Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

Um veterano “fact-checker” americano conta a história desta nova ferramenta do jornalismo

Foi em 2016 que o Dicionário de Oxford consagrou a expressão “pós-verdade” como a palavra do ano, como corolário à ideia de que os factos objectivos se tornaram “menos influentes na formação da opinião pública do que os apelos à emoção e a convicção pessoal”. Este facto, mais a recente popularização dos conceitos de fakenews e dos “factos alternativos”, deram novo protagonismo à “verificação dos factos” como uma especialização dentro das redacções. Peter Canby, o mais importante veterano dos fact-checkers ainda em funções, na revista The New Yorker desde 1978, conta como era no princípio.

Conforme explicou a uma sala apinhada, na Columbia Journalism School, em Nova Iorque, as coisas mudaram muito, a equipa a que pertence tem hoje o dobro dos efectivos e pelo menos metade deles falam uma segunda língua, incluindo dois que falam russo e um que é fluente em árabe. 

A importância do fact-checking deu um salto a propósito de uma questão sobre citações de Sigmund Freud, que chegou ao Supremo Tribunal, com um despacho que  - como descreve Peter Canby -  “dizia basicamente que as revistas eram responsáveis pelas citações [que publicavam] de um modo como não tinha sido visto”. Foi a partir daí que se passou a guardar todo o material das entrevistas, incluindo notas, fitas gravadas e transcrições. 

Sobre a situação actual, diz Peter Canby:

“As pessoas que nunca estiveram envolvidas no jornalismo, ou na ‘verificação de factos’, pensam que o mundo está dividido entre factos e opiniões, e que os fact-checkers tratam apenas dos factos. Para nós, a maior complexidade é a daquilo em que pensamos como sendo opiniões baseadas em factos. O modo como se constrói uma argumentação, se houver ingredientes que estejam notoriamente em falta, isso é qualquer coisa que nós vamos buscar.” 

Foram recordados episódios que ilustram até que ponto se pode chegar em termos de fact-checking. Numa reportagem sobre um grupo de tropas especiais iraquianas, que tinham sofrido às mãos de terroristas e estavam envolvidas na batalha de Mossul, os membros da equipa de fact-checkers tinham de contactar 42 pessoas mencionadas: 

“Todos eles tinham telemóveis”  -  contou Canby. “Os nossos fact-checkers ligavam e eles respondiam  -  Desculpe, mas estamos em combate. Pode ligar mais tarde?” 

As dificuldades em obter resposta dos gabinetes da Casa Branca, nos tempos que correm, são de outra natureza. Mas Peter Canby afirma:

“Nós pensamos que é muito importante, mesmo quando sabemos que não vamos ter resposta da Casa Branca, agir como se fôssemos tê-la.”


O artigo original, na Columbia Journalism Review, a que pertence também a imagem utilizada

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