Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

Vigilância técnológica maciça está a ser subestimada pelo jornalismo

No clássico “1984”, de George Orwell, a televisão que vemos está a ver-nos a nós. Hoje mais do que nunca, a revolução digital tornou realidade esta intuição “profética”. Para piorar as coisas, “os jornalistas que teriam o papel de vigiar os abusos e negligências também estão sendo monitorados”. E, em última instância, “as capacidades de vigilância do Estado e de grandes empresas transnacionais estão sendo subestimadas pelo jornalismo”. Esta é a reflexão do Comentário da Semana do ObjEthos - Observatório da Ética Jornalística do Brasil. 

O autor do texto chama a atenção para os “impactos que a vigilância em massa está provocando na sociedade e, mais especificamente, no jornalismo”:  


“A opressão e o retrocesso democrático são impulsionados por princípios jornalísticos elásticos e as alardeadas conquistas tecnológicas estão sendo utilizadas como instrumentos de monitoramento da sociedade. Formas de contestação e os espaços de privacidade estão sendo interditados por possibilidades de monitoramento, consequentemente jornalistas e cidadãos estão expostos às ferramentas de vigilância indiscriminada.” (…)  


Citando Alan Rusbridger, autor de Life after Snowden: Journalists’ new moral responsibility, “as razões pelas quais o Estado quer penetrar e controlar o universo digital são as mesmas que o tornam um instrumento de liberdade; o que está em jogo são interesses públicos concorrentes e conflituantes, incluindo aqueles representados por corporações, libertários civis, agências de inteligência, advogados, jornalistas e políticos”. (…)  


“Grande parte do trabalho jornalístico está ligado à confidencialidade de suas fontes e de suas apurações, de modo que, caso diferentes formatos de intrusão possam identificar os registos de telefone, lista de contactos, os e-mails, textos, a localização, metadados e conteúdos produzidos pelos jornalistas, estamos em uma zona de risco sem precedentes.”  


O autor refere-se depois às novas questões trazidas pelas grandes fugas de informação e à “necessidade de apuração e tratamento destas fontes de informação, pois esses dados precisam ser decifrados e divulgados como informações jornalísticas”. (…)  


A concluir, afirma que os jornalistas “devem estar cientes dos riscos aos quais estão expostos em um contexto que está extinguindo ambientes pessoais e espaços privados. Os governos e as grandes empresas estão muito mais preparados do que os cidadãos para essa disputa desigual pela liberdade nos ambientes digitais". (…)

 


O texto citado, na íntegra, em ObjEthos

Connosco
Bettany Hugues defendeu a importância da memória na construção do futuro e da paz Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Para Alberto Dines, “o jornalismo era o próprio sentido da vida” Ver galeria

Cada história é uma vida, e algumas delas são muito especiais. “Alberto Dines foi autor e protagonista de uma dessas trajectórias incomuns: um intelectual visceral, que usou a sua inteligência e lucidez não para disputar uma partida, mas para mudar o jogo.” Sob o título “Uma vida sem ponto final”, um dos seus numerosos discípulos, Bruno Thys, evoca com a saudade de uma relação muito pessoal o percurso e obra de Alberto Dines, falecido em São Paulo em Maio deste ano.

O autor do texto que citamos valoriza uma parte da biografia menos mencionada de Alberto Dines, a que o coloca numa linhagem de judeus emigrados de uma Europa em várias convulsões:

“Dines tornou-se uma das mais cintilantes estrelas de sua geração, a primeira de judeus nascidos no Brasil. (...) Da geração de seus pais, herdou a cultura ancestral. Dines tinha sólida formação humanística e as suas raízes remontam à Haskalá, o iluminismo judaico que floresceu na Europa Ocidental nos séculos XVIII e XIX. Este movimento pregava a interacção da sabedoria judaica com a cultura europeia e produziu nomes como Einstein, Freud, Herzel e Stefan Zweig, o grande biógrafo austríaco, que, muitos anos depois, seria biografado por Dines.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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