Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
Media

Jornalistas latino-americanos criam revista colectiva global

Jornalistas de diferentes países criaram um novo meio a partir do qual pretendem dar uma “versão latino-americana do que acontece no mundo”.

A notícia surgiu publicada num artigo de Miriam Garcimartin no site media-tics, e refere que este projecto, a “Revista Late”, é um novo meio digital, lançado a 14 de Março em Bogotá, com a originalidade de não precisaR de redacção.

Seis jornalistas da Argentina, Equador, Chile, Colômbia, Cuba e México mantiveram durante meses conversações via Skype, para dar forma a esta iniciativa colectiva. 

No respectivo site é explicado que o Conselho Editorial, pediu aos editores um plano para servir como carta de apresentação da revista. Desta forma nasceu um manifesto, no qual explicam quais são os objectivos, dos quais se destacam:

 

O que é a ‘Late’?
-Uma revista que pretende retirar a narrativa e o monopólio da opinião de mercado. Que não quer impor uma narrativa única.

-Um contador e multiplicador de histórias “porque o mercado nos tem retirado a palavra".

-Um simulacro. Um palpitar essencial, porque há histórias que “estão prontas a serem contadas”.

-Um conversor de "lixo editorial" num colibri talhado em jade. Um criador de uma carta gourmet, que apresenta um menu de baixo valor nutritivo, num hotel de 5 estrelas.

-Os órfãos dos donos editorias e os desterrados das redacções, por necessidade..

 

O que não é a ‘Late’?
-Um meio que pretenda impor uma narrativa única da realidade.

-A voz de ninguém.

-Os herdeiros de García Márquez ;

-Parte de uma máquina multinacional de informação vazia e inútil, sujeia à ditadura do clic e à futilidade das estatísticas. Não fazemos jornalismo para ter em troca um centavo ou um like.

-Reféns de dinastias jornalísticas que sugerem adoptar uma posição politica particular.

-Porta-vozes de um poder fictício, que viaja em contramão do bem comum;

-Um meio de enriquecimento, sem enriquecer ninguém.

 

A revista inclui as secções Água, Ar, Fogo e Terra e um Quinto Elemento, que é composto por trabalhos de investigação que serão realizados em conjunto. A sua principal ferramenta é o texto, mas sendo digital, utilizará podcasts, vídeos, reportagens audiovisuais ou tecnologia cinematográfica.


O facto de não ter uma sede fisica, permite não estar em nenhum país, mas estar em todos. O contacto realiza-se através de videoconferência com a ambição de conseguir num ano, pelo menos, um colaborador em cada país latino-americano.


Quanto ao financiamento, pretendem criar quatro ou cinco formas distintas para obter receitas. Entre estas, está a Loja Late , e a Escola Late, que oferecerá um primeiro atelier online gratuito, mas a ideia, no futuro, é que esse conteúdo passe a ser pago.

”É um meio que quer ser rentável, não para um proprietário, mas para uma rede de profissionais,” afirmam os fundadores da revista.

 

 

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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