Terça-feira, 22 de Agosto, 2017
Media

"Robots" baralham medição de audiências da publicidade digital

As novas tecnologias digitais permitem identificar, pela “pegada” que deixa o seu tráfego online, o perfil de cada consumidor. Logo, podem fornecer aos anunciantes interessados a possibilidade de adquirirem publicidade em tempo real, surpreendendo o utente com ofertas das coisas que de facto lhe interessam. Mas o rigor destes procedimentos é posto em causa por Miguel Ormaetxea, editor de Media-Tics, segundo o qual prometeram-nos o céu mas o resultado foi um inferno: “Todos mentem nas audiências, não há um sistema fiável de medição, estando todos contaminados pelos robots que alimentam a fraude.”

 

A sua indignação fundamenta-se num relatório da ANA – Association of National Advertisers, dos EUA, segundo o qual, afirma, “quase uma quarta parte dos anúncios de vídeos não são vistos por humanos, mas sim por robots”, e “este falso tráfego vai custar este ano aos anunciantes cerca de 6.300 milhões de dólares”. 

A acrescentar a esta fraude, o mercado da publicidade programática é dominado por “um duopólio, Google e Facebook, que ficam com a parte do leão e também com a das hienas”. 

A acusação fundamental de Miguel Ormaetxea é a de que o mercado do tráfego online “não está regulamentado”. E cita uma noticia muito recente sobre os problemas que o Google tem estado a encontrar:

“Uma investigação revelou que anúncios patrocinados por empresas como Sainbury’s e L’Oreal aparecem junto de conteúdos totalmente inapropriados, incluindo um pregador egípcio do islamismo radical. O Google apressou-se a pedir desculpas, mas vários anunciantes afirmaram já que deixam esta plataforma.” 

Quanto à falta de rigor dos instrumentos de medida das audiências, o autor afirma que, em Espanha, “os meios digitais vêem com bons olhos o processo que foi aberto pela AIMC – Asociación para la Investigación de Medios de Comunicación e o IAB – Interactive Advertising Bureau para encontrarem um novo medidor”.

 

Mais informação no texto original, em Media-Tics; a imagem é da infografia elaborada em 2014 pelo IAB de Espanha, para explicar o mecanismo da publicidade programática

Connosco
Como a prometida liberdade em “rede social” nos trouxe à ditadura das notícias falsas Ver galeria

A história de como a Internet, depois de ter prometido dar voz e libertação a todos os marginalizados, desembocou na presente ditadura das fake news em “rede social”, é uma longa teia de ilusões aceitáveis e de equívocos pouco inocentes. O jornalista Marcelo Rech, presidente do Fórum Mundial de Editores, desfia esta narrativa num artigo extenso, mas de leitura indispensável. É melhor percebermos como chegámos até aqui. E, se pudermos, mantendo a atitude que ele escolheu como título  -  “Uma chance para o optimismo”.

Este artigo é o terceiro da série sobre o tema “Da pós-verdade ao risco da pós-imprensa”, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Dois anos de notícias falsas, com duas plataformas chamadas à responsabilidade Ver galeria

A chamada “era de ouro das notícias falsas” não tem mais de dois anos, e está hoje bem documentada, pelo que vale a pena rever a sua história. É este o tema de um artigo do jornalista Nelson de Sá, da Folha de S. Paulo, que descreve o que se passou com o “duopólio” Google-Facebook  -  a sua inicial desvalorização do problema, as tentativas de auto-justificação, as primeiras medidas de controlo e o reconhecimento de que a estrutura de financiamento das grandes plataformas está edificada para premiar o que é “viral”, não o que é verdadeiro.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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