Quinta-feira, 21 de Março, 2019
Media

Jornalista sueco usa a lógica do “Twitter” para furar a “bolha de filtro”

A expressão “bolha de filtro” foi popularizada nos Estados Unidos para designar o isolamento informativo a que somos confinados quando passamos a depender de redes sociais que nos agrupam entre os que já têm pontos de vista semelhantes aos nossos. Agora, na Suécia, um jornalista e comentador no jornal Sydsvenskan desenvolveu uma ferramenta informática que usa o algoritmo do Twitter para obter o efeito contrário: o de proporcionar ao leitor, num relance, lado a lado, três pontos de vista sobre as questões políticas do momento  - uma mais à esquerda, outra mais ao centro, a outra mais à direita.

A inspiração inicial de Per Grankvist vem do Red Feed, Blue Feed, posto em prática por The Wall Street Journal, e que ele reconhece como “um bom ponto de partida”. Mas Grankvist defende que o facto de usar o algoritmo da plataforma, em vez de decisões humanas de natureza editorial, e ainda o de colocar os tweets dentro do contexto de tópicos políticos específicos, tornam a sua ferramenta mais poderosa. 

O seu projecto seguiu, portanto, o caminho do próprio Twitter na relação com os consumidores, ao oferecer-lhes material baseado nos tópicos e nas pessoas em que eles já estão interessados. Para construir cada “bolha”, o autor criou uma nova conta Twitter e seguiu seis a doze contas sugeridas para figuras centrais de cada uma, tais como dirigentes partidários e secretários. 

Depois foi registando as outras contas sugeridas pelo mesmo Twitter, acrescentando nomes até chegar a um número de cerca de 80 para todas três, cada uma das quais representa a fonte de informação de uma pessoa hipotética (estas listas não incluem meios de comunicação). 

“Cada tweet que entra é analisado pelo conteúdo e colocado, em tempo real, na sua fonte. O Filterbubblan segue os grandes tópicos da política, como a habitação, crime, igualdade, educação e saúde. Como era de esperar, estes tópicos são tratados de modo muito diferente consoante a fonte; os que ficam mais à direita, por exemplo, usaram o recente ataque terrorista em Londres para falar dos perigos da imigração não controlada.” 

A política na Suécia não é tão crispada, partidariamente, como noutros países. As listas de Twitter que Grankvist fez nos EUA “raramente tinham sobreposição, mas ele diz que as ‘bolhas de filtro’ no debate político sueco se dispõem numa escala contínua, um reflexo do modo como o sistema parlamentar do país torna mais realista a construção de coligações”. 

Os monitores de telemóvel apresentados na imagem indicam, à esquerda, os partidos liberais, representados a vermelho e verde; verde e azul representam os partidos do centro; e à direita ficam os mais conservadores, a azul e azul escuro [nos EUA, este contraste entre azul e vermelho tem o significado político inverso]. 

“Com um deslisar do dedo, os utentes podem navegar de uma fonte para a outra, simplificando o processo de lerem de que modo determinado tópico é discutido em diferentes meios políticos.”

 

 

Mais informação no artigo que citamos, em NiemanLab

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Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

Quando há leitores menos interessados na independência do jornal Ver galeria

Mais de 33 mil leitores do jornal espanhol eldiario.es  são assinantes, o que significa que pagam 60 euros por ano para ler os mesmos textos que são lidos de graça por oito milhões de pessoas por mês, sem pagarem um cêntimo.

“Supõe-se que o fazem por convicção, por apoio a um projecto digital que pertence exclusivamente a jornalistas, sem grandes empresas ou bancos entre os accionistas. Sem um grupo mediático por detrás.” (...) “Supõe-se que o fazem porque, graças a esse dinheiro, existe uma plataforma mediática independente que tem orgulho na sua independência e que aposta em conteúdos de qualidade.”

No entanto, quando eldiário.es publicou uma revelação embaraçosa para uma ministra do Governo do PSOE, houve quem suspendesse a assinatura, acusando o jornal de estar “a fazer o jogo da direita”.

O que remete para a pergunta que faz o título do artigo sobre uma entrevista que Ignacio Escolar, fundador e director do jornal referido, fez ao jornalista Iñaki Gabilondo: “E se os leitores não quiserem media livres?”

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Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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