Terça-feira, 22 de Agosto, 2017
Media

O futuro da imprensa local passa por jornalismo personalizado

Afinal não está completamente perdido o jornalismo tradicional. Num mundo cada vez mais globalizado, leitores e anunciantes voltam a interessar-se pelas edições locais.

Já há novas impressoras que permitem imprimir jornais “à medida” e alguns periódicos locais que as utilizam, estão, por isso, a aumentar audiências.

Durante a 10 ª edição do Salón de Paris, dedicado à inovação no mundo da imprensa, foram apresentadas algumas novidades que representam a chave do futuro para esta indústria.

Há cerca de um ano, na pequena localidade francesa Avesnes-sur-Helpe, começou a funcionar a primeira impressora de dados variáveis do mundo, que permite realizar a mesma tiragem de  exemplares, com conteúdos diferentes entre si. 

Todos ficam a ganhar com esta evolução : o anunciante que beneficia de uma técnica própria no mundo digital , que é a geofocalização, e graças à qual pode fazer campanhas exclusivas para os consumidores que vivam nos arredores do seu negócio.

 

Por seu lado, o leitor pode optar,por exemplo, por quatro modelos do jornal L’Observateur , com conteúdos e secções que se adaptam aos seus gostos individuais.

 

O jornal do futuro terá menos páginas, mas todas serão uteis para o leitor. Terá impresso o nome do assinante e os anúncios serão dirigidos às suas preferências. Pode, ainda, dar-nos os parabéns ou recordar que um prazo está a acabar.

 

Ou seja, um jornal pode aproveitar os dados que obtém sobre os utilizadores do digital, para personalizar a sua edição no papel.

 

Um exemplo do sucesso dos periódicos hiperlocais é o britânico Your Local Paper. Este semanário, gratuito e independente, aumentou a sua tiragem de 23 para 24 mil exemplares para satisfazer a crescente procura dos leitores. E, apesar da tendência ser para reduzir o numero de páginas impressas, o YLP passou, recentemente, das 48 páginas iniciais para as 104.

 

Uma das estratégias foi a de dar prioridade a impressão. A edição online só está disponível um dia depois de ser distribuída a edição impressa.

 

O dono do jornal, Alan Taylo, assegura que os seus leitores gostam do formato do papel, que é cosido para ser de mais fácil manuseio, e valorizam os conteúdos hiperlocais que consideram bem escritos. Desta forma, tornou-se num dos poucos títulos que ainda crescem no Reino Unido.

 

Enquanto o The New York Times e o The Washington Post  querem converter-se em jornais cada vez mais globais, o futuro para os títulos pequenos está em personalizar publicidade e conteúdos.  Porque nem sempre os anunciantes querem chegar a grandes massas, mas sim ao cliente real. E este estará interessado em saber o que aconteceu no outro lado do mundo, mas mais ainda em ser informado sobre aconteceu à sua porta ou no seu bairro. 

Connosco
Como a prometida liberdade em “rede social” nos trouxe à ditadura das notícias falsas Ver galeria

A história de como a Internet, depois de ter prometido dar voz e libertação a todos os marginalizados, desembocou na presente ditadura das fake news em “rede social”, é uma longa teia de ilusões aceitáveis e de equívocos pouco inocentes. O jornalista Marcelo Rech, presidente do Fórum Mundial de Editores, desfia esta narrativa num artigo extenso, mas de leitura indispensável. É melhor percebermos como chegámos até aqui. E, se pudermos, mantendo a atitude que ele escolheu como título  -  “Uma chance para o optimismo”.

Este artigo é o terceiro da série sobre o tema “Da pós-verdade ao risco da pós-imprensa”, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Dois anos de notícias falsas, com duas plataformas chamadas à responsabilidade Ver galeria

A chamada “era de ouro das notícias falsas” não tem mais de dois anos, e está hoje bem documentada, pelo que vale a pena rever a sua história. É este o tema de um artigo do jornalista Nelson de Sá, da Folha de S. Paulo, que descreve o que se passou com o “duopólio” Google-Facebook  -  a sua inicial desvalorização do problema, as tentativas de auto-justificação, as primeiras medidas de controlo e o reconhecimento de que a estrutura de financiamento das grandes plataformas está edificada para premiar o que é “viral”, não o que é verdadeiro.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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Opinião
Ser Jornalista
Dinis de Abreu

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