenvolveu a sua própria, chamou-lhe The Flipside e apresentou-a ao público. Basicamente, é uma grelha de leitura interactiva, que recolhe os títulos mais recentes de 14 publicações e os arruma num espaço cuja linha vertical desce do mais digno de crédito até ao menos digno, abrindo-se a linha horizontal entre uma direita mais conservadora uma esquerda mais liberal.

O objectivo de fundo, nesta como noutras diligências semelhantes, é o de romper com a famosa “bolha de filtro” em que a informação digital, mediada pelas redes sociais, tende por natureza a aprisionar-nos. A jornalista Laura Hazard Owen, que apresenta este projecto no NiemanLab, e cujo artigo aqui citamos, começa por dizer que, se pertencemos “àquele reduzido número de pessoas que realmente se preocupam a respeito da natureza tendenciosa do seu consumo de notícias, temos de fazer algum trabalho”. 

Basicamente, é uma forma de irmos ver de que modo as outras pessoas, de convicções diferentes ou até opostas às nossas, lêem notícias sobre os mesmos assuntos, e onde as vão buscar  - explica.

Houve a preocupação de criar um instrumento muito simples, que não precisa de ser instalado por uma aplicação. Os títulos que aparecem no Flipside são colhidos de 14 publicações (norte-americanas, neste caso), transmitidos pelo Twitter nas últimas duas horas: 

“Não é The Huffington Post quem classifica as fontes, nem quanto à credibilidade nem quanto à ideologia. Os rankings ideológicos são os do estudo do Public Opinion Quarterly de 2016, que usou uma combinação de aprendizagem computorizada [machine learning, no original] e de consulta pública [crowdsourcing, no original] para dispor as fontes de informação no espectro desenhado. Quanto aos ratings de credibilidade, trabalharam em parceria com o site Snopes.com para atribuir essa classificação.” 

“Os ratings estão certamente abertos a discussão; por alguma razão, a Reuters aparece de modo significativo menos credível do que outros grandes media. Quando se dá uma volta pela ferramenta, vê-se que The Huffington Post está incluído na grelha  - e classificado, do ponto de vista da credibilidade, abaixo de The New York Times e The Washington Post. Na realidade, o Snopes deu-lhe a mesma classificação de credibilidade que tem a Fox News.”

 

 

O artigo citado, no NiemanLab, e a apresentação do Flipside em The Huffington Post

Connosco
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Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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