null, 17 de Dezembro, 2017
Media

Jornalismo local na América é uma parte importante do "puzzle" democrático

O conceito da “bolha de informação” já estava connosco há mais tempo, e era usado pela mainstream media para descrever o auto-isolamento dos utentes das redes sociais, prisioneiros de “mais do mesmo”. Depois das eleições nos EUA, rebentou no rosto desse jornalismo de referência, agora acusado de ter caído na armadilha da sua própria bolha. A edição americana do jornal britânico The Guardian assumiu a derrota e o desafio, e explica o que está a fazer para se libertar dessa prisão e, ao mesmo tempo, contribuir para libertar os seus leitores.

Jessica Reed, editora dessa edição do Guardian US (lançada em 2011), foi entrevistada pela Columbia Journalism Review e explica, em poucos tópicos, o caminho que a sua equipa está a seguir: 

Ver do outro lado.  -  “The Guardian tem uma postura liberal, e a nossa cobertura da paisagem política reflecte isso sempre. Mas, durante a campanha e depois das eleições, voltámos sempre à ideia de que, para compreender o contexto político e económico em que nos encontramos agora, os jornalistas precisam de fazer a reportagem do lado oposto.” (...) 

Por exemplo, o jornal lançou um projecto de reportagem intitulado The Resistance Now, para cobrir as pessoas, as acções e as ideias do movimento de protesto nos Estados Unidos, neste momento. “Mas também voltamos à questão de: como estamos a cobrir o outro lado?” (...) 

“Uma resposta é protagonizada por Jason Wilson, que redige a coluna Burst Your Bubble (Rebenta con a Tua Bolha). Ele trabalhou diligentemente todo o ano passado, muito antes das eleições, para criar um nicho de cobertura da extrema-direita. Cobriu as milícias, as fakenews, a influência dos debates sobre política na rádio. Chegou assim à ideia de uma coluna que faz a súmula daquilo que os meios conservadores disseram em cada semana.” 

As causas da radicalização. – Uma área em que se procurou investigar, segundo conta Jessica Reed, é a do crescimento das milícias rurais: 

“Como jornalistas, temos de documentar o motivo por que as áreas rurais na América estão cada vez mais seduzidas pelas milícias, e isso só faz sentido quando se olha realmente para o modo como as comunidades se sentem esmagadas num ciclo vicioso económico. Elas sentem-se esquecidas, o que conduz a um colapso dos serviços públicos que mantêm os sheriffs locais, as patrulhas de auto-estrada, as prisões. Já temos escrito sobre como as pessoas não conseguem chamar ambulâncias em certas áreas do Oregon. Isso deixa um vazio enorme que as milícias podem utilizar.” (...) 

Agradecimento dos leitores. – “Há pessoas que nos agradecem dizendo que nunca teriam lido o tipo de meios conservadores que nós cobrimos se ficassem entregues aos seus próprios dispositivos. Não as posso censurar”  -  diz Jessica Reed. 

“Quer sejamos da direita ou da esquerda, ou de qualquer coisa pelo meio, é raro que tenhamos uma dieta informativa diversificada. Penso que a maior parte das pessoas consulta uns dez websites, no máximo, e agora que estão a consumir via Facebook, acabam numa bolha. Sendo assim, ficam felizes por este serviço.” (...) 

Importância das notícias locais. – “Nós temos repórteres mais do que suficientes em San Francisco e em Nova Iorque, por isso quero é ter pessoas por todo o país, que me liguem. Tenho a esperança de que, nestes próximos quatro anos com Trump [no original under Trump], possamos assistir a alguma espécia de renascença da Imprensa local, e que as notícias locais voltem a ser de novo importantes. Sabe Deus a falta que isso faz. O jornalismo local é uma parte muito importante do puzzle democrático, e eu desejo muito criar parcerias com os media e os repórteres locais, que têm uma rede e me podem dizer o que é que de facto é importante nas suas comunidades.” 


O texto original da entrevista com Jessica Reed, na CJR

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

Sobre a “decadência das redacções”, a dúvida de ser jornalista Ver galeria

“A decadência das redações e a diminuição do número de alunos cursando jornalismo apontam na direção da extinção da profissão de repórter?” A pergunta é do jornalista brasileiro Carlos Wagner, que compara a situação que encontrou há 40 anos, quando começou a sua carreira de repórter de investigação, com aquela que hoje enfrentam os novos candidatos. Para a geração dos seus pais (a mãe opunha-se a que ele seguisse este caminho), “os jornalistas tinham fama de bêbados, boémios, comunistas e de ‘língua de lavadeira’.” Mas “a preocupação dos pais da geração de repórteres que entra na faculdade no próximo ano é se ainda existirá a profissão quando o filho acabar o curso”. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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03
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