Sexta-feira, 22 de Março, 2019
Media

Complementaridade entre Imprensa física e digital proposta pela Presstalis

A revolução digital caminha no sentido da “desmaterialização” do texto impresso, que lemos agora em “páginas” que se acendem e apagam. Significa isto uma “guerra dos mundos” com desfecho de uma substituição do físico pelo virtual? Anne-Marie Couderc, Presidente de Presstalis, a grande distribuidora de Imprensa em França, entende que não, e propõe uma complementaridade, com modernização dos postos de venda, que devem ser “atraentes” e espaços de convívio pessoal.

O debate sobre estas questões parece interminável, para muitos, e inútil para outros. O desaparecimento do jornal em papel estaria já definido pelas leis da História como inevitável. Mas o comunicado da Presstalis  - anunciando o livro acabado de sair, de Anne-Marie Couderc -  diz que, embora os editores de Imprensa procurem “novos modelos económicos, tendo em conta os movimentos da nossa sociedade”, a verdade é que “a Imprensa em papel continua a ser uma realidade e proporciona aos mesmos editores o essencial dos seus recursos, em matéria de vendas”.

 

Intitulado “O Melhor dos dois Mundos – virtual e físico ao serviço da proximidade”, o livro é uma reflexão sobre uma causa que a autora não considera perdida nem derrotada, propondo antes um acordo de complementaridade, que Anne-Marie Couderc entende que tem futuro. A sua aposta parte da ideia de que a revolução digital, finalmente, reforça a nossa necessidade de proximidade.

 

Como diz uma rescenção do texto, “se o digital é uma ferramenta, a relação humana, fundada no contacto físico, é antes uma necessidade, um dado universal, uma das alavancas do comércio e da qualidade de vida”.

 

Mesmo os números não chegam para desvalorizar esta descrição como utópica. Anne-Marie Couderc explica que, “mesmo estando a baixar, a Imprensa física representa ainda uma realidade muito poderosa. Todos os dias, dez milhões de pessoas vão aos quiosques. E todos os anos 2,6 biliões de exemplares saem dos vendedores de jornais. É preciso fazer deles locais de vida e de convívio”. (...)

 

A Presstalis distribui todos os anos quatro mil títulos franceses e estrangeiros em 25 mil postos de venda espalhados por todo o território. O grupo assegura, igualmente, a exportação da Imprensa francesa para uma centena de países e a distribuição dos principais títulos da Imprensa estrangeira em França.

 

 

Mais informação na Presstalis e em Le Figaro, cuja entrevista com Anne-Marie Couderc pode ser escutada, em francês, neste vídeo

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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