Sexta-feira, 25 de Maio, 2018
Media

Especialista da BBC preocupado com as várias formas de intimidação de jornalistas

Os novos meios colocados pela informática ao dispor do jornalismo podem ser usados para o bem como para o mal. Decorre daqui que os próprios jornalistas estão mais expostos a ser intimidados, mas também que podem cometer erros que atinjam pessoas inocentes. O direito à privacidade e o dever de revelar a verdade colocam-se, perante o jornalista de investigação, num “equilíbrio delicado”. Esta reflexão é de Paul Myers, que dirige o departamento de Apoio à Investigação da BBC.

Segundo conta o próprio, a sua paixão de juventude eram “os segredos, os computadores e a comunicação”. Usou a Internet pela primeira vez em 1978, no mesmo ano em que começou a trabalhar para uma rádio-pirata. 

“Quando fui para o departamento de investigação sobre Informação da BBC, no princípio de 1995, a rede www ainda estava muito na infância. Tendo formação em computadores, procurei imediatamente aproveitar o poder da Internet para resolver problemas jornalísticos. Era muito gratificante ajudar na investigação, utilizando as minhas competências únicas para encontrar a informação e estabelecer ligações que mais ninguém conseguia.” 

Questionado sobre os problemas actuais do jornalismo, Paul Myers responde:

“Agora há muita intimidação dos jornalistas. Intimidação vinda dos governos, de empresas, de extremistas políticos ou de bandos organizados de brutos agindo por conta própria. Assim, é fácil ir pelo ‘fruto que está à mão’ e evitar conflitos, e eu compreendo perfeitamente e respeito aqueles que não querem colocar-se pessoalmente na linha de fogo.” 

“Mas as empresas noticiosas não deviam deixar-se intimidar. Deviam cobrir os assuntos com diligência, com coragem e sem preconceitos. Do mesmo modo, não deviam ter medo de cobrir assuntos que sejam sensíveis, ou que ponham em causa crenças populares.” 

Sobre as novas capacidades postas ao nosso dispor pela revolução digital, Paul Myers reconhece que elas permitem que qualquer pessoa, “em circunstâncias extraordinárias, se torne repórter”:

“Vivemos tempos excitantes, com uma grande quantidade de novas oportunidades, desafios, obstáculos e armadilhas.” 

A pergunta difícil ficou para o fim, e era como se pode reconciliar “o imperativo moral da privacidade pessoal com a necessidade de obter informação pessoal, numa investigação”. A resposta de Paul Myers: 

“Claro que o público tem de ter consciência de que a privacidade é actualmente um assunto complicado e sério. Todos precisamos de verificar os nossos padrões de privacidade nas redes sociais. Devemos ter o direito de exigir que os nossos dados não sejam utilizados por terceira parte contra os nossos desejos, e a legislação deve apoiar isto.” 

“Para os jornalistas de investigação, é um ‘equilíbrio delicado’. Precisamos de estar certos a respeito de quem investigamos, e porquê. Precisamos de ser extremamente sensíveis quando elaboramos reportagens. E nunca devemos expor pessoas inocentes ao ataque e ao ridículo.”

 

A entrevista original na Global Investigative Journalism Network, que cita, por sua vez, o Media Power Monitor; o site da BBC, de onde colhemos as imagens utilizadas

Connosco
Os jornalistas têm o dever de resistir à manipulação Ver galeria

A opinião pública é hoje atingida pelo “maior caudal informativo da História”, mas esta informação chega aos cidadãos “cheia de verdades e mentiras, de realidade e ficção, de razões e emoções, muitas vezes parcial e sem contexto”. Um relativismo crescente provoca “que se confunda o verosímil com o verdadeiro, sem qualquer verificação”; e “dilui as fronteiras entre a verdade e a mentira, reduzindo a zero o valor moral da primeira e a recusa da segunda”.

Por estes motivos, “o jornalismo do futuro, sem o qual não podemos imaginar uma sociedade aberta com cidadãos livres, enfrenta agora o desafio de restaurar o valor e o mérito da verdade”. É esta a reflexão estruturante de um trabalho do jornalista Fernando González Urbaneja, na 35ª edição da revista Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Mário Centeno: “Há sempre alternativas”, mas “os riscos estão sempre presentes” Ver galeria

O exercício de cargos de governo “é uma missão de serviço público” e, portanto, de “representação de escolhas colectivas”, as quais devem ser feitas entre opções bem clarificadas perante a sociedade. Porque “há sempre alternativas”. Mas é também verdade que a alternativa pode significar opções de “regresso a algo por que Portugal já passou”, sabendo que “os riscos estão sempre presentes”. Foi esta a linha de discurso de Mário Centeno, Ministro das Finanças, orador convidado no jantar-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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