Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
Cultura

Hemeroteca evoca “Revista Estrangeira” em Lisboa no séc. XIX

Em meados do séc. XIX, um grupo de militares, interessados em divulgar temas de actualidade cultural e política, editou em Lisboa a Revista Estrangeira. Tratava-se de um periódico mensal, contendo “muitas biografias de contemporâneos ilustres”, artigos sobre guerras daquele período, viagens, contos, poesias e “mais de 80 gravuras e litografias”. A nova publicação apresentou-se em 1853 dizendo de si mesma: “Se o aparecimento de um jornal litterario em Portugal é um acontecimento notavel, a sua duração é quasi um milagre!” Foi agora tornada acessível à consulta pública pela Hemeroteca Digital de Lisboa.

O referido milagre foi de curta duração, por falecimento dos seus dois principais animadores: o administrador e redactor principal, Francisco Augusto Novais Côrte Real, oficial de engenharia e jornalista, que se suicidou em 1854; e o poeta e militar Luiz Arsénio Marques Correa Caldeira, que foi ainda deputado e teve também morte precoce. 

Segundo a ficha histórica publicada, da autoria de Alda Anastácio, os números 1 a 4 foram editados em 1853, os de 5 a 11 no ano seguinte e o último aparece mais tarde, com data que refere 1855-62. “Não se sabe, porém, se após a morte do seu último responsável e redactor sobrevivo foi escrito mais algum artigo ou se a data de 1862 reflecte apenas o ano em que a Typographia de Castro & Irmão resolveu publicar os artigos que porventura possam ter sido deixados já prontos por L. Correa Caldeira. Nenhum dos volumes indica o mês de publicação.” 

O texto de apresentação sublinha a qualidade das ilustrações, desenhos, gravuras e litografias que abundam na Revista Estrangeira e situa o seu aparecimento no contexto da altura: 

“Encontramos também um número elevado de oficiais do Exército dedicados em paralelo às letras, o que se compreende. Vivia-se o período da Regeneração, estavam resolvidas as beligerâncias mais recentes: Invasões Francesas, Revolução Liberal, Absolutismo, Cabralismo. O reino respirava mais calma e com ele, naturalmente, o Exército e a Armada, o que deixava espaço e tempo para que emergisse a intelectualidade nata de alguns.” 

 

A colecção da Revista Estrangeira e a respectiva ficha histórica

 

Connosco
“Floriram por Pessanha as rosas bravas, 150 anos depois” - a reportagem vencedora do Prémio de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

Um trabalho sobre Camilo Pessanha, no âmbito das comemorações  dos 150 anos do nascimento do poeta, assinado pela jornalista Sílvia Gonçalves ,  no jornal “Ponto Final” , foi distinguido com o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído em parceria pelo Clube Português de Imprensa e pelo Jornal Tribuna de Macau.

Trata-se de uma reportagem com o título “Floriram por Pessanha  as rosas bravas, 150 anos depois”  que o júri, escolheu por unanimidade, realçando “a originalidade da abordagem e a forma como foi construída a narrativa” , reconhecendo que o texto “não se limitou a ser evocativo dos 150 anos de Camilo Pessanha,  contribuindo para o conhecimento do poeta e da sua relação estreita com a lusofonia”.

Isabel Mota abre em Outubro novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, vai subordinar-se ao tema genérico “O estado do Estado;  Estado, Sociedade, Opções” e arranca no próximo dia 23 de Outubro, tendo Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, como oradora convidada.

Isabel Maria de Lucena Vasconcelos Cruz de Almeida Mota, de seu nome completo, nasceu em Lisboa, teve uma educação tradicional, uma adolescência pacata e  passou dois anos em Moçambique,  onde o pai foi colocado em missão.

Licenciou-se em Economia e Finanças, foi assistente no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa e  conselheira na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia, em Bruxelas, tendo representado  Portugal em várias organizações multilaterais.

O Clube

O cineasta alemão Wim Wenders foi distinguido com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, pelo seu contributo para a história multicultural da Europa e dos ideais europeus. Ao ser informado da decisão, Wim Wenders declarou que “a Europa é uma utopia em curso, construída, mais do que por qualquer outra coisa, pelo seu legado cultural”. A cerimónia de entrega do Prémio  - instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a “Europa Nostra” e o Clube Português de Imprensa -  terá lugar em 24 de Outubro de 2017, na Fundação Calouste Gulbenkian.


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Opinião
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