null, 17 de Dezembro, 2017
Media

A mentira como matéria prima na vertigem das notícias falsas

Um dos problemas com a proliferação de notícias falsas é a dificuldade em distingui-las das verdadeiras. Mesmo pessoas educadas se deixam enganar; um inquérito feito pela Universidade de Stanford a quase oito mil estudantes norte-americanos, de todos os graus de ensino, revelou que uma simples foto com legenda falseada podia ser validada por 40% dos observadores.

E The Washington Post entrevistou dois jovens que se gabaram de ganhar muito dinheiro com um site de fakenews onde chegaram a pôr uma fotografia com alegadas experiências com humanos, praticadas por cientistas na Coreia do Norte."Em dez minutos ganhou 120 dólares. Nunca mais parou de mentir. Nem de ganhar carradas de dinheiro."

Esta reflexão é do jornalista e professor Paulo José Cunha, publicada no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O autor deste trabalho declara que a associação desta dificuldade em distinguir o falso do verdadeiro com a proliferação deliberada de “noticiário mentiroso” desemboca numa “mistura de desinformação, preconceito, intolerância, incompetência para a escolha consciente e incapacidade de autodeterminação; ou seja, o contrário das bases para o bom funcionamento do sistema democrático”. 

O responsável pelo inquérito da Universidade de Stanford, Sam Wineburg, afirma:  “Muita gente acredita que os jovens, bem ambientados nas redes sociais, têm perspicácia para compreender o que lêem. O nosso trabalho mostra que o oposto disso é verdadeiro.” 

A reportagem publicada pelo Washington Post em Novembro do ano passado “revela que Paris Swade e Danny Gold, donos de um site direitista radical de notícias falsas, orgulham-se  – sim, orgulham-se!, sem qualquer sinal de remorso –  de praticar ‘imprensa marrom’. Até os nomes que os dois usam são falsos. Para ganhar caminhões de dinheiro precisam de um laptop e de um sofá para escrever e acompanhar a viralização dos posts. Na última eleição, todos os candidatos republicanos investiram grana preta no site deles”. 

A mesma reportagem conta que Paris Wade e Ben Goldman, os seus verdadeiros nomes, eram dois empregados de restaurante no desemprego seis meses antes de descobrirem que podiam ganhar muito dinheiro sentados num sofá, a produzir e divulgar tretas nos seus computadores pessoais. 

“Entre Junho e Agosto, como dizem, quando tinham menos de 150 mil seguidores no Facebook, faziam entre 10 mil e 40 mil dólares por mês pondo anúncios que, entre outras coisas, prometiam soluções para o acne, alternativas ao Viagra, [métodos para curar vários problemas corporais] e ‘as selfies das 13 celebridades mais sexys e mais nuas’. Depois o drama político aprofundou-se e a sua audiência multiplicou por cinco, e agora Goldman pensa que o que ganhou nos últimos seis meses ter-lhe-ia custado 20 anos a servir mesas no seu antigo trabalho.”

 

O artigo de Paulo José Cunha, no Observatório da Imprensa, e a reportagem original em The Washington Post

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

Sobre a “decadência das redacções”, a dúvida de ser jornalista Ver galeria

“A decadência das redações e a diminuição do número de alunos cursando jornalismo apontam na direção da extinção da profissão de repórter?” A pergunta é do jornalista brasileiro Carlos Wagner, que compara a situação que encontrou há 40 anos, quando começou a sua carreira de repórter de investigação, com aquela que hoje enfrentam os novos candidatos. Para a geração dos seus pais (a mãe opunha-se a que ele seguisse este caminho), “os jornalistas tinham fama de bêbados, boémios, comunistas e de ‘língua de lavadeira’.” Mas “a preocupação dos pais da geração de repórteres que entra na faculdade no próximo ano é se ainda existirá a profissão quando o filho acabar o curso”. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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02
Jan
Fotografia para Jornalistas
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03
Jan
Produção de Televisão
09:00 @ Cenjor,Lisboa
03
Jan
04
Jan
CES 2017
09:00 @ Munique,Alemanha