Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Regulação e transparência como grandes questões éticas do jornalismo

O debate sobre o estado do jornalismo tem sido muito ocupado com as consequências da revolução digital e, mais recentemente, com a questão da verdade e da mentira organizada. Mas os temas que mais interessaram os participantes na IV Conferência Internacional sobre Ética nos Media, em Sevilha, foram outros: a importância de uma regulação rigorosa dos próprios meios de comunicação e a sua abertura a uma atitude de transparência perante o público que o sustenta.

Segundo o Comentário da Semana de ObjEthos, que aqui citamos, os jornalistas e docentes de dez países participantes concentraram-se principalmente sobre estas duas questões, dando espaço a uma avaliação comparada entre o caso espanhol e o do Brasil.

 

"Na Espanha, os jornalistas se organizam em sindicatos, colégios profissionais e associações de imprensa. Há ainda os conselhos audiovisuais nas províncias autónomas. A existência de actores tão parecidos mas com funções ligeiramente distintas causa disputas sobre quem deve normatizar a ética jornalística no país."

"Sindicatos tratam de negociar salários e fechar acordos colectivos. Associações têm carácter mais privado, reunindo profissionais por empresa, praticamente, e avançam no terreno da deontologia. Conselhos de audiovisual tratam de conteúdos veiculados que extrapolam o jornalístico, e os colégios profissionais  – herança do regime franquista mas ainda caro à profissão  -, perde terreno para seus vizinhos mais modernos. ‘Penso que isso deve caber aos colégios de jornalistas, mas precisaríamos uniformizar as regras. Vejam que sequer temos um código de ética unificado no país’, criticou a Prof. Elena Real Rodríguez, da Universidade Complutense de Madrid, na conferência de abertura."

 

No Brasil, segundo o autor do relato de ObjEthos, “há menos peças no tabuleiro e, portanto, menos confusão. Isso não significa que tenhamos um sistema de autorregulação melhor que o espanhol. A inexistência dos conselhos de audiovisual permite não apenas a veiculação de conteúdos de baixa qualidade e duvidoso gosto, mas também o total desrespeito a muitos direitos humanos”. (...)

“Historicamente, os sindicatos brasileiros, através da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), assumiram as rédeas da ética profissional. Há um código deontológico unificado, e comissões locais e uma nacional, que funciona como segunda instância. No entanto, o código tem fragilidades  – como a inaplicação prática da cláusula de consciência –  e as comissões de ética recebem poucas queixas por conta da limitação nas sanções previstas. Os colegas espanhóis se digladiam em torno de quem aplicará as regras e quais normas devem prevalecer. Nós tropeçamos em questões mais concretas: como fazer o sistema funcionar com os instrumentos que temos?”

 

A concluir, afirma o relator de ObjEthos:

 

“O contrário da transparência é a opacidade, a ocultação de processos e acções. E ela só faz proliferar desconfiança e distanciamento. No momento actual, em que o jornalismo luta para se manter útil e relevante para a sociedade, abrir mão da confiança e da proximidade de quem o sustenta financeira e socialmente é o maior dos erros.”

 

 
Mais informação em ObjEthos e no site do Congresso

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
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