null, 25 de Junho, 2017
Media

Especialista da BBC preocupado com as várias formas de intimidação de jornalistas

Os novos meios colocados pela informática ao dispor do jornalismo podem ser usados para o bem como para o mal. Decorre daqui que os próprios jornalistas estão mais expostos a ser intimidados, mas também que podem cometer erros que atinjam pessoas inocentes. O direito à privacidade e o dever de revelar a verdade colocam-se, perante o jornalista de investigação, num “equilíbrio delicado”. Esta reflexão é de Paul Myers, que dirige o departamento de Apoio à Investigação da BBC.

Segundo conta o próprio, a sua paixão de juventude eram “os segredos, os computadores e a comunicação”. Usou a Internet pela primeira vez em 1978, no mesmo ano em que começou a trabalhar para uma rádio-pirata. 

“Quando fui para o departamento de investigação sobre Informação da BBC, no princípio de 1995, a rede www ainda estava muito na infância. Tendo formação em computadores, procurei imediatamente aproveitar o poder da Internet para resolver problemas jornalísticos. Era muito gratificante ajudar na investigação, utilizando as minhas competências únicas para encontrar a informação e estabelecer ligações que mais ninguém conseguia.” 

Questionado sobre os problemas actuais do jornalismo, Paul Myers responde:

“Agora há muita intimidação dos jornalistas. Intimidação vinda dos governos, de empresas, de extremistas políticos ou de bandos organizados de brutos agindo por conta própria. Assim, é fácil ir pelo ‘fruto que está à mão’ e evitar conflitos, e eu compreendo perfeitamente e respeito aqueles que não querem colocar-se pessoalmente na linha de fogo.” 

“Mas as empresas noticiosas não deviam deixar-se intimidar. Deviam cobrir os assuntos com diligência, com coragem e sem preconceitos. Do mesmo modo, não deviam ter medo de cobrir assuntos que sejam sensíveis, ou que ponham em causa crenças populares.” 

Sobre as novas capacidades postas ao nosso dispor pela revolução digital, Paul Myers reconhece que elas permitem que qualquer pessoa, “em circunstâncias extraordinárias, se torne repórter”:

“Vivemos tempos excitantes, com uma grande quantidade de novas oportunidades, desafios, obstáculos e armadilhas.” 

A pergunta difícil ficou para o fim, e era como se pode reconciliar “o imperativo moral da privacidade pessoal com a necessidade de obter informação pessoal, numa investigação”. A resposta de Paul Myers: 

“Claro que o público tem de ter consciência de que a privacidade é actualmente um assunto complicado e sério. Todos precisamos de verificar os nossos padrões de privacidade nas redes sociais. Devemos ter o direito de exigir que os nossos dados não sejam utilizados por terceira parte contra os nossos desejos, e a legislação deve apoiar isto.” 

“Para os jornalistas de investigação, é um ‘equilíbrio delicado’. Precisamos de estar certos a respeito de quem investigamos, e porquê. Precisamos de ser extremamente sensíveis quando elaboramos reportagens. E nunca devemos expor pessoas inocentes ao ataque e ao ridículo.”

 

A entrevista original na Global Investigative Journalism Network, que cita, por sua vez, o Media Power Monitor; o site da BBC, de onde colhemos as imagens utilizadas

Connosco
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Portugal aparece no segundo lugar entre os países europeus, logo a seguir à Finlândia, no índice de confiança nas notícias (ficando o Brasil entre os dois). A Finlândia atinge os 62%, Portugal chega aos 58%, e os países mais em baixo, Grécia e Coreia do Sul, ficam nos 23%. Estes são alguns números do Digital News Report 2017 do Reuters Institute, que sublinha no texto de sumário que “a revolução digital está cheia de contradições e excepções” e que as diferenças para cada país podem ser procuradas nas páginas que lhes são dedicadas, no desenvolvimento do relatório.

O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
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Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França