Sexta-feira, 25 de Maio, 2018
Media

Jornais procuram interagir com os comentários dos leitores

Os comentários dos leitores, usados como forma de abrir os jornais à participação do público, continuam a pôr problemas às redacções. A má qualidade de muitos deles, incluindo a grosseria e o discurso de ódio, desafiam a eficácia das práticas de moderação tentadas. Mas há estudos recentes sobre abordagens alternativas, revelando que as atitudes estão a mudar. Esta reflexão é de Marisa Torres da Silva, professora associada na FCSH da Universidade Nova de Lisboa, publicada no European Journalism Observatory.

Segundo a autora, os jornais online “exploraram diferentes opções de moderação por tentativa e erro, incluindo algumas alternativas radicais, como a de abandonar os comentários às notícias e/ou a de movê-los para o Facebook-commenting”. 

Quando decidiram mantê-los, seguiram diversas abordagens: a ‘vigilante’ (onde os jornalistas fazem a “pré-moderação” ou avaliam cada comentário antes de ser publicado; a ‘frouxa’ (onde os jornalistas só intervêm no caso de queixas dos utentes); ou uma mais ‘descentralizada/mista’, que corresponde a uma moderação colaborativa, incluindo os utentes neste processo. 

Marisa Torres da Silva cita então o exemplo de três estudos sobre esta matéria: 

O de dois investigadores na Escola de Jornalismo da Universidade do Texas, que entrevistaram 34 jornalistas sobre a sua opinião a respeito dos comentários de leitores. O seu trabalho, Normalizing online comments, revela que os jornalistas estão a ficar mais confortáveis com esta prática “e frequentemente interagem com os comentadores, para promover discussões deliberativas ou para estancar a incivilidade”. 

Mas alguns não sentem tão à-vontade, pelo receio de estarem a violar “a regra jornalística da objectividade”, tornando-se uma espécie de “polícias” do Facebook. 

O segundo estudo, de dois investigadores na Universidade Gutenberg, na Alemanha, centrou-se sobre a prática da moderação jornalística interactiva. O que descobriram “sugere que a presença de um jornalista como moderador na secção de comentários não é suficiente para suscitar um debate mais construtivo”. 

Mas a sua atitude tem efeito: sempre que o próprio jornal usava de sarcasmo ao expôr o comportamento de um comentador como inadequado, a situação piorava; mas quando respondia de modo factual e polido a comentadores indelicados, obtinha-se melhor atmosfera de debate deliberativo. 

O terceiro estudo, da própria autora, debruça-se sobre o caso português, concretamente sobre a experiência do Público, que adoptou em 2012 uma prática de moderação colaborativa (onde utentes fazem a moderação de outros utentes). 

“Dependendo dos pontos que foram ganhando ou perdendo, os utentes foram classificados como ‘principiantes’, ‘influentes’, ‘experientes’ e por fim ‘moderadores’, partilhando a função de moderação com o seu responsável no jornal.” 

Marisa Torres da Silva estudou detalhadamente a lista de comentários a uma notícia publicada tanto na edição impressa como na digital de 16 de Fevereiro de 2013. A sua análise dos 90 comentários válidos publicados revelou que a maioria dos leitores discutia os aspectos negativos dos comentários  - a agressividade, a violação das normas de publicação ou a baixa qualidade dos textos. 

Os leitores que tinham acumulado pontos suficientes para se tornarem eles mesmos “moderadores” eram encarados com suspeita. Alguns leitores descreveram o seu comportamento como “arrogante” e criticaram-nos por juízos arbitrários, ou chegaram mesmo a acusá-los de “censura”. 


O artigo original, na língua inglesa, no site do EJO

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A opinião pública é hoje atingida pelo “maior caudal informativo da História”, mas esta informação chega aos cidadãos “cheia de verdades e mentiras, de realidade e ficção, de razões e emoções, muitas vezes parcial e sem contexto”. Um relativismo crescente provoca “que se confunda o verosímil com o verdadeiro, sem qualquer verificação”; e “dilui as fronteiras entre a verdade e a mentira, reduzindo a zero o valor moral da primeira e a recusa da segunda”.

Por estes motivos, “o jornalismo do futuro, sem o qual não podemos imaginar uma sociedade aberta com cidadãos livres, enfrenta agora o desafio de restaurar o valor e o mérito da verdade”. É esta a reflexão estruturante de um trabalho do jornalista Fernando González Urbaneja, na 35ª edição da revista Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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O exercício de cargos de governo “é uma missão de serviço público” e, portanto, de “representação de escolhas colectivas”, as quais devem ser feitas entre opções bem clarificadas perante a sociedade. Porque “há sempre alternativas”. Mas é também verdade que a alternativa pode significar opções de “regresso a algo por que Portugal já passou”, sabendo que “os riscos estão sempre presentes”. Foi esta a linha de discurso de Mário Centeno, Ministro das Finanças, orador convidado no jantar-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

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Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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