Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
Media

Jornalismo local na América é uma parte importante do "puzzle" democrático

O conceito da “bolha de informação” já estava connosco há mais tempo, e era usado pela mainstream media para descrever o auto-isolamento dos utentes das redes sociais, prisioneiros de “mais do mesmo”. Depois das eleições nos EUA, rebentou no rosto desse jornalismo de referência, agora acusado de ter caído na armadilha da sua própria bolha. A edição americana do jornal britânico The Guardian assumiu a derrota e o desafio, e explica o que está a fazer para se libertar dessa prisão e, ao mesmo tempo, contribuir para libertar os seus leitores.

Jessica Reed, editora dessa edição do Guardian US (lançada em 2011), foi entrevistada pela Columbia Journalism Review e explica, em poucos tópicos, o caminho que a sua equipa está a seguir: 

Ver do outro lado.  -  “The Guardian tem uma postura liberal, e a nossa cobertura da paisagem política reflecte isso sempre. Mas, durante a campanha e depois das eleições, voltámos sempre à ideia de que, para compreender o contexto político e económico em que nos encontramos agora, os jornalistas precisam de fazer a reportagem do lado oposto.” (...) 

Por exemplo, o jornal lançou um projecto de reportagem intitulado The Resistance Now, para cobrir as pessoas, as acções e as ideias do movimento de protesto nos Estados Unidos, neste momento. “Mas também voltamos à questão de: como estamos a cobrir o outro lado?” (...) 

“Uma resposta é protagonizada por Jason Wilson, que redige a coluna Burst Your Bubble (Rebenta con a Tua Bolha). Ele trabalhou diligentemente todo o ano passado, muito antes das eleições, para criar um nicho de cobertura da extrema-direita. Cobriu as milícias, as fakenews, a influência dos debates sobre política na rádio. Chegou assim à ideia de uma coluna que faz a súmula daquilo que os meios conservadores disseram em cada semana.” 

As causas da radicalização. – Uma área em que se procurou investigar, segundo conta Jessica Reed, é a do crescimento das milícias rurais: 

“Como jornalistas, temos de documentar o motivo por que as áreas rurais na América estão cada vez mais seduzidas pelas milícias, e isso só faz sentido quando se olha realmente para o modo como as comunidades se sentem esmagadas num ciclo vicioso económico. Elas sentem-se esquecidas, o que conduz a um colapso dos serviços públicos que mantêm os sheriffs locais, as patrulhas de auto-estrada, as prisões. Já temos escrito sobre como as pessoas não conseguem chamar ambulâncias em certas áreas do Oregon. Isso deixa um vazio enorme que as milícias podem utilizar.” (...) 

Agradecimento dos leitores. – “Há pessoas que nos agradecem dizendo que nunca teriam lido o tipo de meios conservadores que nós cobrimos se ficassem entregues aos seus próprios dispositivos. Não as posso censurar”  -  diz Jessica Reed. 

“Quer sejamos da direita ou da esquerda, ou de qualquer coisa pelo meio, é raro que tenhamos uma dieta informativa diversificada. Penso que a maior parte das pessoas consulta uns dez websites, no máximo, e agora que estão a consumir via Facebook, acabam numa bolha. Sendo assim, ficam felizes por este serviço.” (...) 

Importância das notícias locais. – “Nós temos repórteres mais do que suficientes em San Francisco e em Nova Iorque, por isso quero é ter pessoas por todo o país, que me liguem. Tenho a esperança de que, nestes próximos quatro anos com Trump [no original under Trump], possamos assistir a alguma espécia de renascença da Imprensa local, e que as notícias locais voltem a ser de novo importantes. Sabe Deus a falta que isso faz. O jornalismo local é uma parte muito importante do puzzle democrático, e eu desejo muito criar parcerias com os media e os repórteres locais, que têm uma rede e me podem dizer o que é que de facto é importante nas suas comunidades.” 


O texto original da entrevista com Jessica Reed, na CJR

Connosco
“Floriram por Pessanha as rosas bravas, 150 anos depois” - a reportagem vencedora do Prémio de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

Um trabalho sobre Camilo Pessanha, no âmbito das comemorações  dos 150 anos do nascimento do poeta, assinado pela jornalista Sílvia Gonçalves ,  no jornal “Ponto Final” , foi distinguido com o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído em parceria pelo Clube Português de Imprensa e pelo Jornal Tribuna de Macau.

Trata-se de uma reportagem com o título “Floriram por Pessanha  as rosas bravas, 150 anos depois”  que o júri, escolheu por unanimidade, realçando “a originalidade da abordagem e a forma como foi construída a narrativa” , reconhecendo que o texto “não se limitou a ser evocativo dos 150 anos de Camilo Pessanha,  contribuindo para o conhecimento do poeta e da sua relação estreita com a lusofonia”.

Isabel Mota abre em Outubro novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, vai subordinar-se ao tema genérico “O estado do Estado;  Estado, Sociedade, Opções” e arranca no próximo dia 23 de Outubro, tendo Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, como oradora convidada.

Isabel Maria de Lucena Vasconcelos Cruz de Almeida Mota, de seu nome completo, nasceu em Lisboa, teve uma educação tradicional, uma adolescência pacata e  passou dois anos em Moçambique,  onde o pai foi colocado em missão.

Licenciou-se em Economia e Finanças, foi assistente no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa e  conselheira na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia, em Bruxelas, tendo representado  Portugal em várias organizações multilaterais.

O Clube

O cineasta alemão Wim Wenders foi distinguido com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, pelo seu contributo para a história multicultural da Europa e dos ideais europeus. Ao ser informado da decisão, Wim Wenders declarou que “a Europa é uma utopia em curso, construída, mais do que por qualquer outra coisa, pelo seu legado cultural”. A cerimónia de entrega do Prémio  - instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a “Europa Nostra” e o Clube Português de Imprensa -  terá lugar em 24 de Outubro de 2017, na Fundação Calouste Gulbenkian.


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Opinião
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