Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Cultura

Hemeroteca evoca “Revista Estrangeira” em Lisboa no séc. XIX

Em meados do séc. XIX, um grupo de militares, interessados em divulgar temas de actualidade cultural e política, editou em Lisboa a Revista Estrangeira. Tratava-se de um periódico mensal, contendo “muitas biografias de contemporâneos ilustres”, artigos sobre guerras daquele período, viagens, contos, poesias e “mais de 80 gravuras e litografias”. A nova publicação apresentou-se em 1853 dizendo de si mesma: “Se o aparecimento de um jornal litterario em Portugal é um acontecimento notavel, a sua duração é quasi um milagre!” Foi agora tornada acessível à consulta pública pela Hemeroteca Digital de Lisboa.

O referido milagre foi de curta duração, por falecimento dos seus dois principais animadores: o administrador e redactor principal, Francisco Augusto Novais Côrte Real, oficial de engenharia e jornalista, que se suicidou em 1854; e o poeta e militar Luiz Arsénio Marques Correa Caldeira, que foi ainda deputado e teve também morte precoce. 

Segundo a ficha histórica publicada, da autoria de Alda Anastácio, os números 1 a 4 foram editados em 1853, os de 5 a 11 no ano seguinte e o último aparece mais tarde, com data que refere 1855-62. “Não se sabe, porém, se após a morte do seu último responsável e redactor sobrevivo foi escrito mais algum artigo ou se a data de 1862 reflecte apenas o ano em que a Typographia de Castro & Irmão resolveu publicar os artigos que porventura possam ter sido deixados já prontos por L. Correa Caldeira. Nenhum dos volumes indica o mês de publicação.” 

O texto de apresentação sublinha a qualidade das ilustrações, desenhos, gravuras e litografias que abundam na Revista Estrangeira e situa o seu aparecimento no contexto da altura: 

“Encontramos também um número elevado de oficiais do Exército dedicados em paralelo às letras, o que se compreende. Vivia-se o período da Regeneração, estavam resolvidas as beligerâncias mais recentes: Invasões Francesas, Revolução Liberal, Absolutismo, Cabralismo. O reino respirava mais calma e com ele, naturalmente, o Exército e a Armada, o que deixava espaço e tempo para que emergisse a intelectualidade nata de alguns.” 

 

A colecção da Revista Estrangeira e a respectiva ficha histórica

 

Connosco
Bettany Hugues, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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