Quinta-feira, 4 de Junho, 2020
Media

Jornalista sueco usa a lógica do “Twitter” para furar a “bolha de filtro”

A expressão “bolha de filtro” foi popularizada nos Estados Unidos para designar o isolamento informativo a que somos confinados quando passamos a depender de redes sociais que nos agrupam entre os que já têm pontos de vista semelhantes aos nossos. Agora, na Suécia, um jornalista e comentador no jornal Sydsvenskan desenvolveu uma ferramenta informática que usa o algoritmo do Twitter para obter o efeito contrário: o de proporcionar ao leitor, num relance, lado a lado, três pontos de vista sobre as questões políticas do momento  - uma mais à esquerda, outra mais ao centro, a outra mais à direita.

A inspiração inicial de Per Grankvist vem do Red Feed, Blue Feed, posto em prática por The Wall Street Journal, e que ele reconhece como “um bom ponto de partida”. Mas Grankvist defende que o facto de usar o algoritmo da plataforma, em vez de decisões humanas de natureza editorial, e ainda o de colocar os tweets dentro do contexto de tópicos políticos específicos, tornam a sua ferramenta mais poderosa. 

O seu projecto seguiu, portanto, o caminho do próprio Twitter na relação com os consumidores, ao oferecer-lhes material baseado nos tópicos e nas pessoas em que eles já estão interessados. Para construir cada “bolha”, o autor criou uma nova conta Twitter e seguiu seis a doze contas sugeridas para figuras centrais de cada uma, tais como dirigentes partidários e secretários. 

Depois foi registando as outras contas sugeridas pelo mesmo Twitter, acrescentando nomes até chegar a um número de cerca de 80 para todas três, cada uma das quais representa a fonte de informação de uma pessoa hipotética (estas listas não incluem meios de comunicação). 

“Cada tweet que entra é analisado pelo conteúdo e colocado, em tempo real, na sua fonte. O Filterbubblan segue os grandes tópicos da política, como a habitação, crime, igualdade, educação e saúde. Como era de esperar, estes tópicos são tratados de modo muito diferente consoante a fonte; os que ficam mais à direita, por exemplo, usaram o recente ataque terrorista em Londres para falar dos perigos da imigração não controlada.” 

A política na Suécia não é tão crispada, partidariamente, como noutros países. As listas de Twitter que Grankvist fez nos EUA “raramente tinham sobreposição, mas ele diz que as ‘bolhas de filtro’ no debate político sueco se dispõem numa escala contínua, um reflexo do modo como o sistema parlamentar do país torna mais realista a construção de coligações”. 

Os monitores de telemóvel apresentados na imagem indicam, à esquerda, os partidos liberais, representados a vermelho e verde; verde e azul representam os partidos do centro; e à direita ficam os mais conservadores, a azul e azul escuro [nos EUA, este contraste entre azul e vermelho tem o significado político inverso]. 

“Com um deslisar do dedo, os utentes podem navegar de uma fonte para a outra, simplificando o processo de lerem de que modo determinado tópico é discutido em diferentes meios políticos.”

 

 

Mais informação no artigo que citamos, em NiemanLab

Connosco
O paradoxo no Brasil entre a ética jornalística e a ética empresarial Ver galeria

Os jornalistas brasileiros estão a ser confrontados com novos obstáculos, impostos à profissão pela Covid-19. É o caso teletrabalho,  que veio alterar, profundamente, o “modus operandi” das redacções e da investigação jornalística. 

Há, contudo, outras questões, ainda mais preocupantes, a serem discutidas por estes profissionais, como é o caso da ética jornalística, reiterou Silvia Meirelles Leite num artigo publicado na revista “objETHOS” e reproduzido no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, enquanto os jornalistas continuam a desempenhar as suas funções e a manter a população informada, as empresas detentoras dos “media” têm de garantir apoios financeiros.

Isto leva a que, não raramente, a televisão pública seja obrigada a suprimir certas peças jornalísticas. Caso contrário, este serviço deixaria de receber financiamento governamental.

A cobertura do coronavírus reforçou a credibilidade jornalística Ver galeria

A pandemia de Covid-19 afectou praticamente todos os sectores da sociedade e influenciou a vida dos cidadãos, um pouco por todo o mundo.

Assim, os jornalistas têm vindo a assumir um papel essencial, mantendo a  população informada sobre os impactos da doença, bem como sobre as suas mutações.

Desta forma, os “media” tradicionais voltaram a merecer a atenção e “lealdade” do público, que deixou de informar-se através das redes sociais que são, tendencialmente, uma plataforma de desinformação,

considerou o jornalista Michel Ribeiro num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Perante a actual crise sanitária, recorda o autor, o jornalismo televisivo conquistou uma audiência significativa e os jornais “online” registaram um tráfego sem precedentes. Da mesma forma, mais consumidores decidiram assinar fontes de informação fidedignas e ouvir rádio para se manterem informados.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas