Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
Media

Jornais procuram interagir com os comentários dos leitores

Os comentários dos leitores, usados como forma de abrir os jornais à participação do público, continuam a pôr problemas às redacções. A má qualidade de muitos deles, incluindo a grosseria e o discurso de ódio, desafiam a eficácia das práticas de moderação tentadas. Mas há estudos recentes sobre abordagens alternativas, revelando que as atitudes estão a mudar. Esta reflexão é de Marisa Torres da Silva, professora associada na FCSH da Universidade Nova de Lisboa, publicada no European Journalism Observatory.

Segundo a autora, os jornais online “exploraram diferentes opções de moderação por tentativa e erro, incluindo algumas alternativas radicais, como a de abandonar os comentários às notícias e/ou a de movê-los para o Facebook-commenting”. 

Quando decidiram mantê-los, seguiram diversas abordagens: a ‘vigilante’ (onde os jornalistas fazem a “pré-moderação” ou avaliam cada comentário antes de ser publicado; a ‘frouxa’ (onde os jornalistas só intervêm no caso de queixas dos utentes); ou uma mais ‘descentralizada/mista’, que corresponde a uma moderação colaborativa, incluindo os utentes neste processo. 

Marisa Torres da Silva cita então o exemplo de três estudos sobre esta matéria: 

O de dois investigadores na Escola de Jornalismo da Universidade do Texas, que entrevistaram 34 jornalistas sobre a sua opinião a respeito dos comentários de leitores. O seu trabalho, Normalizing online comments, revela que os jornalistas estão a ficar mais confortáveis com esta prática “e frequentemente interagem com os comentadores, para promover discussões deliberativas ou para estancar a incivilidade”. 

Mas alguns não sentem tão à-vontade, pelo receio de estarem a violar “a regra jornalística da objectividade”, tornando-se uma espécie de “polícias” do Facebook. 

O segundo estudo, de dois investigadores na Universidade Gutenberg, na Alemanha, centrou-se sobre a prática da moderação jornalística interactiva. O que descobriram “sugere que a presença de um jornalista como moderador na secção de comentários não é suficiente para suscitar um debate mais construtivo”. 

Mas a sua atitude tem efeito: sempre que o próprio jornal usava de sarcasmo ao expôr o comportamento de um comentador como inadequado, a situação piorava; mas quando respondia de modo factual e polido a comentadores indelicados, obtinha-se melhor atmosfera de debate deliberativo. 

O terceiro estudo, da própria autora, debruça-se sobre o caso português, concretamente sobre a experiência do Público, que adoptou em 2012 uma prática de moderação colaborativa (onde utentes fazem a moderação de outros utentes). 

“Dependendo dos pontos que foram ganhando ou perdendo, os utentes foram classificados como ‘principiantes’, ‘influentes’, ‘experientes’ e por fim ‘moderadores’, partilhando a função de moderação com o seu responsável no jornal.” 

Marisa Torres da Silva estudou detalhadamente a lista de comentários a uma notícia publicada tanto na edição impressa como na digital de 16 de Fevereiro de 2013. A sua análise dos 90 comentários válidos publicados revelou que a maioria dos leitores discutia os aspectos negativos dos comentários  - a agressividade, a violação das normas de publicação ou a baixa qualidade dos textos. 

Os leitores que tinham acumulado pontos suficientes para se tornarem eles mesmos “moderadores” eram encarados com suspeita. Alguns leitores descreveram o seu comportamento como “arrogante” e criticaram-nos por juízos arbitrários, ou chegaram mesmo a acusá-los de “censura”. 


O artigo original, na língua inglesa, no site do EJO

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