Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

Regulação e transparência como grandes questões éticas do jornalismo

O debate sobre o estado do jornalismo tem sido muito ocupado com as consequências da revolução digital e, mais recentemente, com a questão da verdade e da mentira organizada. Mas os temas que mais interessaram os participantes na IV Conferência Internacional sobre Ética nos Media, em Sevilha, foram outros: a importância de uma regulação rigorosa dos próprios meios de comunicação e a sua abertura a uma atitude de transparência perante o público que o sustenta.

Segundo o Comentário da Semana de ObjEthos, que aqui citamos, os jornalistas e docentes de dez países participantes concentraram-se principalmente sobre estas duas questões, dando espaço a uma avaliação comparada entre o caso espanhol e o do Brasil.

 

"Na Espanha, os jornalistas se organizam em sindicatos, colégios profissionais e associações de imprensa. Há ainda os conselhos audiovisuais nas províncias autónomas. A existência de actores tão parecidos mas com funções ligeiramente distintas causa disputas sobre quem deve normatizar a ética jornalística no país."

"Sindicatos tratam de negociar salários e fechar acordos colectivos. Associações têm carácter mais privado, reunindo profissionais por empresa, praticamente, e avançam no terreno da deontologia. Conselhos de audiovisual tratam de conteúdos veiculados que extrapolam o jornalístico, e os colégios profissionais  – herança do regime franquista mas ainda caro à profissão  -, perde terreno para seus vizinhos mais modernos. ‘Penso que isso deve caber aos colégios de jornalistas, mas precisaríamos uniformizar as regras. Vejam que sequer temos um código de ética unificado no país’, criticou a Prof. Elena Real Rodríguez, da Universidade Complutense de Madrid, na conferência de abertura."

 

No Brasil, segundo o autor do relato de ObjEthos, “há menos peças no tabuleiro e, portanto, menos confusão. Isso não significa que tenhamos um sistema de autorregulação melhor que o espanhol. A inexistência dos conselhos de audiovisual permite não apenas a veiculação de conteúdos de baixa qualidade e duvidoso gosto, mas também o total desrespeito a muitos direitos humanos”. (...)

“Historicamente, os sindicatos brasileiros, através da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), assumiram as rédeas da ética profissional. Há um código deontológico unificado, e comissões locais e uma nacional, que funciona como segunda instância. No entanto, o código tem fragilidades  – como a inaplicação prática da cláusula de consciência –  e as comissões de ética recebem poucas queixas por conta da limitação nas sanções previstas. Os colegas espanhóis se digladiam em torno de quem aplicará as regras e quais normas devem prevalecer. Nós tropeçamos em questões mais concretas: como fazer o sistema funcionar com os instrumentos que temos?”

 

A concluir, afirma o relator de ObjEthos:

 

“O contrário da transparência é a opacidade, a ocultação de processos e acções. E ela só faz proliferar desconfiança e distanciamento. No momento actual, em que o jornalismo luta para se manter útil e relevante para a sociedade, abrir mão da confiança e da proximidade de quem o sustenta financeira e socialmente é o maior dos erros.”

 

 
Mais informação em ObjEthos e no site do Congresso

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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