Sexta-feira, 22 de Março, 2019
Media

Jovens exortados a seleccionar o que lêem, para não serem tratados “como ovelhas”

A importância de se tornarem adultos bem informados, com capacidade de crítica e de escolha entre a quantidade de informação disponível, é o tema da IX edição dos ateliers “Fomento da Leitura de Imprensa na Escola”, dirigida aos alunos do ensino secundário da região de Madrid. Na sessão inaugural, Victoria Prego, Presidente da Asociación de la Prensa de Madrid, exortou os jovens a abordarem os media “com prevenção” e espírito crítico, “para que no futuro não os tratem, como é tendência e tentação dos poderes, como [rebanho de] ovelhas”.

É essa quantidade incessante de informação que torna indispensável o exercício crítico de uma “selecção entre o que é valioso e o que não é”, sublinhou Victoria Prego. Para ficarem bem informados, precisam de “desenvolver ferramentas de selecção que os convertam em adultos livres, autónomos e senhores do seu destino”. 

Os ateliers “Fomento da Leitura de Imprensa na Escola” são um projecto educativo organizado pela Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -  e a Obra Social La Caixa.


Para o responsável de Comunicação desta entidade bancária, García Fermosel, “é de importância vital contar com meios de comunicação fortes e independentes, que possam garantir uma Informação de qualidade rigorosa e verdadeira, mas não é menos importante contar com uma cidadania formada, que saiba contumir esta Informação de forma responsável e com juízo crítico”.

Alfonso Sánchez, da direcção da APM, responsável por estes ateliers, recordou que a iniciativa chegou, em 2016, a 30 escolas da região de Madrid e a mais de 1800 alunos, com idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos.

No total das suas oito edições já realizadas, este programa chegou a mais de onze mil alunos e a 54 centros educativos do ensino secundário obrigatório.

 

 

Mais informação no site da  APM, a que pertencem as imagens utilizadas

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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