Terça-feira, 22 de Agosto, 2017
Media

“Le Monde” adapta o seu site às exigências dos dispositivos móveis

O diário francês Le Monde anuncia, em editorial, uma reformulação do seu site destinado aos dispositivos móveis, com o objectivo de tornar a respectiva consulta mais “rápida, clara e confortável”. O texto, assinado pelo director, Jérôme Fenoglio, resume a história recente do investimento feito no digital, congratulando-se pelo facto de Lemonde.fr  ter sido o primeiro site generalista a ultrapassar, em Janeiro, o número simbólico dos dez milhões de visitantes únicos.

Essa história conta como o jornal procurou acompanhar a grande velocidade de difusão dos novos hábitos de leitura. Aquando da última eleição presidencial, em 2012, pouco menos de 20% dos leitores consultavam Le Monde em aparelhos móveis. Neste mês de Março, o debate entre os cinco principais candidatos e as análises subsequentes foram seguidas “três vezes mais num écran móvel do que num computador”. 

Curiosamente, o editorial sublinha a diferença entre a “leitura confortável” do jornal, quando se fazia no escritório, portanto num computador, e a “leitura mais permanente, e por vezes mais acrobática”, que se faz hoje num smartphone

Repartindo-se os leitores entre os que utilizam a aplicação móvel do Le Monde (com 31 milhões de visitas mensais) e aqueles, cada vez mais numerosos, que aterram no site Internet móvel (com 54 milhões de visitas mensais), onde chegam pelas redes sociais e pelos motores de busca, foi sobre este último que o jornal decidiu começar a remodelação. 

Nestes termos, a prioridade passou a ser a rapidez de acesso e de consumo. O texto insiste na necessidade de tornar a consulta “o mais acessível possível” e, ao mesmo tempo, de “compreensão imediata”. Outro parágrafo sublinha o esforço tecnológico para reduzir o tempo de carregamento das páginas. 

“Esta rapidez e esta clareza são essenciais na hora em que o nosso modelo é sacudido pelos dois gigantes da Internet que são Google e Facebook. É vital que o nosso site seja capaz de mostrar um nível de navegação à altura daquilo que os nossos leitores encontram algures na Web, na hora em que esses dois gigantes afirmam o seu domínio e procuram captar o essencial do mercado publicitário.” (...)

 

O editorial de Jérôme Fenoglio, na íntegra, em Le Monde

Connosco
Como a prometida liberdade em “rede social” nos trouxe à ditadura das notícias falsas Ver galeria

A história de como a Internet, depois de ter prometido dar voz e libertação a todos os marginalizados, desembocou na presente ditadura das fake news em “rede social”, é uma longa teia de ilusões aceitáveis e de equívocos pouco inocentes. O jornalista Marcelo Rech, presidente do Fórum Mundial de Editores, desfia esta narrativa num artigo extenso, mas de leitura indispensável. É melhor percebermos como chegámos até aqui. E, se pudermos, mantendo a atitude que ele escolheu como título  -  “Uma chance para o optimismo”.

Este artigo é o terceiro da série sobre o tema “Da pós-verdade ao risco da pós-imprensa”, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Dois anos de notícias falsas, com duas plataformas chamadas à responsabilidade Ver galeria

A chamada “era de ouro das notícias falsas” não tem mais de dois anos, e está hoje bem documentada, pelo que vale a pena rever a sua história. É este o tema de um artigo do jornalista Nelson de Sá, da Folha de S. Paulo, que descreve o que se passou com o “duopólio” Google-Facebook  -  a sua inicial desvalorização do problema, as tentativas de auto-justificação, as primeiras medidas de controlo e o reconhecimento de que a estrutura de financiamento das grandes plataformas está edificada para premiar o que é “viral”, não o que é verdadeiro.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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