Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Mundo

Cientista criador da Web celebra aniversário da Rede e analisa riscos

Quase três décadas volvidas a história parece curta na sua dimensão, mas, para os que temos vivido as suas consequências, são um período cheio de conquistas, de surpresas e inquietações. Celebrando o 28º aniversário da fundação da World Wide Web, Sir Tim Berners-Lee, considerado o seu criador, aponta os três principais desafios que se põem ao funcionamento da Rede e à segurança dos seus utilizadores: a perda de privacidade, a desinformação e a propaganda política sem controlo ético. 

Em texto publicado no site da Fundação Web, o cientista “frisa que a propaganda política se tornou rapidamente numa indústria sofisticada, à custa da grande quantidade de dados pessoais disponíveis na rede, e alerta que as campanhas fazem-se cada vez mais através de anúncios personalizados dirigidos aos utilizadores”.  

Segundo o Público, que aqui citamos, “o problema é que há indícios de que alguns anúncios políticos  – nos Estados Unidos e em todo o mundo –  ‘estão a ser usados de forma anti-ética’, conduzindo os eleitores para sites de notícias falsas ou mantendo outros eleitores afastados das sondagens”. 

Tim Berners-Lee defende que é preciso maior transparência em relação aos algoritmos, “para perceber como é que são tomadas decisões importantes que afectam as nossas vidas e, eventualmente, criar um conjunto de princípios comuns que devem ser seguidos”. 

O primeiro risco para que chama a atenção decorre do facto de os cidadãos terem perdido o controlo em relação aos dados pessoais, dando como exemplo os sites que oferecem conteúdos de forma gratuita em troca do registo dos utilizadores. “É uma ‘armadilha’, avisa, deixar uma grande quantidade de dados espalhadas por companhias como a Google, o Facebook ou a Amazon, que controlam essa informação. O segundo risco tem a ver com a rapidez com que a desinformação e as notícias falsas se espalham através da rede”. 


 

O artigo original de Tim Berners-Lee, em cinco línguas, incluindo o Português

Connosco
Bettany Hugues defendeu a importância da memória na construção do futuro e da paz Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Para Alberto Dines, “o jornalismo era o próprio sentido da vida” Ver galeria

Cada história é uma vida, e algumas delas são muito especiais. “Alberto Dines foi autor e protagonista de uma dessas trajectórias incomuns: um intelectual visceral, que usou a sua inteligência e lucidez não para disputar uma partida, mas para mudar o jogo.” Sob o título “Uma vida sem ponto final”, um dos seus numerosos discípulos, Bruno Thys, evoca com a saudade de uma relação muito pessoal o percurso e obra de Alberto Dines, falecido em São Paulo em Maio deste ano.

O autor do texto que citamos valoriza uma parte da biografia menos mencionada de Alberto Dines, a que o coloca numa linhagem de judeus emigrados de uma Europa em várias convulsões:

“Dines tornou-se uma das mais cintilantes estrelas de sua geração, a primeira de judeus nascidos no Brasil. (...) Da geração de seus pais, herdou a cultura ancestral. Dines tinha sólida formação humanística e as suas raízes remontam à Haskalá, o iluminismo judaico que floresceu na Europa Ocidental nos séculos XVIII e XIX. Este movimento pregava a interacção da sabedoria judaica com a cultura europeia e produziu nomes como Einstein, Freud, Herzel e Stefan Zweig, o grande biógrafo austríaco, que, muitos anos depois, seria biografado por Dines.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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