Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

O futuro da imprensa local passa por jornalismo personalizado

Afinal não está completamente perdido o jornalismo tradicional. Num mundo cada vez mais globalizado, leitores e anunciantes voltam a interessar-se pelas edições locais.

Já há novas impressoras que permitem imprimir jornais “à medida” e alguns periódicos locais que as utilizam, estão, por isso, a aumentar audiências.

Durante a 10 ª edição do Salón de Paris, dedicado à inovação no mundo da imprensa, foram apresentadas algumas novidades que representam a chave do futuro para esta indústria.

Há cerca de um ano, na pequena localidade francesa Avesnes-sur-Helpe, começou a funcionar a primeira impressora de dados variáveis do mundo, que permite realizar a mesma tiragem de  exemplares, com conteúdos diferentes entre si. 

Todos ficam a ganhar com esta evolução : o anunciante que beneficia de uma técnica própria no mundo digital , que é a geofocalização, e graças à qual pode fazer campanhas exclusivas para os consumidores que vivam nos arredores do seu negócio.

 

Por seu lado, o leitor pode optar,por exemplo, por quatro modelos do jornal L’Observateur , com conteúdos e secções que se adaptam aos seus gostos individuais.

 

O jornal do futuro terá menos páginas, mas todas serão uteis para o leitor. Terá impresso o nome do assinante e os anúncios serão dirigidos às suas preferências. Pode, ainda, dar-nos os parabéns ou recordar que um prazo está a acabar.

 

Ou seja, um jornal pode aproveitar os dados que obtém sobre os utilizadores do digital, para personalizar a sua edição no papel.

 

Um exemplo do sucesso dos periódicos hiperlocais é o britânico Your Local Paper. Este semanário, gratuito e independente, aumentou a sua tiragem de 23 para 24 mil exemplares para satisfazer a crescente procura dos leitores. E, apesar da tendência ser para reduzir o numero de páginas impressas, o YLP passou, recentemente, das 48 páginas iniciais para as 104.

 

Uma das estratégias foi a de dar prioridade a impressão. A edição online só está disponível um dia depois de ser distribuída a edição impressa.

 

O dono do jornal, Alan Taylo, assegura que os seus leitores gostam do formato do papel, que é cosido para ser de mais fácil manuseio, e valorizam os conteúdos hiperlocais que consideram bem escritos. Desta forma, tornou-se num dos poucos títulos que ainda crescem no Reino Unido.

 

Enquanto o The New York Times e o The Washington Post  querem converter-se em jornais cada vez mais globais, o futuro para os títulos pequenos está em personalizar publicidade e conteúdos.  Porque nem sempre os anunciantes querem chegar a grandes massas, mas sim ao cliente real. E este estará interessado em saber o que aconteceu no outro lado do mundo, mas mais ainda em ser informado sobre aconteceu à sua porta ou no seu bairro. 

Connosco
Bettany Hugues defendeu a importância da memória na construção do futuro e da paz Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Para Alberto Dines, “o jornalismo era o próprio sentido da vida” Ver galeria

Cada história é uma vida, e algumas delas são muito especiais. “Alberto Dines foi autor e protagonista de uma dessas trajectórias incomuns: um intelectual visceral, que usou a sua inteligência e lucidez não para disputar uma partida, mas para mudar o jogo.” Sob o título “Uma vida sem ponto final”, um dos seus numerosos discípulos, Bruno Thys, evoca com a saudade de uma relação muito pessoal o percurso e obra de Alberto Dines, falecido em São Paulo em Maio deste ano.

O autor do texto que citamos valoriza uma parte da biografia menos mencionada de Alberto Dines, a que o coloca numa linhagem de judeus emigrados de uma Europa em várias convulsões:

“Dines tornou-se uma das mais cintilantes estrelas de sua geração, a primeira de judeus nascidos no Brasil. (...) Da geração de seus pais, herdou a cultura ancestral. Dines tinha sólida formação humanística e as suas raízes remontam à Haskalá, o iluminismo judaico que floresceu na Europa Ocidental nos séculos XVIII e XIX. Este movimento pregava a interacção da sabedoria judaica com a cultura europeia e produziu nomes como Einstein, Freud, Herzel e Stefan Zweig, o grande biógrafo austríaco, que, muitos anos depois, seria biografado por Dines.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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