null, 25 de Junho, 2017
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Estarão as redes distribuidoras à altura das novas responsabilidades?

As grandes plataformas que se tornaram distribuidoras de notícias tiveram, até muito recentemente, relutância em admitir que eram, finalmente, editoras, e que tinham de assumir responsabilidades como tal. Estão agora a mudar um pouco, mas entre elas e os media propriamente ditos permanece uma enorme desproporção de forças. A jornalista britânica Emily Bell, cuja reflexão sobre esta matéria tem produzido vários textos de referência, faz, em The Guardian, o ponto de situação.

A autora começa por lembrar o ponto a que chegámos. É muito recente a polémica em que Google e Facebook foram confrontados com o facto de, no primeiro caso, os anunciantes encontrarem os seus produtos ao lado de vídeos racistas, ou “jihadistas”, e, no segundo, ter ficado claro que a maior plataforma social se tinha tornado também na maior distribuidora de “factos” inventados e fake news

A perplexidade de Emily Bell põe a questão de saber como é que estas coisas estiveram “escondidas à vista de todos” durante tanto tempo:  “O facto de que só agora a Google está a dar aos anunciantes a lista de todos os canais onde os seus anúncios aparecem é surpreendente; ninguém tinha pedido antes?” 

Sir Martin Sorrell, presidente da grande agência publicitária WPP, é citado sobre esta matéria: “Sempre dissémos que Google, Facebook e outras são empresas de media e têm as mesmas responsabilidades... Não podem mascarar-se como empresas tecnológicas, especialmente quando colocam anúncios.”   

Emily Bell passa às consequências:

“Ao agirem como empresas tecnológicas, mas assumindo, de facto, o papel de editoras, Google, Facebook e outras acabaram por, acidentalmente, projectar um sistema que eleva os conteúdos mais baratos e mais ‘apelativos’ às custas do material mais dispendioso mas menos ‘distribuível’. Qualquer pessoa que queira chegar a um milhão de leitores, com um vídeo mal feito de teorias de conspiração, tem sorte. Mas se quisermos manter uma redacção bem apetrechada para cobrir uma cidade de 200 mil habitantes, descobrimos que não é sustentável.” 

“É o cúmulo da ironia que a moeda das redes sociais, que são os likes e os shares, as mais das vezes estejam directamente relacionados com a agressividade ou o sensacionalismo da notícia. Os media populistas armados, que já nem sequer precisam de pegar num telefone para vender publicidade, ficaram livres para serem tão extremistas quanto queiram. Como disse, em tweet, o troll americano de direita (e personalidade dos media) Mike Cernovich, ‘Conflito é atenção, e atenção é influência’.” 

Emily Bell faz uma comparação entre duas crises:

“Assim como, em 2008, assistimos a uma crise nos mercados financeiros, em 2016 vimos uma semelhante no mercado da informação pública. O paralelo é notável: produtos de má qualidade circularam a alta velocidade através de sistemas de negócio automáticos, fora do controlo mesmo daqueles que os haviam projectado.” 

“À semelhança do Goldman Sachs, Facebook e Google são too big to fail (demasiado grandes para tombarem), mas, ao contrário dos bancos de investimento, os desenvolvimentos políticos dos últimos seis meses galvanizaram uma resposta mais ideológica das chefias das empresas.” (...) 

A curiosidade (misturada de esperança) de Emily Bell é a de ver de que modo os gigantes de Silicon Valley vão agora responder às novas responsabilidades que já não podem negar.

 

O original da autora, na íntegra, em The Guardian

Connosco
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Portugal aparece no segundo lugar entre os países europeus, logo a seguir à Finlândia, no índice de confiança nas notícias (ficando o Brasil entre os dois). A Finlândia atinge os 62%, Portugal chega aos 58%, e os países mais em baixo, Grécia e Coreia do Sul, ficam nos 23%. Estes são alguns números do Digital News Report 2017 do Reuters Institute, que sublinha no texto de sumário que “a revolução digital está cheia de contradições e excepções” e que as diferenças para cada país podem ser procuradas nas páginas que lhes são dedicadas, no desenvolvimento do relatório.

O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
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Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
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Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França