Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
Media

Jornal gratuito “Metro” tornou-se o mais lido no Reino Unido

Desde o inicio do debate sobre o Brexit que os jornais britânicos têm vindo a ser acusados de tomar partido nesta matéria politica. No entanto -  como refere Miriam Garcimartin num artigo publicado no site media-tics - há, pelo menos, um jornal que se mantém neutro, e que por isso tem tido maior audiência.

O Metro já ultrapassou o The Sun, sendo actualmente o diário impresso mais lido no Reino Unido. O jornal gratuito regista 10.4 milhões de leitores por mês, enquanto que o tabloide se ficou pelos 10,1 milhões.

No entanto, se somarmos a internet e o papel, é o The Daily Mail que alcança maior número de leitores, com 29 milhões por mês, seguido pelo The Sun, com 26,2 milhões. Já o The Guardian desceu para quarto lugar por causa da quebra de audiências no digital.

O Metro tornou-se um jornal atraente por ter sido o único a manter-se neutro nas grandes questões politicas; não inclui nas suas páginas artigos de opinião e não toma partido por nenhuma das opções, apesar de o editor do Grupo, Paul Dacre, ser um convicto defensor da esquerda britânica.

O diário é distribuído em várias cidades e junto de um publico mais jovem e liberal. A sua filosofia é a de manter os cidadãos informados, para que sejam eles a tomar as suas decisões.

Apesar da subida de audiências do Metro, houve uma diminuição de 9% no número de leitores, enquanto que os outros títulos do Grupo, The Daily Mail e The Mail on Sunday, apresentaram apenas uma descida de 3%.

A diferença nas receitas também é enorme: 65 milhões de libras no gratuito e 484 milhões nos pagos, e é provocada pela diminuição da publicidade nos suportes impressos, bem como por a libra mais fraca e pela subida do custo do papel.

 

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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