Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
Media

Um veterano “fact-checker” americano conta a história desta nova ferramenta do jornalismo

Foi em 2016 que o Dicionário de Oxford consagrou a expressão “pós-verdade” como a palavra do ano, como corolário à ideia de que os factos objectivos se tornaram “menos influentes na formação da opinião pública do que os apelos à emoção e a convicção pessoal”. Este facto, mais a recente popularização dos conceitos de fakenews e dos “factos alternativos”, deram novo protagonismo à “verificação dos factos” como uma especialização dentro das redacções. Peter Canby, o mais importante veterano dos fact-checkers ainda em funções, na revista The New Yorker desde 1978, conta como era no princípio.

Conforme explicou a uma sala apinhada, na Columbia Journalism School, em Nova Iorque, as coisas mudaram muito, a equipa a que pertence tem hoje o dobro dos efectivos e pelo menos metade deles falam uma segunda língua, incluindo dois que falam russo e um que é fluente em árabe. 

A importância do fact-checking deu um salto a propósito de uma questão sobre citações de Sigmund Freud, que chegou ao Supremo Tribunal, com um despacho que  - como descreve Peter Canby -  “dizia basicamente que as revistas eram responsáveis pelas citações [que publicavam] de um modo como não tinha sido visto”. Foi a partir daí que se passou a guardar todo o material das entrevistas, incluindo notas, fitas gravadas e transcrições. 

Sobre a situação actual, diz Peter Canby:

“As pessoas que nunca estiveram envolvidas no jornalismo, ou na ‘verificação de factos’, pensam que o mundo está dividido entre factos e opiniões, e que os fact-checkers tratam apenas dos factos. Para nós, a maior complexidade é a daquilo em que pensamos como sendo opiniões baseadas em factos. O modo como se constrói uma argumentação, se houver ingredientes que estejam notoriamente em falta, isso é qualquer coisa que nós vamos buscar.” 

Foram recordados episódios que ilustram até que ponto se pode chegar em termos de fact-checking. Numa reportagem sobre um grupo de tropas especiais iraquianas, que tinham sofrido às mãos de terroristas e estavam envolvidas na batalha de Mossul, os membros da equipa de fact-checkers tinham de contactar 42 pessoas mencionadas: 

“Todos eles tinham telemóveis”  -  contou Canby. “Os nossos fact-checkers ligavam e eles respondiam  -  Desculpe, mas estamos em combate. Pode ligar mais tarde?” 

As dificuldades em obter resposta dos gabinetes da Casa Branca, nos tempos que correm, são de outra natureza. Mas Peter Canby afirma:

“Nós pensamos que é muito importante, mesmo quando sabemos que não vamos ter resposta da Casa Branca, agir como se fôssemos tê-la.”


O artigo original, na Columbia Journalism Review, a que pertence também a imagem utilizada

Connosco
Relatório assinala em Espanha quebra do consumo de TV por assinatura Ver galeria

O consumo doméstico de televisão por assinatura em Espanha, no ano de 2016, foi de 14,5 euros por mês, por habitação, o que significa quase 21% do seu gasto total em tecnologias de informação e comunicação. Esta quantia é 6,5% inferior à de 2015, que se situava numa média de 15,4%. Os dados são do relatório La sociedad en red 2016, elaborado pelo Observatorio Nacional de las Tecnologías de la Sociedad de la Información (ONTSI).

As imagens e as palavras depois da tragédia Ver galeria

A tragédia causada pelos incêndios no centro e norte do País, neste domingo 15 de Outubro, já considerado “o pior dia do ano” em número de ocorrências (mais de 500), simultâneas ou consecutivas, é retratado nas primeiras páginas dos jornais de 17. Quase todos destacam os números das vítimas, somando as de agora às de Pedrógão. Os dois jornais que usam a mesma foto, de três mulheres junto de uma casa destruída, abraçando-se ao lado de uma menina, são também os que procuram as palavras fortes para caracterizar o ocorrido: “Imperdoável” (Correio da Manhã); “Cem mortes sem desculpa” (Jornal de Notícias). 

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


ver mais >
Opinião
A comunicação social e a Catalunha
Francisco Sarsfield Cabral
A crise da Catalunha foi, em grande parte, feita para a comunicação social. Os independentistas catalães estavam nos últimos anos a perder adeptos. Uma forma de atrair para a causa os moderados seria provocar Madrid a usar a força policial na região e em particular em Barcelona. Correram mundo as imagens televisivas de polícias nacionais a carregar sobre pessoas que queriam votar no simulacro de referendo. O que descredibilizou...
Ao completar 25 anos, a SIC  cresceu, mas não se emancipou nem libertou o seu criador de preocupações. Francisco Pinto Balsemão, com 80 anos feitos, merecia um sossego que não tem, perante a crise que atingiu o Grupo de media que construiu do zero . Balsemão ganhou vários desafios, alguns deles complexos, desde que lançou o Expresso nos idos de 70 do século passado - o seu “navio-almirante”, como gosta de...
Na semana passada aconteceu o que há muito se esperava – um dos maiores grupos de comunicação anunciou que vai encerrar ou vender a maior parte dos seus títulos de imprensa. A braços com um endividamente gigantesco, acaba por reconhecer que as receitas que obtém, quando existem, são insuficientes para inverter a situação criada ao longo de anos. O cenário actual complica tudo: é devastador folhear um jornal...
Peter Barbey, actual proprietário (desde 2015) do The Village Voice, anunciou em 22 de Agosto o fim da edição impressa do semanário nova-iorquino, após 62 anos de publicação, continuando a ser produzida a versão digital. A edição impressa – gratuita desde há 21 anos -  tinha actualmente uma tiragem de 120 mil exemplares, enquanto a versão digital, segundo a comScore (empresa de análise de...
Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Agenda
20
Out
20
Out
Facebook para Jornalistas
12:00 @ Cenjor,Lisboa
23
Out
II Congresso Internacional sobre Competências Mediáticas
16:00 @ Brasil, Faculdade de Comunicação – Universidade Federal de Juiz de Fora , Minas Gerais
23
Out
Atelier de Jornalismo Digital
18:30 @ Cenjor,Lisboa