Sexta-feira, 15 de Dezembro, 2017
Media

Grandes anunciantes boicotam Google por causa de conteúdos extremistas

A dependência dos media tradicionais do suporte financeiro da publicidade é uma questão conhecida. Mas pode haver situações em que são as próprias empresas publicitárias a desejar que os seus clientes não sejam expostos a ter os anúncios em determinados media, pela natureza conflitual de alguns conteúdos. Este desenvolvimento surpreendente está a acontecer agora entre o Google e o mercado publicitário britânico, havendo já pelo menos uma grande marca, a Havas, a formalizar a separação.

Matt Brittin, o presidente do Google para a Europa, Médio-Oriente e África, apresentou um pedido de desculpas pela difusão de publicidade em contextos controversos, nomeadamente na sua filial YouTube, conforme notícia de Le Figaro: “Nós tomamos muito a sério as nossas responsabilidades quanto a estes problemas” – disse. 

Mas os problemas já tinham consequências em curso. Segundo a Meios & Publicidade, “o Havas Group UK retirou os anúncios dos seus clientes do Reino Unido das plataformas do Google, incluindo o YouTube. Esta decisão abrange marcas como a empresa de telecomunicações O2, a eléctrica EDF, o Royal Mail, a BBC, a Dominos, a Emirates e o grupo Hunday Kia”. 

“O grupo Havas do Reino Unido não está sozinho nesta matéria. O governo britânico queixou-se, após uma denúncia do jornal The Times, de que os anúncios das entidades governamentais apareciam ao lado de conteúdos políticos e religiosos extremistas. A Transport of London, que agrega as empresas de transporte público, e o jornal The Guardian também anunciaram que deixaram de investir no Google e no YouTube.” 

Segundo The Guardian, que publica um artigo esclarecedor das questões envolvidas, o Google já prometeu uma vasta revisão das suas práticas, “em resposta a um boicote crescente das suas plataformas, proveniente de grandes empresas e anunciantes, incluindo o Governo do Reino Unido, a Marks & Spencer e a McDonalds”. 

“Muitas das companhias envolvidas no boicote tinham descoberto que o seu investimento publicitário estava a ser usado para colocar alertas sobre vídeos no YouTube de grupos como o Britain First, financiando assim, indirectamente, extremistas, e prejudicando o prestígio das suas marcas”. 

Quanto à situação no nosso país, fonte oficial do Google em Portugal argumenta, a propósito deste caso e em declarações à M&P, que a empresa “tem directrizes rígidas que definem onde os anúncios do Google devem ser exibidos e, na grande maioria dos casos, as nossas políticas funcionam como pretendido, protegendo utilizadores e anunciantes de conteúdo prejudicial ou inapropriado. Aceitamos que nem sempre acontece o que é suposto, e que, por vezes, os anúncios aparecem onde não devem”. 

O Google assume “o compromisso de melhorar. Faremos as alterações necessárias nas nossas políticas e nos controlos da marca para os anunciantes”.

 

Mais informação na M&P, em The Guardian e Le Figaro

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site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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