Quarta-feira, 16 de Agosto, 2017
Media

Mil e um truques na "indústria" da desinformação

Num artigo publicado no Le Monde, Adrien Sénécat descreve os métodos empregues pelos sites enganadores para difundir falsas informações, sem se ser apanhado.

Um exame detalhado de rumores feitos pelos descodificadores, quando foi lançado o Décodex, mostra que os artesãos da propaganda usam métodos cada vez mais hábeis:

A Máscara

No universo numérico onde a identificação das fontes de informação é difícil para o leitor, é simples criar sites ou plataformas com informação neutra, que servem de máscara insidiosa, e que misturam conteúdos inofensivos com propaganda ou falsas noticias.

 

Usurpação da identidade dos outros

Uma das técnicas correntes, é a de criar sites que usam o URL (identificação) de outro. Há também outos métodos de usurpação de identidade, como por exemplo o de usar endereços sem ser o do seu site, para publicar artigos nas redes sociais, fazendo-se passar por outro.

Podemos verificar se o site é original ao navegar nele ou usando a ferramenta Décodex.

 

Manipular factos e imagens

Está a ficar cada vez mais simples detectar informações falsas como por exemplo fotomontagens, citações inventadas, etc. Mas, alguns falsificadores tornaram-se mestres da manipulação …. É comum utilizar imagens verdadeiras fora do seu contexto para lhes dar outro sentido, e apoderar-se de histórias reais colocando-as fora das circunstâncias.

 

Ocultar propaganda em artigos inócuos

Outra dificuldade é a de, ao consultar um site que reúne conteúdos de várias fontes na sua maioria fiáveis, distinguir aquelas que podem ser enganosas.

 

Esconder erros

Para poder difundir informações falsas é fundamental manter a credibilidade e esconder os erros. Adrien Sénécat refere, no seu artigo, que verificou em alguns sites situações estranhas, nomeadamente, momentos em que parece que, ao mesmo tempo milhares de artigos são publicados, muitos outros são suprimidos logo após a sua publicação original.

 

Escapar a perseguições

Apesar de serem conhecidos por prestar falsas informações, alguns sites conseguem complicar o trabalho da justiça, graças às leis que estão em vigor.

 

No artigo completo publicado no Le Monde são descritos casos concretos das diversas situações aqui referidas.

 

Connosco
Modos de combater a vigilância electrónica sobre jornalistas e as suas fontes Ver galeria

Jornalistas que tenham de trabalhar em ambientes autoritários tendem a ser alvo de vigilância electrónica. Muitos acabam por se adaptar e aceitá-la como um risco indesejado, mas inevitável na sua profissão. Ou podem tentar combatê-la. “Afinal de contas, ela ameaça a sua segurança, bem como das suas fontes, e constitui um ataque à liberdade de Imprensa e de expressão.” A reflexão é do jornalista mexicano Jorge Luis Sierra, perito em segurança digital, que adianta alguns conselhos práticos para casos destes. 

A avalancha da Internet atropelou a nossa capacidade de lidar com tantos dados Ver galeria

A grande revolução nas rotinas e normas do jornalismo foi-nos imposta, não pelo computador, mas pela Internet, quando “a avalancha informativa e as redes sociais virtuais atropelaram a capacidade das redacções processarem informações; (...) o volume cresceu em tal magnitude que se tornaram incapazes de lidar com tantos dados, factos e eventos”.

A “curadoria de notícias”, que parecia inerente ao trabalho de qualquer jornalista, tornou-se mais necessária do que nunca, mas, “como actividade lucrativa, só funciona em nichos especializados de informação”. É esta a reflexão de Carlos Castilho, ex-assessor da União Europeia para projectos de comunicação na América Central e membro da direcção do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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Opinião
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