Sexta-feira, 22 de Março, 2019
Media

Jornalistas latino-americanos criam revista colectiva global

Jornalistas de diferentes países criaram um novo meio a partir do qual pretendem dar uma “versão latino-americana do que acontece no mundo”.

A notícia surgiu publicada num artigo de Miriam Garcimartin no site media-tics, e refere que este projecto, a “Revista Late”, é um novo meio digital, lançado a 14 de Março em Bogotá, com a originalidade de não precisaR de redacção.

Seis jornalistas da Argentina, Equador, Chile, Colômbia, Cuba e México mantiveram durante meses conversações via Skype, para dar forma a esta iniciativa colectiva. 

No respectivo site é explicado que o Conselho Editorial, pediu aos editores um plano para servir como carta de apresentação da revista. Desta forma nasceu um manifesto, no qual explicam quais são os objectivos, dos quais se destacam:

 

O que é a ‘Late’?
-Uma revista que pretende retirar a narrativa e o monopólio da opinião de mercado. Que não quer impor uma narrativa única.

-Um contador e multiplicador de histórias “porque o mercado nos tem retirado a palavra".

-Um simulacro. Um palpitar essencial, porque há histórias que “estão prontas a serem contadas”.

-Um conversor de "lixo editorial" num colibri talhado em jade. Um criador de uma carta gourmet, que apresenta um menu de baixo valor nutritivo, num hotel de 5 estrelas.

-Os órfãos dos donos editorias e os desterrados das redacções, por necessidade..

 

O que não é a ‘Late’?
-Um meio que pretenda impor uma narrativa única da realidade.

-A voz de ninguém.

-Os herdeiros de García Márquez ;

-Parte de uma máquina multinacional de informação vazia e inútil, sujeia à ditadura do clic e à futilidade das estatísticas. Não fazemos jornalismo para ter em troca um centavo ou um like.

-Reféns de dinastias jornalísticas que sugerem adoptar uma posição politica particular.

-Porta-vozes de um poder fictício, que viaja em contramão do bem comum;

-Um meio de enriquecimento, sem enriquecer ninguém.

 

A revista inclui as secções Água, Ar, Fogo e Terra e um Quinto Elemento, que é composto por trabalhos de investigação que serão realizados em conjunto. A sua principal ferramenta é o texto, mas sendo digital, utilizará podcasts, vídeos, reportagens audiovisuais ou tecnologia cinematográfica.


O facto de não ter uma sede fisica, permite não estar em nenhum país, mas estar em todos. O contacto realiza-se através de videoconferência com a ambição de conseguir num ano, pelo menos, um colaborador em cada país latino-americano.


Quanto ao financiamento, pretendem criar quatro ou cinco formas distintas para obter receitas. Entre estas, está a Loja Late , e a Escola Late, que oferecerá um primeiro atelier online gratuito, mas a ideia, no futuro, é que esse conteúdo passe a ser pago.

”É um meio que quer ser rentável, não para um proprietário, mas para uma rede de profissionais,” afirmam os fundadores da revista.

 

 

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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