Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

O futuro dos media debatido em São Paulo entre jornalistas, docentes e gestores

Jornalistas, professores de jornalismo e gestores de media estiveram reunidos em São Paulo, Brasil, na primeira realização do Newsgeist América Latina, promovido pela Google e a Fundação Knight. O objectivo era, como disse a Folha de S. Paulo, “discutir o futuro da indústria jornalística”. A síntese do evento, contada no site ObjEthos, definiu cinco tendências no debate realizado e, para apresentar o que se passou, basta aqui dizer que a primeira era uma palavra  – fakenews, e a última uma pergunta –  o que é o jornalismo, afinal?

O artigo que citamos conta que o formato do encontro, “sem temas pré-definidos e baseado em conversas horizontais, e a mistura de indústria tradicional + plataformas de tecnologia + empreendedores do jornalismo + académicos”, acabou por proporcionar “debates instigantes”.

Breve nota sobre os cinco pontos mais salientes:

  1. Fakenews.  Tanto a Google como o Facebook, que também esteve presente, mostram-se preocupados com as repercussões do fenómeno das “notícias falsas” sobre a sua imagem. “Alvejados por jornalistas e publishers, que acusam as plataformas de permitir a expansão das notícias falsas, Google e Facebook admitem que são parte do esforço contra o deterioramento da esfera pública, mas negam a condição de editores de media.” O vice-presidente de News da Google, Richard Gingras, foi entrevistado pela Folha de S. Paulo, e as suas declarações podem ser lidas neste vídeo, com legendas em português.
  2. Colaboração.  Os jornalistas estão a tomar consciência de que, com “cada vez menos recursos”, precisam de pôr de lado a competição e reunir forças. “Como tornar possíveis novos Panamá Papers? Jornalistas independentes não deveriam formar uma rede para compartilhar fontes, apurações, histórias?”
  3. Startups jornalísticas.  Estavam presentes algumas das mais conhecidas iniciativas brasileiras neste campo, como Nexo, JOTA, Canal Meio, Ponte e Agência Pública. “Faltam modelos, planeamento e estímulo aos jornalistas empreendedores. Como incubar novos negócios de modo a dar-lhes preparo e condições para se desenvolver e inovar?” Ficou a promessa de criação de um grupo para ampliar e aprofundar os debates no Brasil.
  4. Olho no retrovisor.  Tanto os administradores como os editores dos meios tradicionais procuram descobrir “o novo modelo de negócios que vai lhes garantir sobrevivência. Paywall, conteúdos patrocinados e métricas de audiência, de entre outros temas, geram debates que sempre voltam ao mesmo lugar: quem vai pagar a conta?”
  5. O que é o jornalismo, afinal? Que valor entregamos à sociedade? E para que serve? “Nas melhores sessões sobre cenários futuros, questões profundas como essas surgiram naturalmente, sem que fossem discutidas exaustivamente. O ecossistema pós-industrial expõe nossas fraquezas conceituais e, no caso brasileiro, denuncia o abismo entre mercado e academia. O jornalismo do futuro não virá de drones, realidade virtual ou aplicativos de celular, mas das melhores respostas para estas perguntas.”

 

Mais informação no artigo original, no ObjEthos, de onde colhemos a imagem utilizada

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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