Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
Media

Vigilância técnológica maciça está a ser subestimada pelo jornalismo

No clássico “1984”, de George Orwell, a televisão que vemos está a ver-nos a nós. Hoje mais do que nunca, a revolução digital tornou realidade esta intuição “profética”. Para piorar as coisas, “os jornalistas que teriam o papel de vigiar os abusos e negligências também estão sendo monitorados”. E, em última instância, “as capacidades de vigilância do Estado e de grandes empresas transnacionais estão sendo subestimadas pelo jornalismo”. Esta é a reflexão do Comentário da Semana do ObjEthos - Observatório da Ética Jornalística do Brasil. 

O autor do texto chama a atenção para os “impactos que a vigilância em massa está provocando na sociedade e, mais especificamente, no jornalismo”:  


“A opressão e o retrocesso democrático são impulsionados por princípios jornalísticos elásticos e as alardeadas conquistas tecnológicas estão sendo utilizadas como instrumentos de monitoramento da sociedade. Formas de contestação e os espaços de privacidade estão sendo interditados por possibilidades de monitoramento, consequentemente jornalistas e cidadãos estão expostos às ferramentas de vigilância indiscriminada.” (…)  


Citando Alan Rusbridger, autor de Life after Snowden: Journalists’ new moral responsibility, “as razões pelas quais o Estado quer penetrar e controlar o universo digital são as mesmas que o tornam um instrumento de liberdade; o que está em jogo são interesses públicos concorrentes e conflituantes, incluindo aqueles representados por corporações, libertários civis, agências de inteligência, advogados, jornalistas e políticos”. (…)  


“Grande parte do trabalho jornalístico está ligado à confidencialidade de suas fontes e de suas apurações, de modo que, caso diferentes formatos de intrusão possam identificar os registos de telefone, lista de contactos, os e-mails, textos, a localização, metadados e conteúdos produzidos pelos jornalistas, estamos em uma zona de risco sem precedentes.”  


O autor refere-se depois às novas questões trazidas pelas grandes fugas de informação e à “necessidade de apuração e tratamento destas fontes de informação, pois esses dados precisam ser decifrados e divulgados como informações jornalísticas”. (…)  


A concluir, afirma que os jornalistas “devem estar cientes dos riscos aos quais estão expostos em um contexto que está extinguindo ambientes pessoais e espaços privados. Os governos e as grandes empresas estão muito mais preparados do que os cidadãos para essa disputa desigual pela liberdade nos ambientes digitais". (…)

 


O texto citado, na íntegra, em ObjEthos

Connosco
“Floriram por Pessanha as rosas bravas, 150 anos depois” - a reportagem vencedora do Prémio de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

Um trabalho sobre Camilo Pessanha, no âmbito das comemorações  dos 150 anos do nascimento do poeta, assinado pela jornalista Sílvia Gonçalves ,  no jornal “Ponto Final” , foi distinguido com o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído em parceria pelo Clube Português de Imprensa e pelo Jornal Tribuna de Macau.

Trata-se de uma reportagem com o título “Floriram por Pessanha  as rosas bravas, 150 anos depois”  que o júri, escolheu por unanimidade, realçando “a originalidade da abordagem e a forma como foi construída a narrativa” , reconhecendo que o texto “não se limitou a ser evocativo dos 150 anos de Camilo Pessanha,  contribuindo para o conhecimento do poeta e da sua relação estreita com a lusofonia”.

Isabel Mota abre em Outubro novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, vai subordinar-se ao tema genérico “O estado do Estado;  Estado, Sociedade, Opções” e arranca no próximo dia 23 de Outubro, tendo Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, como oradora convidada.

Isabel Maria de Lucena Vasconcelos Cruz de Almeida Mota, de seu nome completo, nasceu em Lisboa, teve uma educação tradicional, uma adolescência pacata e  passou dois anos em Moçambique,  onde o pai foi colocado em missão.

Licenciou-se em Economia e Finanças, foi assistente no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa e  conselheira na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia, em Bruxelas, tendo representado  Portugal em várias organizações multilaterais.

O Clube

O cineasta alemão Wim Wenders foi distinguido com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, pelo seu contributo para a história multicultural da Europa e dos ideais europeus. Ao ser informado da decisão, Wim Wenders declarou que “a Europa é uma utopia em curso, construída, mais do que por qualquer outra coisa, pelo seu legado cultural”. A cerimónia de entrega do Prémio  - instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a “Europa Nostra” e o Clube Português de Imprensa -  terá lugar em 24 de Outubro de 2017, na Fundação Calouste Gulbenkian.


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Opinião
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