Sexta-feira, 22 de Março, 2019
Mundo

Cientista criador da Web celebra aniversário da Rede e analisa riscos

Quase três décadas volvidas a história parece curta na sua dimensão, mas, para os que temos vivido as suas consequências, são um período cheio de conquistas, de surpresas e inquietações. Celebrando o 28º aniversário da fundação da World Wide Web, Sir Tim Berners-Lee, considerado o seu criador, aponta os três principais desafios que se põem ao funcionamento da Rede e à segurança dos seus utilizadores: a perda de privacidade, a desinformação e a propaganda política sem controlo ético. 

Em texto publicado no site da Fundação Web, o cientista “frisa que a propaganda política se tornou rapidamente numa indústria sofisticada, à custa da grande quantidade de dados pessoais disponíveis na rede, e alerta que as campanhas fazem-se cada vez mais através de anúncios personalizados dirigidos aos utilizadores”.  

Segundo o Público, que aqui citamos, “o problema é que há indícios de que alguns anúncios políticos  – nos Estados Unidos e em todo o mundo –  ‘estão a ser usados de forma anti-ética’, conduzindo os eleitores para sites de notícias falsas ou mantendo outros eleitores afastados das sondagens”. 

Tim Berners-Lee defende que é preciso maior transparência em relação aos algoritmos, “para perceber como é que são tomadas decisões importantes que afectam as nossas vidas e, eventualmente, criar um conjunto de princípios comuns que devem ser seguidos”. 

O primeiro risco para que chama a atenção decorre do facto de os cidadãos terem perdido o controlo em relação aos dados pessoais, dando como exemplo os sites que oferecem conteúdos de forma gratuita em troca do registo dos utilizadores. “É uma ‘armadilha’, avisa, deixar uma grande quantidade de dados espalhadas por companhias como a Google, o Facebook ou a Amazon, que controlam essa informação. O segundo risco tem a ver com a rapidez com que a desinformação e as notícias falsas se espalham através da rede”. 


 

O artigo original de Tim Berners-Lee, em cinco línguas, incluindo o Português

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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