null, 17 de Dezembro, 2017
Cultura

Hemeroteca evoca “Revista Estrangeira” em Lisboa no séc. XIX

Em meados do séc. XIX, um grupo de militares, interessados em divulgar temas de actualidade cultural e política, editou em Lisboa a Revista Estrangeira. Tratava-se de um periódico mensal, contendo “muitas biografias de contemporâneos ilustres”, artigos sobre guerras daquele período, viagens, contos, poesias e “mais de 80 gravuras e litografias”. A nova publicação apresentou-se em 1853 dizendo de si mesma: “Se o aparecimento de um jornal litterario em Portugal é um acontecimento notavel, a sua duração é quasi um milagre!” Foi agora tornada acessível à consulta pública pela Hemeroteca Digital de Lisboa.

O referido milagre foi de curta duração, por falecimento dos seus dois principais animadores: o administrador e redactor principal, Francisco Augusto Novais Côrte Real, oficial de engenharia e jornalista, que se suicidou em 1854; e o poeta e militar Luiz Arsénio Marques Correa Caldeira, que foi ainda deputado e teve também morte precoce. 

Segundo a ficha histórica publicada, da autoria de Alda Anastácio, os números 1 a 4 foram editados em 1853, os de 5 a 11 no ano seguinte e o último aparece mais tarde, com data que refere 1855-62. “Não se sabe, porém, se após a morte do seu último responsável e redactor sobrevivo foi escrito mais algum artigo ou se a data de 1862 reflecte apenas o ano em que a Typographia de Castro & Irmão resolveu publicar os artigos que porventura possam ter sido deixados já prontos por L. Correa Caldeira. Nenhum dos volumes indica o mês de publicação.” 

O texto de apresentação sublinha a qualidade das ilustrações, desenhos, gravuras e litografias que abundam na Revista Estrangeira e situa o seu aparecimento no contexto da altura: 

“Encontramos também um número elevado de oficiais do Exército dedicados em paralelo às letras, o que se compreende. Vivia-se o período da Regeneração, estavam resolvidas as beligerâncias mais recentes: Invasões Francesas, Revolução Liberal, Absolutismo, Cabralismo. O reino respirava mais calma e com ele, naturalmente, o Exército e a Armada, o que deixava espaço e tempo para que emergisse a intelectualidade nata de alguns.” 

 

A colecção da Revista Estrangeira e a respectiva ficha histórica

 

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

Sobre a “decadência das redacções”, a dúvida de ser jornalista Ver galeria

“A decadência das redações e a diminuição do número de alunos cursando jornalismo apontam na direção da extinção da profissão de repórter?” A pergunta é do jornalista brasileiro Carlos Wagner, que compara a situação que encontrou há 40 anos, quando começou a sua carreira de repórter de investigação, com aquela que hoje enfrentam os novos candidatos. Para a geração dos seus pais (a mãe opunha-se a que ele seguisse este caminho), “os jornalistas tinham fama de bêbados, boémios, comunistas e de ‘língua de lavadeira’.” Mas “a preocupação dos pais da geração de repórteres que entra na faculdade no próximo ano é se ainda existirá a profissão quando o filho acabar o curso”. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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