Quinta-feira, 4 de Junho, 2020
Media

Grandes anunciantes boicotam Google por causa de conteúdos extremistas

A dependência dos media tradicionais do suporte financeiro da publicidade é uma questão conhecida. Mas pode haver situações em que são as próprias empresas publicitárias a desejar que os seus clientes não sejam expostos a ter os anúncios em determinados media, pela natureza conflitual de alguns conteúdos. Este desenvolvimento surpreendente está a acontecer agora entre o Google e o mercado publicitário britânico, havendo já pelo menos uma grande marca, a Havas, a formalizar a separação.

Matt Brittin, o presidente do Google para a Europa, Médio-Oriente e África, apresentou um pedido de desculpas pela difusão de publicidade em contextos controversos, nomeadamente na sua filial YouTube, conforme notícia de Le Figaro: “Nós tomamos muito a sério as nossas responsabilidades quanto a estes problemas” – disse. 

Mas os problemas já tinham consequências em curso. Segundo a Meios & Publicidade, “o Havas Group UK retirou os anúncios dos seus clientes do Reino Unido das plataformas do Google, incluindo o YouTube. Esta decisão abrange marcas como a empresa de telecomunicações O2, a eléctrica EDF, o Royal Mail, a BBC, a Dominos, a Emirates e o grupo Hunday Kia”. 

“O grupo Havas do Reino Unido não está sozinho nesta matéria. O governo britânico queixou-se, após uma denúncia do jornal The Times, de que os anúncios das entidades governamentais apareciam ao lado de conteúdos políticos e religiosos extremistas. A Transport of London, que agrega as empresas de transporte público, e o jornal The Guardian também anunciaram que deixaram de investir no Google e no YouTube.” 

Segundo The Guardian, que publica um artigo esclarecedor das questões envolvidas, o Google já prometeu uma vasta revisão das suas práticas, “em resposta a um boicote crescente das suas plataformas, proveniente de grandes empresas e anunciantes, incluindo o Governo do Reino Unido, a Marks & Spencer e a McDonalds”. 

“Muitas das companhias envolvidas no boicote tinham descoberto que o seu investimento publicitário estava a ser usado para colocar alertas sobre vídeos no YouTube de grupos como o Britain First, financiando assim, indirectamente, extremistas, e prejudicando o prestígio das suas marcas”. 

Quanto à situação no nosso país, fonte oficial do Google em Portugal argumenta, a propósito deste caso e em declarações à M&P, que a empresa “tem directrizes rígidas que definem onde os anúncios do Google devem ser exibidos e, na grande maioria dos casos, as nossas políticas funcionam como pretendido, protegendo utilizadores e anunciantes de conteúdo prejudicial ou inapropriado. Aceitamos que nem sempre acontece o que é suposto, e que, por vezes, os anúncios aparecem onde não devem”. 

O Google assume “o compromisso de melhorar. Faremos as alterações necessárias nas nossas políticas e nos controlos da marca para os anunciantes”.

 

Mais informação na M&P, em The Guardian e Le Figaro

Connosco
O paradoxo no Brasil entre a ética jornalística e a ética empresarial Ver galeria

Os jornalistas brasileiros estão a ser confrontados com novos obstáculos, impostos à profissão pela Covid-19. É o caso teletrabalho,  que veio alterar, profundamente, o “modus operandi” das redacções e da investigação jornalística. 

Há, contudo, outras questões, ainda mais preocupantes, a serem discutidas por estes profissionais, como é o caso da ética jornalística, reiterou Silvia Meirelles Leite num artigo publicado na revista “objETHOS” e reproduzido no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, enquanto os jornalistas continuam a desempenhar as suas funções e a manter a população informada, as empresas detentoras dos “media” têm de garantir apoios financeiros.

Isto leva a que, não raramente, a televisão pública seja obrigada a suprimir certas peças jornalísticas. Caso contrário, este serviço deixaria de receber financiamento governamental.

A cobertura do coronavírus reforçou a credibilidade jornalística Ver galeria

A pandemia de Covid-19 afectou praticamente todos os sectores da sociedade e influenciou a vida dos cidadãos, um pouco por todo o mundo.

Assim, os jornalistas têm vindo a assumir um papel essencial, mantendo a  população informada sobre os impactos da doença, bem como sobre as suas mutações.

Desta forma, os “media” tradicionais voltaram a merecer a atenção e “lealdade” do público, que deixou de informar-se através das redes sociais que são, tendencialmente, uma plataforma de desinformação,

considerou o jornalista Michel Ribeiro num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Perante a actual crise sanitária, recorda o autor, o jornalismo televisivo conquistou uma audiência significativa e os jornais “online” registaram um tráfego sem precedentes. Da mesma forma, mais consumidores decidiram assinar fontes de informação fidedignas e ouvir rádio para se manterem informados.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


ver mais >
Opinião
À medida que a pandemia parece mais controlada e o regresso ao trabalho se faz, conforme as regras de desconfinamento gradual, instalou-se uma “guerra mediática” de contornos invulgares, favorecida pela trapalhada da distribuição de apoios anunciados pelo governo, supostamente,  através da compra antecipada de espaço para publicidade institucional. Primeiro assistiu-se a uma “guerra “ privada, entre a Cofina e o...
Numa era digital, marcada por uma constante e acelerada mudança, caracterizada por um globalismo padronizador de culturas e de costumes, muitas indústrias e profissões estão a alterar-se totalmente, ou até mesmo a desaparecer. Tudo isto se passa num ritmo freneticamente acelerado, que nos afoga literalmente num caudal de informação, muitas vezes difícil de filtrar e descodificar em tempo útil. A evolução...
As suas vendas desceram, os clientes atrasaram-se a pagar, os fornecedores pressionam para receber, a tesouraria está apertada? O que fazer? – Claro que vai ver onde se pode cortar custos, ao mesmo tempo que se prepara o retomar de actividades. E um dos primeiros cortes para muitas empresas é na comunicação e na publicidade. “O dinheiro não chega para tudo, tem que se escolher”, pensa quem faz o corte. No fundo consideram que no...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
Em toda a parte, ou quase, a pandemia causada pelo coronavírus fechou em casa muitos milhões de pessoas, para evitarem ser contaminadas. Um dos efeitos desse confinamento foi terem aumentado as audiências de televisão. Por outro lado, as pessoas precisam de informação, por isso o estado de emergência em Portugal mantém abertos os quiosques, que vendem jornais.   Melhores tempos para a comunicação social? Nem por isso,...
Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas