null, 25 de Junho, 2017
Media

A mentira como matéria prima na vertigem das notícias falsas

Um dos problemas com a proliferação de notícias falsas é a dificuldade em distingui-las das verdadeiras. Mesmo pessoas educadas se deixam enganar; um inquérito feito pela Universidade de Stanford a quase oito mil estudantes norte-americanos, de todos os graus de ensino, revelou que uma simples foto com legenda falseada podia ser validada por 40% dos observadores.

E The Washington Post entrevistou dois jovens que se gabaram de ganhar muito dinheiro com um site de fakenews onde chegaram a pôr uma fotografia com alegadas experiências com humanos, praticadas por cientistas na Coreia do Norte."Em dez minutos ganhou 120 dólares. Nunca mais parou de mentir. Nem de ganhar carradas de dinheiro."

Esta reflexão é do jornalista e professor Paulo José Cunha, publicada no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O autor deste trabalho declara que a associação desta dificuldade em distinguir o falso do verdadeiro com a proliferação deliberada de “noticiário mentiroso” desemboca numa “mistura de desinformação, preconceito, intolerância, incompetência para a escolha consciente e incapacidade de autodeterminação; ou seja, o contrário das bases para o bom funcionamento do sistema democrático”. 

O responsável pelo inquérito da Universidade de Stanford, Sam Wineburg, afirma:  “Muita gente acredita que os jovens, bem ambientados nas redes sociais, têm perspicácia para compreender o que lêem. O nosso trabalho mostra que o oposto disso é verdadeiro.” 

A reportagem publicada pelo Washington Post em Novembro do ano passado “revela que Paris Swade e Danny Gold, donos de um site direitista radical de notícias falsas, orgulham-se  – sim, orgulham-se!, sem qualquer sinal de remorso –  de praticar ‘imprensa marrom’. Até os nomes que os dois usam são falsos. Para ganhar caminhões de dinheiro precisam de um laptop e de um sofá para escrever e acompanhar a viralização dos posts. Na última eleição, todos os candidatos republicanos investiram grana preta no site deles”. 

A mesma reportagem conta que Paris Wade e Ben Goldman, os seus verdadeiros nomes, eram dois empregados de restaurante no desemprego seis meses antes de descobrirem que podiam ganhar muito dinheiro sentados num sofá, a produzir e divulgar tretas nos seus computadores pessoais. 

“Entre Junho e Agosto, como dizem, quando tinham menos de 150 mil seguidores no Facebook, faziam entre 10 mil e 40 mil dólares por mês pondo anúncios que, entre outras coisas, prometiam soluções para o acne, alternativas ao Viagra, [métodos para curar vários problemas corporais] e ‘as selfies das 13 celebridades mais sexys e mais nuas’. Depois o drama político aprofundou-se e a sua audiência multiplicou por cinco, e agora Goldman pensa que o que ganhou nos últimos seis meses ter-lhe-ia custado 20 anos a servir mesas no seu antigo trabalho.”

 

O artigo de Paulo José Cunha, no Observatório da Imprensa, e a reportagem original em The Washington Post

Connosco
Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
Portugueses entre os europeus que mais confiam nas notícias Ver galeria

Portugal aparece no segundo lugar entre os países europeus, logo a seguir à Finlândia, no índice de confiança nas notícias (ficando o Brasil entre os dois). A Finlândia atinge os 62%, Portugal chega aos 58%, e os países mais em baixo, Grécia e Coreia do Sul, ficam nos 23%. Estes são alguns números do Digital News Report 2017 do Reuters Institute, que sublinha no texto de sumário que “a revolução digital está cheia de contradições e excepções” e que as diferenças para cada país podem ser procuradas nas páginas que lhes são dedicadas, no desenvolvimento do relatório.

O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


ver mais >
Opinião
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Há dias um jornalista que foi director de um  antigo jornal de referência, em acelerado processo de definhamento, interrogava-se sobre o futuro próximo da Imprensa em suporte de papel e profetizava , sem mencionar, que um dos diários nacionais “terá de tomar a traumática – talvez acertada, certamente inevitável -- decisão de fechar as edições em papel durante a semana, mantendo apenas as edições...
Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França