null, 17 de Dezembro, 2017
Media

Mais uma ferramenta contra a natureza tendenciosa da nossa leitura de notícias

Na ressaca do debate sobre a credibilidade dos media, e num clima em que a designação de fake news se tornou uma arma de arremesso recíproco entre protagonistas inconciliáveis, está em curso a procura de ferramentas que possam orientar os leitores. The Huffington Post desenvolveu a sua própria, chamou-lhe The Flipside e apresentou-a ao público. Basicamente, é uma grelha de leitura interactiva, que recolhe os títulos mais recentes de 14 publicações e os arruma num espaço cuja linha vertical desce do mais digno de crédito até ao menos digno, abrindo-se a linha horizontal entre uma direita mais conservadora uma esquerda mais liberal.

O objectivo de fundo, nesta como noutras diligências semelhantes, é o de romper com a famosa “bolha de filtro” em que a informação digital, mediada pelas redes sociais, tende por natureza a aprisionar-nos. A jornalista Laura Hazard Owen, que apresenta este projecto no NiemanLab, e cujo artigo aqui citamos, começa por dizer que, se pertencemos “àquele reduzido número de pessoas que realmente se preocupam a respeito da natureza tendenciosa do seu consumo de notícias, temos de fazer algum trabalho”. 

Basicamente, é uma forma de irmos ver de que modo as outras pessoas, de convicções diferentes ou até opostas às nossas, lêem notícias sobre os mesmos assuntos, e onde as vão buscar  - explica.

Houve a preocupação de criar um instrumento muito simples, que não precisa de ser instalado por uma aplicação. Os títulos que aparecem no Flipside são colhidos de 14 publicações (norte-americanas, neste caso), transmitidos pelo Twitter nas últimas duas horas: 

“Não é The Huffington Post quem classifica as fontes, nem quanto à credibilidade nem quanto à ideologia. Os rankings ideológicos são os do estudo do Public Opinion Quarterly de 2016, que usou uma combinação de aprendizagem computorizada [machine learning, no original] e de consulta pública [crowdsourcing, no original] para dispor as fontes de informação no espectro desenhado. Quanto aos ratings de credibilidade, trabalharam em parceria com o site Snopes.com para atribuir essa classificação.” 

“Os ratings estão certamente abertos a discussão; por alguma razão, a Reuters aparece de modo significativo menos credível do que outros grandes media. Quando se dá uma volta pela ferramenta, vê-se que The Huffington Post está incluído na grelha  - e classificado, do ponto de vista da credibilidade, abaixo de The New York Times e The Washington Post. Na realidade, o Snopes deu-lhe a mesma classificação de credibilidade que tem a Fox News.”

 

 

O artigo citado, no NiemanLab, e a apresentação do Flipside em The Huffington Post

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

Sobre a “decadência das redacções”, a dúvida de ser jornalista Ver galeria

“A decadência das redações e a diminuição do número de alunos cursando jornalismo apontam na direção da extinção da profissão de repórter?” A pergunta é do jornalista brasileiro Carlos Wagner, que compara a situação que encontrou há 40 anos, quando começou a sua carreira de repórter de investigação, com aquela que hoje enfrentam os novos candidatos. Para a geração dos seus pais (a mãe opunha-se a que ele seguisse este caminho), “os jornalistas tinham fama de bêbados, boémios, comunistas e de ‘língua de lavadeira’.” Mas “a preocupação dos pais da geração de repórteres que entra na faculdade no próximo ano é se ainda existirá a profissão quando o filho acabar o curso”. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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03
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