Sexta-feira, 25 de Maio, 2018
Media

O futuro dos media debatido em São Paulo entre jornalistas, docentes e gestores

Jornalistas, professores de jornalismo e gestores de media estiveram reunidos em São Paulo, Brasil, na primeira realização do Newsgeist América Latina, promovido pela Google e a Fundação Knight. O objectivo era, como disse a Folha de S. Paulo, “discutir o futuro da indústria jornalística”. A síntese do evento, contada no site ObjEthos, definiu cinco tendências no debate realizado e, para apresentar o que se passou, basta aqui dizer que a primeira era uma palavra  – fakenews, e a última uma pergunta –  o que é o jornalismo, afinal?

O artigo que citamos conta que o formato do encontro, “sem temas pré-definidos e baseado em conversas horizontais, e a mistura de indústria tradicional + plataformas de tecnologia + empreendedores do jornalismo + académicos”, acabou por proporcionar “debates instigantes”.

Breve nota sobre os cinco pontos mais salientes:

  1. Fakenews.  Tanto a Google como o Facebook, que também esteve presente, mostram-se preocupados com as repercussões do fenómeno das “notícias falsas” sobre a sua imagem. “Alvejados por jornalistas e publishers, que acusam as plataformas de permitir a expansão das notícias falsas, Google e Facebook admitem que são parte do esforço contra o deterioramento da esfera pública, mas negam a condição de editores de media.” O vice-presidente de News da Google, Richard Gingras, foi entrevistado pela Folha de S. Paulo, e as suas declarações podem ser lidas neste vídeo, com legendas em português.
  2. Colaboração.  Os jornalistas estão a tomar consciência de que, com “cada vez menos recursos”, precisam de pôr de lado a competição e reunir forças. “Como tornar possíveis novos Panamá Papers? Jornalistas independentes não deveriam formar uma rede para compartilhar fontes, apurações, histórias?”
  3. Startups jornalísticas.  Estavam presentes algumas das mais conhecidas iniciativas brasileiras neste campo, como Nexo, JOTA, Canal Meio, Ponte e Agência Pública. “Faltam modelos, planeamento e estímulo aos jornalistas empreendedores. Como incubar novos negócios de modo a dar-lhes preparo e condições para se desenvolver e inovar?” Ficou a promessa de criação de um grupo para ampliar e aprofundar os debates no Brasil.
  4. Olho no retrovisor.  Tanto os administradores como os editores dos meios tradicionais procuram descobrir “o novo modelo de negócios que vai lhes garantir sobrevivência. Paywall, conteúdos patrocinados e métricas de audiência, de entre outros temas, geram debates que sempre voltam ao mesmo lugar: quem vai pagar a conta?”
  5. O que é o jornalismo, afinal? Que valor entregamos à sociedade? E para que serve? “Nas melhores sessões sobre cenários futuros, questões profundas como essas surgiram naturalmente, sem que fossem discutidas exaustivamente. O ecossistema pós-industrial expõe nossas fraquezas conceituais e, no caso brasileiro, denuncia o abismo entre mercado e academia. O jornalismo do futuro não virá de drones, realidade virtual ou aplicativos de celular, mas das melhores respostas para estas perguntas.”

 

Mais informação no artigo original, no ObjEthos, de onde colhemos a imagem utilizada

Connosco
Os jornalistas têm o dever de resistir à manipulação Ver galeria

A opinião pública é hoje atingida pelo “maior caudal informativo da História”, mas esta informação chega aos cidadãos “cheia de verdades e mentiras, de realidade e ficção, de razões e emoções, muitas vezes parcial e sem contexto”. Um relativismo crescente provoca “que se confunda o verosímil com o verdadeiro, sem qualquer verificação”; e “dilui as fronteiras entre a verdade e a mentira, reduzindo a zero o valor moral da primeira e a recusa da segunda”.

Por estes motivos, “o jornalismo do futuro, sem o qual não podemos imaginar uma sociedade aberta com cidadãos livres, enfrenta agora o desafio de restaurar o valor e o mérito da verdade”. É esta a reflexão estruturante de um trabalho do jornalista Fernando González Urbaneja, na 35ª edição da revista Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Mário Centeno: “Há sempre alternativas”, mas “os riscos estão sempre presentes” Ver galeria

O exercício de cargos de governo “é uma missão de serviço público” e, portanto, de “representação de escolhas colectivas”, as quais devem ser feitas entre opções bem clarificadas perante a sociedade. Porque “há sempre alternativas”. Mas é também verdade que a alternativa pode significar opções de “regresso a algo por que Portugal já passou”, sabendo que “os riscos estão sempre presentes”. Foi esta a linha de discurso de Mário Centeno, Ministro das Finanças, orador convidado no jantar-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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