Quarta-feira, 16 de Agosto, 2017
Media

Complementaridade entre Imprensa física e digital proposta pela Presstalis

A revolução digital caminha no sentido da “desmaterialização” do texto impresso, que lemos agora em “páginas” que se acendem e apagam. Significa isto uma “guerra dos mundos” com desfecho de uma substituição do físico pelo virtual? Anne-Marie Couderc, Presidente de Presstalis, a grande distribuidora de Imprensa em França, entende que não, e propõe uma complementaridade, com modernização dos postos de venda, que devem ser “atraentes” e espaços de convívio pessoal.

O debate sobre estas questões parece interminável, para muitos, e inútil para outros. O desaparecimento do jornal em papel estaria já definido pelas leis da História como inevitável. Mas o comunicado da Presstalis  - anunciando o livro acabado de sair, de Anne-Marie Couderc -  diz que, embora os editores de Imprensa procurem “novos modelos económicos, tendo em conta os movimentos da nossa sociedade”, a verdade é que “a Imprensa em papel continua a ser uma realidade e proporciona aos mesmos editores o essencial dos seus recursos, em matéria de vendas”.

 

Intitulado “O Melhor dos dois Mundos – virtual e físico ao serviço da proximidade”, o livro é uma reflexão sobre uma causa que a autora não considera perdida nem derrotada, propondo antes um acordo de complementaridade, que Anne-Marie Couderc entende que tem futuro. A sua aposta parte da ideia de que a revolução digital, finalmente, reforça a nossa necessidade de proximidade.

 

Como diz uma rescenção do texto, “se o digital é uma ferramenta, a relação humana, fundada no contacto físico, é antes uma necessidade, um dado universal, uma das alavancas do comércio e da qualidade de vida”.

 

Mesmo os números não chegam para desvalorizar esta descrição como utópica. Anne-Marie Couderc explica que, “mesmo estando a baixar, a Imprensa física representa ainda uma realidade muito poderosa. Todos os dias, dez milhões de pessoas vão aos quiosques. E todos os anos 2,6 biliões de exemplares saem dos vendedores de jornais. É preciso fazer deles locais de vida e de convívio”. (...)

 

A Presstalis distribui todos os anos quatro mil títulos franceses e estrangeiros em 25 mil postos de venda espalhados por todo o território. O grupo assegura, igualmente, a exportação da Imprensa francesa para uma centena de países e a distribuição dos principais títulos da Imprensa estrangeira em França.

 

 

Mais informação na Presstalis e em Le Figaro, cuja entrevista com Anne-Marie Couderc pode ser escutada, em francês, neste vídeo

Connosco
Modos de combater a vigilância electrónica sobre jornalistas e as suas fontes Ver galeria

Jornalistas que tenham de trabalhar em ambientes autoritários tendem a ser alvo de vigilância electrónica. Muitos acabam por se adaptar e aceitá-la como um risco indesejado, mas inevitável na sua profissão. Ou podem tentar combatê-la. “Afinal de contas, ela ameaça a sua segurança, bem como das suas fontes, e constitui um ataque à liberdade de Imprensa e de expressão.” A reflexão é do jornalista mexicano Jorge Luis Sierra, perito em segurança digital, que adianta alguns conselhos práticos para casos destes. 

A avalancha da Internet atropelou a nossa capacidade de lidar com tantos dados Ver galeria

A grande revolução nas rotinas e normas do jornalismo foi-nos imposta, não pelo computador, mas pela Internet, quando “a avalancha informativa e as redes sociais virtuais atropelaram a capacidade das redacções processarem informações; (...) o volume cresceu em tal magnitude que se tornaram incapazes de lidar com tantos dados, factos e eventos”.

A “curadoria de notícias”, que parecia inerente ao trabalho de qualquer jornalista, tornou-se mais necessária do que nunca, mas, “como actividade lucrativa, só funciona em nichos especializados de informação”. É esta a reflexão de Carlos Castilho, ex-assessor da União Europeia para projectos de comunicação na América Central e membro da direcção do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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Opinião
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