null, 17 de Dezembro, 2017
Media

A solidariedade jornalística posta à prova no clima de hostilidade Trump - Media

O actual clima de hostilidade entre a Casa Branca e os media  - tendo como base de apoio os milhões de votantes que elegeram o seu titular -  pode ser contido por uma solidariedade profissional de resistência? A pergunta é posta por Gary Weiss, jornalista de investigação, na Columbia Journalism Review, e as respostas que obteve na sua pesquisa são pouco animadoras. Seja pelo lado do individualismo competitivo da própria classe, seja pelo da capacidade de intimidação de Donald Trump e dos seus apoiantes, não é fácil mobilizar uma frente comum. Um dos entrevistados diz que a situação é “assustadora”.

O autor lembra os episódios recentes, da conferência de Imprensa de 11 de Janeiro, em que o Presidente chamou fakenews à CNN e recusou responder a uma pergunta do seu repórter presente, designando ainda o BuzzFeed como “um monte de lixo a desmoronar-se”, ou do twitter de 17 de Fevereiro, em que definiu vários grandes jornais e cadeias de televisão como “o inimigo do povo americano”. 

Cita depois vários jornalistas que consultou sobre estes factos, com a questão da viabilidade de uma estratégia de solidariedade. Marvin Kalb, cujas reportagens na CNN o colocaram na lista dos “inimigos” de Richard Nixon, pensa que Trump não vai mudar na sua atitude para com os media, e estes também não: 

“Eles estão claramente no campo de batalha, dois exércitos prontos a combater, e não é [no espírito de] ‘que ganhe o melhor’.” A questão, para Kalb, é: “Pode o país sobreviver? E de que modo?” 

Gary Weiss diz que “há um lado escuro na guerra de Trump contra os media, uma espécie de guerra suja que é travada pelos seus ‘verdadeiros crentes’ contra a Imprensa, sobretudo nos territórios sombrios e anónimos da Internet; quem se atravesse no seu caminho pode tornar-se o alvo de uma campanha de difamação total”. (...) 

“O debate presente, no jornalismo como fora dele, é sobre o nível de preocupação que devem os media ter. Será Trump, essencialmente, um delicado que chama nomes, ou está a lançar as fundações de qualquer coisa muito mais escura? Edward Allwood, autor de Dark Days in the Newsroom, uma visão do tratamento da Imprensa pelo senador Joseph McCarthy, receia esta última.” 

A respeito do que sucedeu com o BuzzFeed, depois da publicação do dossier sobre Trump e a Rússia, Chip Berlet, um repórter freelance de temas políticos, disse que os jornalistas “estão a cometer os erros do passado, quando se dobram para atacar o BuzzFeed

“Denunciar a pessoa que está perto de nós, para justificar as nossas próprias credenciais, é uma táctica antiga, que provou ser desastrosa. Isso nunca acaba bem, porque a faca continua a cortar o salame.”

 

O texto original, na CJR

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

Sobre a “decadência das redacções”, a dúvida de ser jornalista Ver galeria

“A decadência das redações e a diminuição do número de alunos cursando jornalismo apontam na direção da extinção da profissão de repórter?” A pergunta é do jornalista brasileiro Carlos Wagner, que compara a situação que encontrou há 40 anos, quando começou a sua carreira de repórter de investigação, com aquela que hoje enfrentam os novos candidatos. Para a geração dos seus pais (a mãe opunha-se a que ele seguisse este caminho), “os jornalistas tinham fama de bêbados, boémios, comunistas e de ‘língua de lavadeira’.” Mas “a preocupação dos pais da geração de repórteres que entra na faculdade no próximo ano é se ainda existirá a profissão quando o filho acabar o curso”. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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03
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