Quarta-feira, 16 de Agosto, 2017
Media

A solidariedade jornalística posta à prova no clima de hostilidade Trump - Media

O actual clima de hostilidade entre a Casa Branca e os media  - tendo como base de apoio os milhões de votantes que elegeram o seu titular -  pode ser contido por uma solidariedade profissional de resistência? A pergunta é posta por Gary Weiss, jornalista de investigação, na Columbia Journalism Review, e as respostas que obteve na sua pesquisa são pouco animadoras. Seja pelo lado do individualismo competitivo da própria classe, seja pelo da capacidade de intimidação de Donald Trump e dos seus apoiantes, não é fácil mobilizar uma frente comum. Um dos entrevistados diz que a situação é “assustadora”.

O autor lembra os episódios recentes, da conferência de Imprensa de 11 de Janeiro, em que o Presidente chamou fakenews à CNN e recusou responder a uma pergunta do seu repórter presente, designando ainda o BuzzFeed como “um monte de lixo a desmoronar-se”, ou do twitter de 17 de Fevereiro, em que definiu vários grandes jornais e cadeias de televisão como “o inimigo do povo americano”. 

Cita depois vários jornalistas que consultou sobre estes factos, com a questão da viabilidade de uma estratégia de solidariedade. Marvin Kalb, cujas reportagens na CNN o colocaram na lista dos “inimigos” de Richard Nixon, pensa que Trump não vai mudar na sua atitude para com os media, e estes também não: 

“Eles estão claramente no campo de batalha, dois exércitos prontos a combater, e não é [no espírito de] ‘que ganhe o melhor’.” A questão, para Kalb, é: “Pode o país sobreviver? E de que modo?” 

Gary Weiss diz que “há um lado escuro na guerra de Trump contra os media, uma espécie de guerra suja que é travada pelos seus ‘verdadeiros crentes’ contra a Imprensa, sobretudo nos territórios sombrios e anónimos da Internet; quem se atravesse no seu caminho pode tornar-se o alvo de uma campanha de difamação total”. (...) 

“O debate presente, no jornalismo como fora dele, é sobre o nível de preocupação que devem os media ter. Será Trump, essencialmente, um delicado que chama nomes, ou está a lançar as fundações de qualquer coisa muito mais escura? Edward Allwood, autor de Dark Days in the Newsroom, uma visão do tratamento da Imprensa pelo senador Joseph McCarthy, receia esta última.” 

A respeito do que sucedeu com o BuzzFeed, depois da publicação do dossier sobre Trump e a Rússia, Chip Berlet, um repórter freelance de temas políticos, disse que os jornalistas “estão a cometer os erros do passado, quando se dobram para atacar o BuzzFeed

“Denunciar a pessoa que está perto de nós, para justificar as nossas próprias credenciais, é uma táctica antiga, que provou ser desastrosa. Isso nunca acaba bem, porque a faca continua a cortar o salame.”

 

O texto original, na CJR

Connosco
Modos de combater a vigilância electrónica sobre jornalistas e as suas fontes Ver galeria

Jornalistas que tenham de trabalhar em ambientes autoritários tendem a ser alvo de vigilância electrónica. Muitos acabam por se adaptar e aceitá-la como um risco indesejado, mas inevitável na sua profissão. Ou podem tentar combatê-la. “Afinal de contas, ela ameaça a sua segurança, bem como das suas fontes, e constitui um ataque à liberdade de Imprensa e de expressão.” A reflexão é do jornalista mexicano Jorge Luis Sierra, perito em segurança digital, que adianta alguns conselhos práticos para casos destes. 

A avalancha da Internet atropelou a nossa capacidade de lidar com tantos dados Ver galeria

A grande revolução nas rotinas e normas do jornalismo foi-nos imposta, não pelo computador, mas pela Internet, quando “a avalancha informativa e as redes sociais virtuais atropelaram a capacidade das redacções processarem informações; (...) o volume cresceu em tal magnitude que se tornaram incapazes de lidar com tantos dados, factos e eventos”.

A “curadoria de notícias”, que parecia inerente ao trabalho de qualquer jornalista, tornou-se mais necessária do que nunca, mas, “como actividade lucrativa, só funciona em nichos especializados de informação”. É esta a reflexão de Carlos Castilho, ex-assessor da União Europeia para projectos de comunicação na América Central e membro da direcção do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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Opinião
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