Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

O futuro da imprensa local passa por jornalismo personalizado

Afinal não está completamente perdido o jornalismo tradicional. Num mundo cada vez mais globalizado, leitores e anunciantes voltam a interessar-se pelas edições locais.

Já há novas impressoras que permitem imprimir jornais “à medida” e alguns periódicos locais que as utilizam, estão, por isso, a aumentar audiências.

Durante a 10 ª edição do Salón de Paris, dedicado à inovação no mundo da imprensa, foram apresentadas algumas novidades que representam a chave do futuro para esta indústria.

Há cerca de um ano, na pequena localidade francesa Avesnes-sur-Helpe, começou a funcionar a primeira impressora de dados variáveis do mundo, que permite realizar a mesma tiragem de  exemplares, com conteúdos diferentes entre si. 

Todos ficam a ganhar com esta evolução : o anunciante que beneficia de uma técnica própria no mundo digital , que é a geofocalização, e graças à qual pode fazer campanhas exclusivas para os consumidores que vivam nos arredores do seu negócio.

 

Por seu lado, o leitor pode optar,por exemplo, por quatro modelos do jornal L’Observateur , com conteúdos e secções que se adaptam aos seus gostos individuais.

 

O jornal do futuro terá menos páginas, mas todas serão uteis para o leitor. Terá impresso o nome do assinante e os anúncios serão dirigidos às suas preferências. Pode, ainda, dar-nos os parabéns ou recordar que um prazo está a acabar.

 

Ou seja, um jornal pode aproveitar os dados que obtém sobre os utilizadores do digital, para personalizar a sua edição no papel.

 

Um exemplo do sucesso dos periódicos hiperlocais é o britânico Your Local Paper. Este semanário, gratuito e independente, aumentou a sua tiragem de 23 para 24 mil exemplares para satisfazer a crescente procura dos leitores. E, apesar da tendência ser para reduzir o numero de páginas impressas, o YLP passou, recentemente, das 48 páginas iniciais para as 104.

 

Uma das estratégias foi a de dar prioridade a impressão. A edição online só está disponível um dia depois de ser distribuída a edição impressa.

 

O dono do jornal, Alan Taylo, assegura que os seus leitores gostam do formato do papel, que é cosido para ser de mais fácil manuseio, e valorizam os conteúdos hiperlocais que consideram bem escritos. Desta forma, tornou-se num dos poucos títulos que ainda crescem no Reino Unido.

 

Enquanto o The New York Times e o The Washington Post  querem converter-se em jornais cada vez mais globais, o futuro para os títulos pequenos está em personalizar publicidade e conteúdos.  Porque nem sempre os anunciantes querem chegar a grandes massas, mas sim ao cliente real. E este estará interessado em saber o que aconteceu no outro lado do mundo, mas mais ainda em ser informado sobre aconteceu à sua porta ou no seu bairro. 

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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