Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Media

Um veterano “fact-checker” americano conta a história desta nova ferramenta do jornalismo

Foi em 2016 que o Dicionário de Oxford consagrou a expressão “pós-verdade” como a palavra do ano, como corolário à ideia de que os factos objectivos se tornaram “menos influentes na formação da opinião pública do que os apelos à emoção e a convicção pessoal”. Este facto, mais a recente popularização dos conceitos de fakenews e dos “factos alternativos”, deram novo protagonismo à “verificação dos factos” como uma especialização dentro das redacções. Peter Canby, o mais importante veterano dos fact-checkers ainda em funções, na revista The New Yorker desde 1978, conta como era no princípio.

Conforme explicou a uma sala apinhada, na Columbia Journalism School, em Nova Iorque, as coisas mudaram muito, a equipa a que pertence tem hoje o dobro dos efectivos e pelo menos metade deles falam uma segunda língua, incluindo dois que falam russo e um que é fluente em árabe. 

A importância do fact-checking deu um salto a propósito de uma questão sobre citações de Sigmund Freud, que chegou ao Supremo Tribunal, com um despacho que  - como descreve Peter Canby -  “dizia basicamente que as revistas eram responsáveis pelas citações [que publicavam] de um modo como não tinha sido visto”. Foi a partir daí que se passou a guardar todo o material das entrevistas, incluindo notas, fitas gravadas e transcrições. 

Sobre a situação actual, diz Peter Canby:

“As pessoas que nunca estiveram envolvidas no jornalismo, ou na ‘verificação de factos’, pensam que o mundo está dividido entre factos e opiniões, e que os fact-checkers tratam apenas dos factos. Para nós, a maior complexidade é a daquilo em que pensamos como sendo opiniões baseadas em factos. O modo como se constrói uma argumentação, se houver ingredientes que estejam notoriamente em falta, isso é qualquer coisa que nós vamos buscar.” 

Foram recordados episódios que ilustram até que ponto se pode chegar em termos de fact-checking. Numa reportagem sobre um grupo de tropas especiais iraquianas, que tinham sofrido às mãos de terroristas e estavam envolvidas na batalha de Mossul, os membros da equipa de fact-checkers tinham de contactar 42 pessoas mencionadas: 

“Todos eles tinham telemóveis”  -  contou Canby. “Os nossos fact-checkers ligavam e eles respondiam  -  Desculpe, mas estamos em combate. Pode ligar mais tarde?” 

As dificuldades em obter resposta dos gabinetes da Casa Branca, nos tempos que correm, são de outra natureza. Mas Peter Canby afirma:

“Nós pensamos que é muito importante, mesmo quando sabemos que não vamos ter resposta da Casa Branca, agir como se fôssemos tê-la.”


O artigo original, na Columbia Journalism Review, a que pertence também a imagem utilizada

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França