Quinta-feira, 21 de Março, 2019
Media

Grandes anunciantes boicotam Google por causa de conteúdos extremistas

A dependência dos media tradicionais do suporte financeiro da publicidade é uma questão conhecida. Mas pode haver situações em que são as próprias empresas publicitárias a desejar que os seus clientes não sejam expostos a ter os anúncios em determinados media, pela natureza conflitual de alguns conteúdos. Este desenvolvimento surpreendente está a acontecer agora entre o Google e o mercado publicitário britânico, havendo já pelo menos uma grande marca, a Havas, a formalizar a separação.

Matt Brittin, o presidente do Google para a Europa, Médio-Oriente e África, apresentou um pedido de desculpas pela difusão de publicidade em contextos controversos, nomeadamente na sua filial YouTube, conforme notícia de Le Figaro: “Nós tomamos muito a sério as nossas responsabilidades quanto a estes problemas” – disse. 

Mas os problemas já tinham consequências em curso. Segundo a Meios & Publicidade, “o Havas Group UK retirou os anúncios dos seus clientes do Reino Unido das plataformas do Google, incluindo o YouTube. Esta decisão abrange marcas como a empresa de telecomunicações O2, a eléctrica EDF, o Royal Mail, a BBC, a Dominos, a Emirates e o grupo Hunday Kia”. 

“O grupo Havas do Reino Unido não está sozinho nesta matéria. O governo britânico queixou-se, após uma denúncia do jornal The Times, de que os anúncios das entidades governamentais apareciam ao lado de conteúdos políticos e religiosos extremistas. A Transport of London, que agrega as empresas de transporte público, e o jornal The Guardian também anunciaram que deixaram de investir no Google e no YouTube.” 

Segundo The Guardian, que publica um artigo esclarecedor das questões envolvidas, o Google já prometeu uma vasta revisão das suas práticas, “em resposta a um boicote crescente das suas plataformas, proveniente de grandes empresas e anunciantes, incluindo o Governo do Reino Unido, a Marks & Spencer e a McDonalds”. 

“Muitas das companhias envolvidas no boicote tinham descoberto que o seu investimento publicitário estava a ser usado para colocar alertas sobre vídeos no YouTube de grupos como o Britain First, financiando assim, indirectamente, extremistas, e prejudicando o prestígio das suas marcas”. 

Quanto à situação no nosso país, fonte oficial do Google em Portugal argumenta, a propósito deste caso e em declarações à M&P, que a empresa “tem directrizes rígidas que definem onde os anúncios do Google devem ser exibidos e, na grande maioria dos casos, as nossas políticas funcionam como pretendido, protegendo utilizadores e anunciantes de conteúdo prejudicial ou inapropriado. Aceitamos que nem sempre acontece o que é suposto, e que, por vezes, os anúncios aparecem onde não devem”. 

O Google assume “o compromisso de melhorar. Faremos as alterações necessárias nas nossas políticas e nos controlos da marca para os anunciantes”.

 

Mais informação na M&P, em The Guardian e Le Figaro

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Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

Quando há leitores menos interessados na independência do jornal Ver galeria

Mais de 33 mil leitores do jornal espanhol eldiario.es  são assinantes, o que significa que pagam 60 euros por ano para ler os mesmos textos que são lidos de graça por oito milhões de pessoas por mês, sem pagarem um cêntimo.

“Supõe-se que o fazem por convicção, por apoio a um projecto digital que pertence exclusivamente a jornalistas, sem grandes empresas ou bancos entre os accionistas. Sem um grupo mediático por detrás.” (...) “Supõe-se que o fazem porque, graças a esse dinheiro, existe uma plataforma mediática independente que tem orgulho na sua independência e que aposta em conteúdos de qualidade.”

No entanto, quando eldiário.es publicou uma revelação embaraçosa para uma ministra do Governo do PSOE, houve quem suspendesse a assinatura, acusando o jornal de estar “a fazer o jogo da direita”.

O que remete para a pergunta que faz o título do artigo sobre uma entrevista que Ignacio Escolar, fundador e director do jornal referido, fez ao jornalista Iñaki Gabilondo: “E se os leitores não quiserem media livres?”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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