Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Jornalista sueco usa a lógica do “Twitter” para furar a “bolha de filtro”

A expressão “bolha de filtro” foi popularizada nos Estados Unidos para designar o isolamento informativo a que somos confinados quando passamos a depender de redes sociais que nos agrupam entre os que já têm pontos de vista semelhantes aos nossos. Agora, na Suécia, um jornalista e comentador no jornal Sydsvenskan desenvolveu uma ferramenta informática que usa o algoritmo do Twitter para obter o efeito contrário: o de proporcionar ao leitor, num relance, lado a lado, três pontos de vista sobre as questões políticas do momento  - uma mais à esquerda, outra mais ao centro, a outra mais à direita.

A inspiração inicial de Per Grankvist vem do Red Feed, Blue Feed, posto em prática por The Wall Street Journal, e que ele reconhece como “um bom ponto de partida”. Mas Grankvist defende que o facto de usar o algoritmo da plataforma, em vez de decisões humanas de natureza editorial, e ainda o de colocar os tweets dentro do contexto de tópicos políticos específicos, tornam a sua ferramenta mais poderosa. 

O seu projecto seguiu, portanto, o caminho do próprio Twitter na relação com os consumidores, ao oferecer-lhes material baseado nos tópicos e nas pessoas em que eles já estão interessados. Para construir cada “bolha”, o autor criou uma nova conta Twitter e seguiu seis a doze contas sugeridas para figuras centrais de cada uma, tais como dirigentes partidários e secretários. 

Depois foi registando as outras contas sugeridas pelo mesmo Twitter, acrescentando nomes até chegar a um número de cerca de 80 para todas três, cada uma das quais representa a fonte de informação de uma pessoa hipotética (estas listas não incluem meios de comunicação). 

“Cada tweet que entra é analisado pelo conteúdo e colocado, em tempo real, na sua fonte. O Filterbubblan segue os grandes tópicos da política, como a habitação, crime, igualdade, educação e saúde. Como era de esperar, estes tópicos são tratados de modo muito diferente consoante a fonte; os que ficam mais à direita, por exemplo, usaram o recente ataque terrorista em Londres para falar dos perigos da imigração não controlada.” 

A política na Suécia não é tão crispada, partidariamente, como noutros países. As listas de Twitter que Grankvist fez nos EUA “raramente tinham sobreposição, mas ele diz que as ‘bolhas de filtro’ no debate político sueco se dispõem numa escala contínua, um reflexo do modo como o sistema parlamentar do país torna mais realista a construção de coligações”. 

Os monitores de telemóvel apresentados na imagem indicam, à esquerda, os partidos liberais, representados a vermelho e verde; verde e azul representam os partidos do centro; e à direita ficam os mais conservadores, a azul e azul escuro [nos EUA, este contraste entre azul e vermelho tem o significado político inverso]. 

“Com um deslisar do dedo, os utentes podem navegar de uma fonte para a outra, simplificando o processo de lerem de que modo determinado tópico é discutido em diferentes meios políticos.”

 

 

Mais informação no artigo que citamos, em NiemanLab

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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