Quarta-feira, 16 de Agosto, 2017
Cultura

Hemeroteca evoca “Revista Estrangeira” em Lisboa no séc. XIX

Em meados do séc. XIX, um grupo de militares, interessados em divulgar temas de actualidade cultural e política, editou em Lisboa a Revista Estrangeira. Tratava-se de um periódico mensal, contendo “muitas biografias de contemporâneos ilustres”, artigos sobre guerras daquele período, viagens, contos, poesias e “mais de 80 gravuras e litografias”. A nova publicação apresentou-se em 1853 dizendo de si mesma: “Se o aparecimento de um jornal litterario em Portugal é um acontecimento notavel, a sua duração é quasi um milagre!” Foi agora tornada acessível à consulta pública pela Hemeroteca Digital de Lisboa.

O referido milagre foi de curta duração, por falecimento dos seus dois principais animadores: o administrador e redactor principal, Francisco Augusto Novais Côrte Real, oficial de engenharia e jornalista, que se suicidou em 1854; e o poeta e militar Luiz Arsénio Marques Correa Caldeira, que foi ainda deputado e teve também morte precoce. 

Segundo a ficha histórica publicada, da autoria de Alda Anastácio, os números 1 a 4 foram editados em 1853, os de 5 a 11 no ano seguinte e o último aparece mais tarde, com data que refere 1855-62. “Não se sabe, porém, se após a morte do seu último responsável e redactor sobrevivo foi escrito mais algum artigo ou se a data de 1862 reflecte apenas o ano em que a Typographia de Castro & Irmão resolveu publicar os artigos que porventura possam ter sido deixados já prontos por L. Correa Caldeira. Nenhum dos volumes indica o mês de publicação.” 

O texto de apresentação sublinha a qualidade das ilustrações, desenhos, gravuras e litografias que abundam na Revista Estrangeira e situa o seu aparecimento no contexto da altura: 

“Encontramos também um número elevado de oficiais do Exército dedicados em paralelo às letras, o que se compreende. Vivia-se o período da Regeneração, estavam resolvidas as beligerâncias mais recentes: Invasões Francesas, Revolução Liberal, Absolutismo, Cabralismo. O reino respirava mais calma e com ele, naturalmente, o Exército e a Armada, o que deixava espaço e tempo para que emergisse a intelectualidade nata de alguns.” 

 

A colecção da Revista Estrangeira e a respectiva ficha histórica

 

Connosco
Modos de combater a vigilância electrónica sobre jornalistas e as suas fontes Ver galeria

Jornalistas que tenham de trabalhar em ambientes autoritários tendem a ser alvo de vigilância electrónica. Muitos acabam por se adaptar e aceitá-la como um risco indesejado, mas inevitável na sua profissão. Ou podem tentar combatê-la. “Afinal de contas, ela ameaça a sua segurança, bem como das suas fontes, e constitui um ataque à liberdade de Imprensa e de expressão.” A reflexão é do jornalista mexicano Jorge Luis Sierra, perito em segurança digital, que adianta alguns conselhos práticos para casos destes. 

A avalancha da Internet atropelou a nossa capacidade de lidar com tantos dados Ver galeria

A grande revolução nas rotinas e normas do jornalismo foi-nos imposta, não pelo computador, mas pela Internet, quando “a avalancha informativa e as redes sociais virtuais atropelaram a capacidade das redacções processarem informações; (...) o volume cresceu em tal magnitude que se tornaram incapazes de lidar com tantos dados, factos e eventos”.

A “curadoria de notícias”, que parecia inerente ao trabalho de qualquer jornalista, tornou-se mais necessária do que nunca, mas, “como actividade lucrativa, só funciona em nichos especializados de informação”. É esta a reflexão de Carlos Castilho, ex-assessor da União Europeia para projectos de comunicação na América Central e membro da direcção do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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