Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Agrava-se no Parlamento Europeu a polémica sobre direitos de autor

O debate sobre a adaptação dos direitos de autor ao mundo digital, em curso no Parlamento Europeu, entrou de novo em terreno polémico com a apresentação de um projecto em que os "direitos conexos" são substituídos pela "presunção de representação dos autores de obras literárias contidas nestas publicações". Fica em causa a remuneração dos editores e agências de Imprensa pelos motores de busca como Google, "que recolhem lucro de numerosos conteúdos sem terem o encargo de os produzir".

O Parlamento Europeu chamou a si o projecto de reforma dos direitos de autor, no seguimento de um debate, no princípio de 2017, em que foram avaliadas várias propostas, mas o projecto agora apresentado pela eurodeputada Therese Comodini Cachia, porta-voz do PPE nesta matéria, deixa cair os referidos "direitos conexos, afins ou vizinhos" já propostos. 

No conflito de interpretações sobre quem sai prejudicado, Therese Comodini entende que não são necessariamente os editores. Aliás, conforme notícia em Media-tics, já havia afirmado, no Parlamento Europeu, "que a sua prioridade era facilitar o acesso dos utentes aos conteúdos, o qual ficaria limitado com o reconhecimento dos ‘direitos conexos’." 

Le Figaro informa que a Aliança Europeia das Agências de Imprensa (EANA) reagiu vivamente, recordando que "os motores de busca tornaram-se bancos de dados, recolhendo lucro de um conteúdo que não criaram nem financiaram. É portanto crucial que os direitos vizinhos (…)  sejam criados para melhor proteger os conteúdos das agências de Imprensa e dos editores de conteúdo".

Quatro organizações europeias de editores de Imprensa defendem igualmente, em comunicado, o direito vizinho, que "responderia aos maiores desafios dos editores, que procuram financiar uma Imprensa independente e um jornalismo profissional face ao roubo generalizado dos seus conteúdos digitais".   

 

 

Mais informação em Le Figaro e Media-tics, e o projecto agora apresentado

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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