Quarta-feira, 16 de Agosto, 2017
Media

Regulação e transparência como grandes questões éticas do jornalismo

O debate sobre o estado do jornalismo tem sido muito ocupado com as consequências da revolução digital e, mais recentemente, com a questão da verdade e da mentira organizada. Mas os temas que mais interessaram os participantes na IV Conferência Internacional sobre Ética nos Media, em Sevilha, foram outros: a importância de uma regulação rigorosa dos próprios meios de comunicação e a sua abertura a uma atitude de transparência perante o público que o sustenta.

Segundo o Comentário da Semana de ObjEthos, que aqui citamos, os jornalistas e docentes de dez países participantes concentraram-se principalmente sobre estas duas questões, dando espaço a uma avaliação comparada entre o caso espanhol e o do Brasil.

 

"Na Espanha, os jornalistas se organizam em sindicatos, colégios profissionais e associações de imprensa. Há ainda os conselhos audiovisuais nas províncias autónomas. A existência de actores tão parecidos mas com funções ligeiramente distintas causa disputas sobre quem deve normatizar a ética jornalística no país."

"Sindicatos tratam de negociar salários e fechar acordos colectivos. Associações têm carácter mais privado, reunindo profissionais por empresa, praticamente, e avançam no terreno da deontologia. Conselhos de audiovisual tratam de conteúdos veiculados que extrapolam o jornalístico, e os colégios profissionais  – herança do regime franquista mas ainda caro à profissão  -, perde terreno para seus vizinhos mais modernos. ‘Penso que isso deve caber aos colégios de jornalistas, mas precisaríamos uniformizar as regras. Vejam que sequer temos um código de ética unificado no país’, criticou a Prof. Elena Real Rodríguez, da Universidade Complutense de Madrid, na conferência de abertura."

 

No Brasil, segundo o autor do relato de ObjEthos, “há menos peças no tabuleiro e, portanto, menos confusão. Isso não significa que tenhamos um sistema de autorregulação melhor que o espanhol. A inexistência dos conselhos de audiovisual permite não apenas a veiculação de conteúdos de baixa qualidade e duvidoso gosto, mas também o total desrespeito a muitos direitos humanos”. (...)

“Historicamente, os sindicatos brasileiros, através da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), assumiram as rédeas da ética profissional. Há um código deontológico unificado, e comissões locais e uma nacional, que funciona como segunda instância. No entanto, o código tem fragilidades  – como a inaplicação prática da cláusula de consciência –  e as comissões de ética recebem poucas queixas por conta da limitação nas sanções previstas. Os colegas espanhóis se digladiam em torno de quem aplicará as regras e quais normas devem prevalecer. Nós tropeçamos em questões mais concretas: como fazer o sistema funcionar com os instrumentos que temos?”

 

A concluir, afirma o relator de ObjEthos:

 

“O contrário da transparência é a opacidade, a ocultação de processos e acções. E ela só faz proliferar desconfiança e distanciamento. No momento actual, em que o jornalismo luta para se manter útil e relevante para a sociedade, abrir mão da confiança e da proximidade de quem o sustenta financeira e socialmente é o maior dos erros.”

 

 
Mais informação em ObjEthos e no site do Congresso

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O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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