null, 17 de Dezembro, 2017
Media

O futuro dos media debatido em São Paulo entre jornalistas, docentes e gestores

Jornalistas, professores de jornalismo e gestores de media estiveram reunidos em São Paulo, Brasil, na primeira realização do Newsgeist América Latina, promovido pela Google e a Fundação Knight. O objectivo era, como disse a Folha de S. Paulo, “discutir o futuro da indústria jornalística”. A síntese do evento, contada no site ObjEthos, definiu cinco tendências no debate realizado e, para apresentar o que se passou, basta aqui dizer que a primeira era uma palavra  – fakenews, e a última uma pergunta –  o que é o jornalismo, afinal?

O artigo que citamos conta que o formato do encontro, “sem temas pré-definidos e baseado em conversas horizontais, e a mistura de indústria tradicional + plataformas de tecnologia + empreendedores do jornalismo + académicos”, acabou por proporcionar “debates instigantes”.

Breve nota sobre os cinco pontos mais salientes:

  1. Fakenews.  Tanto a Google como o Facebook, que também esteve presente, mostram-se preocupados com as repercussões do fenómeno das “notícias falsas” sobre a sua imagem. “Alvejados por jornalistas e publishers, que acusam as plataformas de permitir a expansão das notícias falsas, Google e Facebook admitem que são parte do esforço contra o deterioramento da esfera pública, mas negam a condição de editores de media.” O vice-presidente de News da Google, Richard Gingras, foi entrevistado pela Folha de S. Paulo, e as suas declarações podem ser lidas neste vídeo, com legendas em português.
  2. Colaboração.  Os jornalistas estão a tomar consciência de que, com “cada vez menos recursos”, precisam de pôr de lado a competição e reunir forças. “Como tornar possíveis novos Panamá Papers? Jornalistas independentes não deveriam formar uma rede para compartilhar fontes, apurações, histórias?”
  3. Startups jornalísticas.  Estavam presentes algumas das mais conhecidas iniciativas brasileiras neste campo, como Nexo, JOTA, Canal Meio, Ponte e Agência Pública. “Faltam modelos, planeamento e estímulo aos jornalistas empreendedores. Como incubar novos negócios de modo a dar-lhes preparo e condições para se desenvolver e inovar?” Ficou a promessa de criação de um grupo para ampliar e aprofundar os debates no Brasil.
  4. Olho no retrovisor.  Tanto os administradores como os editores dos meios tradicionais procuram descobrir “o novo modelo de negócios que vai lhes garantir sobrevivência. Paywall, conteúdos patrocinados e métricas de audiência, de entre outros temas, geram debates que sempre voltam ao mesmo lugar: quem vai pagar a conta?”
  5. O que é o jornalismo, afinal? Que valor entregamos à sociedade? E para que serve? “Nas melhores sessões sobre cenários futuros, questões profundas como essas surgiram naturalmente, sem que fossem discutidas exaustivamente. O ecossistema pós-industrial expõe nossas fraquezas conceituais e, no caso brasileiro, denuncia o abismo entre mercado e academia. O jornalismo do futuro não virá de drones, realidade virtual ou aplicativos de celular, mas das melhores respostas para estas perguntas.”

 

Mais informação no artigo original, no ObjEthos, de onde colhemos a imagem utilizada

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

Sobre a “decadência das redacções”, a dúvida de ser jornalista Ver galeria

“A decadência das redações e a diminuição do número de alunos cursando jornalismo apontam na direção da extinção da profissão de repórter?” A pergunta é do jornalista brasileiro Carlos Wagner, que compara a situação que encontrou há 40 anos, quando começou a sua carreira de repórter de investigação, com aquela que hoje enfrentam os novos candidatos. Para a geração dos seus pais (a mãe opunha-se a que ele seguisse este caminho), “os jornalistas tinham fama de bêbados, boémios, comunistas e de ‘língua de lavadeira’.” Mas “a preocupação dos pais da geração de repórteres que entra na faculdade no próximo ano é se ainda existirá a profissão quando o filho acabar o curso”. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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03
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