Sexta-feira, 15 de Dezembro, 2017
Media

Jornalista sueco usa a lógica do “Twitter” para furar a “bolha de filtro”

A expressão “bolha de filtro” foi popularizada nos Estados Unidos para designar o isolamento informativo a que somos confinados quando passamos a depender de redes sociais que nos agrupam entre os que já têm pontos de vista semelhantes aos nossos. Agora, na Suécia, um jornalista e comentador no jornal Sydsvenskan desenvolveu uma ferramenta informática que usa o algoritmo do Twitter para obter o efeito contrário: o de proporcionar ao leitor, num relance, lado a lado, três pontos de vista sobre as questões políticas do momento  - uma mais à esquerda, outra mais ao centro, a outra mais à direita.

A inspiração inicial de Per Grankvist vem do Red Feed, Blue Feed, posto em prática por The Wall Street Journal, e que ele reconhece como “um bom ponto de partida”. Mas Grankvist defende que o facto de usar o algoritmo da plataforma, em vez de decisões humanas de natureza editorial, e ainda o de colocar os tweets dentro do contexto de tópicos políticos específicos, tornam a sua ferramenta mais poderosa. 

O seu projecto seguiu, portanto, o caminho do próprio Twitter na relação com os consumidores, ao oferecer-lhes material baseado nos tópicos e nas pessoas em que eles já estão interessados. Para construir cada “bolha”, o autor criou uma nova conta Twitter e seguiu seis a doze contas sugeridas para figuras centrais de cada uma, tais como dirigentes partidários e secretários. 

Depois foi registando as outras contas sugeridas pelo mesmo Twitter, acrescentando nomes até chegar a um número de cerca de 80 para todas três, cada uma das quais representa a fonte de informação de uma pessoa hipotética (estas listas não incluem meios de comunicação). 

“Cada tweet que entra é analisado pelo conteúdo e colocado, em tempo real, na sua fonte. O Filterbubblan segue os grandes tópicos da política, como a habitação, crime, igualdade, educação e saúde. Como era de esperar, estes tópicos são tratados de modo muito diferente consoante a fonte; os que ficam mais à direita, por exemplo, usaram o recente ataque terrorista em Londres para falar dos perigos da imigração não controlada.” 

A política na Suécia não é tão crispada, partidariamente, como noutros países. As listas de Twitter que Grankvist fez nos EUA “raramente tinham sobreposição, mas ele diz que as ‘bolhas de filtro’ no debate político sueco se dispõem numa escala contínua, um reflexo do modo como o sistema parlamentar do país torna mais realista a construção de coligações”. 

Os monitores de telemóvel apresentados na imagem indicam, à esquerda, os partidos liberais, representados a vermelho e verde; verde e azul representam os partidos do centro; e à direita ficam os mais conservadores, a azul e azul escuro [nos EUA, este contraste entre azul e vermelho tem o significado político inverso]. 

“Com um deslisar do dedo, os utentes podem navegar de uma fonte para a outra, simplificando o processo de lerem de que modo determinado tópico é discutido em diferentes meios políticos.”

 

 

Mais informação no artigo que citamos, em NiemanLab

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Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

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