null, 17 de Dezembro, 2017
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Estarão as redes distribuidoras à altura das novas responsabilidades?

As grandes plataformas que se tornaram distribuidoras de notícias tiveram, até muito recentemente, relutância em admitir que eram, finalmente, editoras, e que tinham de assumir responsabilidades como tal. Estão agora a mudar um pouco, mas entre elas e os media propriamente ditos permanece uma enorme desproporção de forças. A jornalista britânica Emily Bell, cuja reflexão sobre esta matéria tem produzido vários textos de referência, faz, em The Guardian, o ponto de situação.

A autora começa por lembrar o ponto a que chegámos. É muito recente a polémica em que Google e Facebook foram confrontados com o facto de, no primeiro caso, os anunciantes encontrarem os seus produtos ao lado de vídeos racistas, ou “jihadistas”, e, no segundo, ter ficado claro que a maior plataforma social se tinha tornado também na maior distribuidora de “factos” inventados e fake news

A perplexidade de Emily Bell põe a questão de saber como é que estas coisas estiveram “escondidas à vista de todos” durante tanto tempo:  “O facto de que só agora a Google está a dar aos anunciantes a lista de todos os canais onde os seus anúncios aparecem é surpreendente; ninguém tinha pedido antes?” 

Sir Martin Sorrell, presidente da grande agência publicitária WPP, é citado sobre esta matéria: “Sempre dissémos que Google, Facebook e outras são empresas de media e têm as mesmas responsabilidades... Não podem mascarar-se como empresas tecnológicas, especialmente quando colocam anúncios.”   

Emily Bell passa às consequências:

“Ao agirem como empresas tecnológicas, mas assumindo, de facto, o papel de editoras, Google, Facebook e outras acabaram por, acidentalmente, projectar um sistema que eleva os conteúdos mais baratos e mais ‘apelativos’ às custas do material mais dispendioso mas menos ‘distribuível’. Qualquer pessoa que queira chegar a um milhão de leitores, com um vídeo mal feito de teorias de conspiração, tem sorte. Mas se quisermos manter uma redacção bem apetrechada para cobrir uma cidade de 200 mil habitantes, descobrimos que não é sustentável.” 

“É o cúmulo da ironia que a moeda das redes sociais, que são os likes e os shares, as mais das vezes estejam directamente relacionados com a agressividade ou o sensacionalismo da notícia. Os media populistas armados, que já nem sequer precisam de pegar num telefone para vender publicidade, ficaram livres para serem tão extremistas quanto queiram. Como disse, em tweet, o troll americano de direita (e personalidade dos media) Mike Cernovich, ‘Conflito é atenção, e atenção é influência’.” 

Emily Bell faz uma comparação entre duas crises:

“Assim como, em 2008, assistimos a uma crise nos mercados financeiros, em 2016 vimos uma semelhante no mercado da informação pública. O paralelo é notável: produtos de má qualidade circularam a alta velocidade através de sistemas de negócio automáticos, fora do controlo mesmo daqueles que os haviam projectado.” 

“À semelhança do Goldman Sachs, Facebook e Google são too big to fail (demasiado grandes para tombarem), mas, ao contrário dos bancos de investimento, os desenvolvimentos políticos dos últimos seis meses galvanizaram uma resposta mais ideológica das chefias das empresas.” (...) 

A curiosidade (misturada de esperança) de Emily Bell é a de ver de que modo os gigantes de Silicon Valley vão agora responder às novas responsabilidades que já não podem negar.

 

O original da autora, na íntegra, em The Guardian

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

Sobre a “decadência das redacções”, a dúvida de ser jornalista Ver galeria

“A decadência das redações e a diminuição do número de alunos cursando jornalismo apontam na direção da extinção da profissão de repórter?” A pergunta é do jornalista brasileiro Carlos Wagner, que compara a situação que encontrou há 40 anos, quando começou a sua carreira de repórter de investigação, com aquela que hoje enfrentam os novos candidatos. Para a geração dos seus pais (a mãe opunha-se a que ele seguisse este caminho), “os jornalistas tinham fama de bêbados, boémios, comunistas e de ‘língua de lavadeira’.” Mas “a preocupação dos pais da geração de repórteres que entra na faculdade no próximo ano é se ainda existirá a profissão quando o filho acabar o curso”. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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03
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