Quinta-feira, 4 de Junho, 2020
Media

A solidariedade jornalística posta à prova no clima de hostilidade Trump - Media

O actual clima de hostilidade entre a Casa Branca e os media  - tendo como base de apoio os milhões de votantes que elegeram o seu titular -  pode ser contido por uma solidariedade profissional de resistência? A pergunta é posta por Gary Weiss, jornalista de investigação, na Columbia Journalism Review, e as respostas que obteve na sua pesquisa são pouco animadoras. Seja pelo lado do individualismo competitivo da própria classe, seja pelo da capacidade de intimidação de Donald Trump e dos seus apoiantes, não é fácil mobilizar uma frente comum. Um dos entrevistados diz que a situação é “assustadora”.

O autor lembra os episódios recentes, da conferência de Imprensa de 11 de Janeiro, em que o Presidente chamou fakenews à CNN e recusou responder a uma pergunta do seu repórter presente, designando ainda o BuzzFeed como “um monte de lixo a desmoronar-se”, ou do twitter de 17 de Fevereiro, em que definiu vários grandes jornais e cadeias de televisão como “o inimigo do povo americano”. 

Cita depois vários jornalistas que consultou sobre estes factos, com a questão da viabilidade de uma estratégia de solidariedade. Marvin Kalb, cujas reportagens na CNN o colocaram na lista dos “inimigos” de Richard Nixon, pensa que Trump não vai mudar na sua atitude para com os media, e estes também não: 

“Eles estão claramente no campo de batalha, dois exércitos prontos a combater, e não é [no espírito de] ‘que ganhe o melhor’.” A questão, para Kalb, é: “Pode o país sobreviver? E de que modo?” 

Gary Weiss diz que “há um lado escuro na guerra de Trump contra os media, uma espécie de guerra suja que é travada pelos seus ‘verdadeiros crentes’ contra a Imprensa, sobretudo nos territórios sombrios e anónimos da Internet; quem se atravesse no seu caminho pode tornar-se o alvo de uma campanha de difamação total”. (...) 

“O debate presente, no jornalismo como fora dele, é sobre o nível de preocupação que devem os media ter. Será Trump, essencialmente, um delicado que chama nomes, ou está a lançar as fundações de qualquer coisa muito mais escura? Edward Allwood, autor de Dark Days in the Newsroom, uma visão do tratamento da Imprensa pelo senador Joseph McCarthy, receia esta última.” 

A respeito do que sucedeu com o BuzzFeed, depois da publicação do dossier sobre Trump e a Rússia, Chip Berlet, um repórter freelance de temas políticos, disse que os jornalistas “estão a cometer os erros do passado, quando se dobram para atacar o BuzzFeed

“Denunciar a pessoa que está perto de nós, para justificar as nossas próprias credenciais, é uma táctica antiga, que provou ser desastrosa. Isso nunca acaba bem, porque a faca continua a cortar o salame.”

 

O texto original, na CJR

Connosco
O paradoxo no Brasil entre a ética jornalística e a ética empresarial Ver galeria

Os jornalistas brasileiros estão a ser confrontados com novos obstáculos, impostos à profissão pela Covid-19. É o caso teletrabalho,  que veio alterar, profundamente, o “modus operandi” das redacções e da investigação jornalística. 

Há, contudo, outras questões, ainda mais preocupantes, a serem discutidas por estes profissionais, como é o caso da ética jornalística, reiterou Silvia Meirelles Leite num artigo publicado na revista “objETHOS” e reproduzido no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, enquanto os jornalistas continuam a desempenhar as suas funções e a manter a população informada, as empresas detentoras dos “media” têm de garantir apoios financeiros.

Isto leva a que, não raramente, a televisão pública seja obrigada a suprimir certas peças jornalísticas. Caso contrário, este serviço deixaria de receber financiamento governamental.

A cobertura do coronavírus reforçou a credibilidade jornalística Ver galeria

A pandemia de Covid-19 afectou praticamente todos os sectores da sociedade e influenciou a vida dos cidadãos, um pouco por todo o mundo.

Assim, os jornalistas têm vindo a assumir um papel essencial, mantendo a  população informada sobre os impactos da doença, bem como sobre as suas mutações.

Desta forma, os “media” tradicionais voltaram a merecer a atenção e “lealdade” do público, que deixou de informar-se através das redes sociais que são, tendencialmente, uma plataforma de desinformação,

considerou o jornalista Michel Ribeiro num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Perante a actual crise sanitária, recorda o autor, o jornalismo televisivo conquistou uma audiência significativa e os jornais “online” registaram um tráfego sem precedentes. Da mesma forma, mais consumidores decidiram assinar fontes de informação fidedignas e ouvir rádio para se manterem informados.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas