Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
Media

Especialista da BBC preocupado com as várias formas de intimidação de jornalistas

Os novos meios colocados pela informática ao dispor do jornalismo podem ser usados para o bem como para o mal. Decorre daqui que os próprios jornalistas estão mais expostos a ser intimidados, mas também que podem cometer erros que atinjam pessoas inocentes. O direito à privacidade e o dever de revelar a verdade colocam-se, perante o jornalista de investigação, num “equilíbrio delicado”. Esta reflexão é de Paul Myers, que dirige o departamento de Apoio à Investigação da BBC.

Segundo conta o próprio, a sua paixão de juventude eram “os segredos, os computadores e a comunicação”. Usou a Internet pela primeira vez em 1978, no mesmo ano em que começou a trabalhar para uma rádio-pirata. 

“Quando fui para o departamento de investigação sobre Informação da BBC, no princípio de 1995, a rede www ainda estava muito na infância. Tendo formação em computadores, procurei imediatamente aproveitar o poder da Internet para resolver problemas jornalísticos. Era muito gratificante ajudar na investigação, utilizando as minhas competências únicas para encontrar a informação e estabelecer ligações que mais ninguém conseguia.” 

Questionado sobre os problemas actuais do jornalismo, Paul Myers responde:

“Agora há muita intimidação dos jornalistas. Intimidação vinda dos governos, de empresas, de extremistas políticos ou de bandos organizados de brutos agindo por conta própria. Assim, é fácil ir pelo ‘fruto que está à mão’ e evitar conflitos, e eu compreendo perfeitamente e respeito aqueles que não querem colocar-se pessoalmente na linha de fogo.” 

“Mas as empresas noticiosas não deviam deixar-se intimidar. Deviam cobrir os assuntos com diligência, com coragem e sem preconceitos. Do mesmo modo, não deviam ter medo de cobrir assuntos que sejam sensíveis, ou que ponham em causa crenças populares.” 

Sobre as novas capacidades postas ao nosso dispor pela revolução digital, Paul Myers reconhece que elas permitem que qualquer pessoa, “em circunstâncias extraordinárias, se torne repórter”:

“Vivemos tempos excitantes, com uma grande quantidade de novas oportunidades, desafios, obstáculos e armadilhas.” 

A pergunta difícil ficou para o fim, e era como se pode reconciliar “o imperativo moral da privacidade pessoal com a necessidade de obter informação pessoal, numa investigação”. A resposta de Paul Myers: 

“Claro que o público tem de ter consciência de que a privacidade é actualmente um assunto complicado e sério. Todos precisamos de verificar os nossos padrões de privacidade nas redes sociais. Devemos ter o direito de exigir que os nossos dados não sejam utilizados por terceira parte contra os nossos desejos, e a legislação deve apoiar isto.” 

“Para os jornalistas de investigação, é um ‘equilíbrio delicado’. Precisamos de estar certos a respeito de quem investigamos, e porquê. Precisamos de ser extremamente sensíveis quando elaboramos reportagens. E nunca devemos expor pessoas inocentes ao ataque e ao ridículo.”

 

A entrevista original na Global Investigative Journalism Network, que cita, por sua vez, o Media Power Monitor; o site da BBC, de onde colhemos as imagens utilizadas

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Composição Fotográfica
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09:00 @ Lagos, Nigéria
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Set