Quarta-feira, 16 de Agosto, 2017
Media

Vigilância técnológica maciça está a ser subestimada pelo jornalismo

No clássico “1984”, de George Orwell, a televisão que vemos está a ver-nos a nós. Hoje mais do que nunca, a revolução digital tornou realidade esta intuição “profética”. Para piorar as coisas, “os jornalistas que teriam o papel de vigiar os abusos e negligências também estão sendo monitorados”. E, em última instância, “as capacidades de vigilância do Estado e de grandes empresas transnacionais estão sendo subestimadas pelo jornalismo”. Esta é a reflexão do Comentário da Semana do ObjEthos - Observatório da Ética Jornalística do Brasil. 

O autor do texto chama a atenção para os “impactos que a vigilância em massa está provocando na sociedade e, mais especificamente, no jornalismo”:  


“A opressão e o retrocesso democrático são impulsionados por princípios jornalísticos elásticos e as alardeadas conquistas tecnológicas estão sendo utilizadas como instrumentos de monitoramento da sociedade. Formas de contestação e os espaços de privacidade estão sendo interditados por possibilidades de monitoramento, consequentemente jornalistas e cidadãos estão expostos às ferramentas de vigilância indiscriminada.” (…)  


Citando Alan Rusbridger, autor de Life after Snowden: Journalists’ new moral responsibility, “as razões pelas quais o Estado quer penetrar e controlar o universo digital são as mesmas que o tornam um instrumento de liberdade; o que está em jogo são interesses públicos concorrentes e conflituantes, incluindo aqueles representados por corporações, libertários civis, agências de inteligência, advogados, jornalistas e políticos”. (…)  


“Grande parte do trabalho jornalístico está ligado à confidencialidade de suas fontes e de suas apurações, de modo que, caso diferentes formatos de intrusão possam identificar os registos de telefone, lista de contactos, os e-mails, textos, a localização, metadados e conteúdos produzidos pelos jornalistas, estamos em uma zona de risco sem precedentes.”  


O autor refere-se depois às novas questões trazidas pelas grandes fugas de informação e à “necessidade de apuração e tratamento destas fontes de informação, pois esses dados precisam ser decifrados e divulgados como informações jornalísticas”. (…)  


A concluir, afirma que os jornalistas “devem estar cientes dos riscos aos quais estão expostos em um contexto que está extinguindo ambientes pessoais e espaços privados. Os governos e as grandes empresas estão muito mais preparados do que os cidadãos para essa disputa desigual pela liberdade nos ambientes digitais". (…)

 


O texto citado, na íntegra, em ObjEthos

Connosco
Modos de combater a vigilância electrónica sobre jornalistas e as suas fontes Ver galeria

Jornalistas que tenham de trabalhar em ambientes autoritários tendem a ser alvo de vigilância electrónica. Muitos acabam por se adaptar e aceitá-la como um risco indesejado, mas inevitável na sua profissão. Ou podem tentar combatê-la. “Afinal de contas, ela ameaça a sua segurança, bem como das suas fontes, e constitui um ataque à liberdade de Imprensa e de expressão.” A reflexão é do jornalista mexicano Jorge Luis Sierra, perito em segurança digital, que adianta alguns conselhos práticos para casos destes. 

A avalancha da Internet atropelou a nossa capacidade de lidar com tantos dados Ver galeria

A grande revolução nas rotinas e normas do jornalismo foi-nos imposta, não pelo computador, mas pela Internet, quando “a avalancha informativa e as redes sociais virtuais atropelaram a capacidade das redacções processarem informações; (...) o volume cresceu em tal magnitude que se tornaram incapazes de lidar com tantos dados, factos e eventos”.

A “curadoria de notícias”, que parecia inerente ao trabalho de qualquer jornalista, tornou-se mais necessária do que nunca, mas, “como actividade lucrativa, só funciona em nichos especializados de informação”. É esta a reflexão de Carlos Castilho, ex-assessor da União Europeia para projectos de comunicação na América Central e membro da direcção do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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Opinião
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