Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Jornalismo local na América é uma parte importante do "puzzle" democrático

O conceito da “bolha de informação” já estava connosco há mais tempo, e era usado pela mainstream media para descrever o auto-isolamento dos utentes das redes sociais, prisioneiros de “mais do mesmo”. Depois das eleições nos EUA, rebentou no rosto desse jornalismo de referência, agora acusado de ter caído na armadilha da sua própria bolha. A edição americana do jornal britânico The Guardian assumiu a derrota e o desafio, e explica o que está a fazer para se libertar dessa prisão e, ao mesmo tempo, contribuir para libertar os seus leitores.

Jessica Reed, editora dessa edição do Guardian US (lançada em 2011), foi entrevistada pela Columbia Journalism Review e explica, em poucos tópicos, o caminho que a sua equipa está a seguir: 

Ver do outro lado.  -  “The Guardian tem uma postura liberal, e a nossa cobertura da paisagem política reflecte isso sempre. Mas, durante a campanha e depois das eleições, voltámos sempre à ideia de que, para compreender o contexto político e económico em que nos encontramos agora, os jornalistas precisam de fazer a reportagem do lado oposto.” (...) 

Por exemplo, o jornal lançou um projecto de reportagem intitulado The Resistance Now, para cobrir as pessoas, as acções e as ideias do movimento de protesto nos Estados Unidos, neste momento. “Mas também voltamos à questão de: como estamos a cobrir o outro lado?” (...) 

“Uma resposta é protagonizada por Jason Wilson, que redige a coluna Burst Your Bubble (Rebenta con a Tua Bolha). Ele trabalhou diligentemente todo o ano passado, muito antes das eleições, para criar um nicho de cobertura da extrema-direita. Cobriu as milícias, as fakenews, a influência dos debates sobre política na rádio. Chegou assim à ideia de uma coluna que faz a súmula daquilo que os meios conservadores disseram em cada semana.” 

As causas da radicalização. – Uma área em que se procurou investigar, segundo conta Jessica Reed, é a do crescimento das milícias rurais: 

“Como jornalistas, temos de documentar o motivo por que as áreas rurais na América estão cada vez mais seduzidas pelas milícias, e isso só faz sentido quando se olha realmente para o modo como as comunidades se sentem esmagadas num ciclo vicioso económico. Elas sentem-se esquecidas, o que conduz a um colapso dos serviços públicos que mantêm os sheriffs locais, as patrulhas de auto-estrada, as prisões. Já temos escrito sobre como as pessoas não conseguem chamar ambulâncias em certas áreas do Oregon. Isso deixa um vazio enorme que as milícias podem utilizar.” (...) 

Agradecimento dos leitores. – “Há pessoas que nos agradecem dizendo que nunca teriam lido o tipo de meios conservadores que nós cobrimos se ficassem entregues aos seus próprios dispositivos. Não as posso censurar”  -  diz Jessica Reed. 

antiestrogensonline.net bestabortionpillsonline.com

“Quer sejamos da direita ou da esquerda, ou de qualquer coisa pelo meio, é raro que tenhamos uma dieta informativa diversificada. Penso que a maior parte das pessoas consulta uns dez websites, no máximo, e agora que estão a consumir via Facebook, acabam numa bolha. Sendo assim, ficam felizes por este serviço.” (...) 

Importância das notícias locais. – “Nós temos repórteres mais do que suficientes em San Francisco e em Nova Iorque, por isso quero é ter pessoas por todo o país, que me liguem. Tenho a esperança de que, nestes próximos quatro anos com Trump [no original under Trump], possamos assistir a alguma espécia de renascença da Imprensa local, e que as notícias locais voltem a ser de novo importantes. Sabe Deus a falta que isso faz. O jornalismo local é uma parte muito importante do puzzle democrático, e eu desejo muito criar parcerias com os media e os repórteres locais, que têm uma rede e me podem dizer o que é que de facto é importante nas suas comunidades.” 


O texto original da entrevista com Jessica Reed, na CJR

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
Agenda
19
Set
Local Media Fal(l) School
09:00 @ Covilhã
23
Set
Radio Broadcasters Convention of Southern Africa
09:00 @ Johannesburg, África do Sul
24
Set
Radio Show
09:00 @ Hilton Anatole, Dallas, EUA
07
Out