Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
Media

Noruegueses entendem ser vital para a democracia restaurar a confiança nos Media

Os principais grupos de media noruegueses estão a lançar uma campanha de sensibilização para explicar, num minuto, a importância do pluralismo e de um jornalismo independente e credível. Todas as empresas noticiosas foram convidadas a aderir e na sua maioria aceitaram participar, escrevendo textos de opinião que aparecem na forma de anúncios, em jornais impressos como digitais, e na forma de vídeos. Estes conteúdos são especialmente dirigidos aos estudantes, para os alertar sobre “o papel do jornalismo nas sociedades democráticas e a importância de uma Imprensa independente livre”.

Este esforço parte de uma cooperação entre o Tinius Trust (maior accionista do grupo Schibsted) e o Amedia-Trust (que detém o grupo Amedia). Ambos criaram uma base semi-acabada para as colunas dos jornais impressos e os anúncios e videos digitais, “para permitir aos editores e repórteres acrescentarem aí as suas contribuições”. 

Bernt Olufsen, que foi editor principal do diário de expansão nacional Verdens Gang e pertence à direcção da Ethical Journalism Network, diz que é vital para a democracia restaurar a confiança nos media: “Um jornalismo de alta qualidade, nos media, tem de tornar-se um certificado de credibilidade.”   

“Iniciativas como esta campanha vão ajudar-nos a avançar. Nos últimos dois ou três anos, os jornais nacionais, como os regionais e locais, têm estado a encolher. Foi enfraquecido o poder da reportagem independente. A informação que chega ao público brota na forma de fragmentos da realidade. A questão é com que tipo de jornalismo estaremos em 2020. É muito bom saber que os diferentes media e as empresas na Noruega estão a reunir forças para espalhar uma mensagem importante para a sociedade.”

 

A notícia original, na Ethical Journalism Network

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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