Sexta-feira, 15 de Dezembro, 2017
Media

"Robots" baralham medição de audiências da publicidade digital

As novas tecnologias digitais permitem identificar, pela “pegada” que deixa o seu tráfego online, o perfil de cada consumidor. Logo, podem fornecer aos anunciantes interessados a possibilidade de adquirirem publicidade em tempo real, surpreendendo o utente com ofertas das coisas que de facto lhe interessam. Mas o rigor destes procedimentos é posto em causa por Miguel Ormaetxea, editor de Media-Tics, segundo o qual prometeram-nos o céu mas o resultado foi um inferno: “Todos mentem nas audiências, não há um sistema fiável de medição, estando todos contaminados pelos robots que alimentam a fraude.”

 

A sua indignação fundamenta-se num relatório da ANA – Association of National Advertisers, dos EUA, segundo o qual, afirma, “quase uma quarta parte dos anúncios de vídeos não são vistos por humanos, mas sim por robots”, e “este falso tráfego vai custar este ano aos anunciantes cerca de 6.300 milhões de dólares”. 

A acrescentar a esta fraude, o mercado da publicidade programática é dominado por “um duopólio, Google e Facebook, que ficam com a parte do leão e também com a das hienas”. 

A acusação fundamental de Miguel Ormaetxea é a de que o mercado do tráfego online “não está regulamentado”. E cita uma noticia muito recente sobre os problemas que o Google tem estado a encontrar:

“Uma investigação revelou que anúncios patrocinados por empresas como Sainbury’s e L’Oreal aparecem junto de conteúdos totalmente inapropriados, incluindo um pregador egípcio do islamismo radical. O Google apressou-se a pedir desculpas, mas vários anunciantes afirmaram já que deixam esta plataforma.” 

Quanto à falta de rigor dos instrumentos de medida das audiências, o autor afirma que, em Espanha, “os meios digitais vêem com bons olhos o processo que foi aberto pela AIMC – Asociación para la Investigación de Medios de Comunicación e o IAB – Interactive Advertising Bureau para encontrarem um novo medidor”.

 

Mais informação no texto original, em Media-Tics; a imagem é da infografia elaborada em 2014 pelo IAB de Espanha, para explicar o mecanismo da publicidade programática

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

O "jornalismo - espectáculo" que condena inocentes na praça pública Ver galeria

A investigação de suspeitos de qualquer conduta ilícita ou criminal é realizada pelas autoridades judiciais, que procuram provas para instrução de processo. Tendo conhecimento dessas condutas, também os meios de comunicação fazem a necessária investigação, para apuramento dos factos e posterior publicação. Uns e outros vão cruzar-se no mesmo terreno  - contidos, de ambos os lados, pelo cumprimento da lei e pela deontologia profissional. Mas o pior pode acontecer quando agentes da autoridade e repórteres se juntam para fazer “jornalismo do espectáculo”. A jornalista Nereide Beirão parte do ocorrido em 1994, com o caso que ficou conhecido como Escola Base, em São Paulo. Descreve o que sucedeu e acrescenta o exemplo de mais alguns casos da mesma natureza. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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