Sexta-feira, 22 de Março, 2019
Media

Jovens americanos confiam mais nas redes sociais do que nos media

Um estudo sobre aquilo que os leitores consideram ser notícia, realizado entre jovens nos Estados Unidos, define uma área muito larga, onde cabem não só os textos dos órgãos de informação tradicionais, como a informação que é partilhada nas redes sociais e a produzida pelos próprios utilizadores. Vários dos inquiridos declaram ter conhecimento de muitas notícias, em primeiro lugar, pelo Facebook, havendo consenso sobre uma “falta de confiança colectiva nos meios de informação”.

Segundo o Público, que aqui citamos, os jovens estão a ler “mais notícias do que nunca”, sem as procurarem, mas encontrando-as nas redes sociais que frequentam, maioritariamente o Facebook.

 

Sobre a falta de confiança nos media tradicionais, uma das jovens mencionadas no relatório diz: “Mesmo que seja factual, pode estar corrompido.”

 

Mas entre os jovens participantes há também os que “tendem a confiar mais em órgãos específicos e costumam verificar frequentemente várias fontes de informação em assuntos que estejam a seguir”, além dos que se mostram “preocupados pelos algoritmos que controlam o feed de notícias do Facebook”.

 

“Os participantes disseram que tendem a confiar em vídeos de manifestantes ou participantes num determinado evento, mais do que a cobertura noticiosa feita pelos meios de comunicação tradicionais.”

 

Sobre este ponto, o relatório descreve o argumento de um jovem que acha mais provável que o vídeo noticioso de um órgão de comunicação seja “adulterado” intencionalmente, do que um outro feito por um cidadão que simplesmente o realiza e o coloca online.

 

“Em situações em que há uma disputa pela forma como os eventos aconteceram, o vídeo é visto como uma forma poderosa (ainda que imperfeita) de desafiar a cobertura feita por órgãos de comunicação tradicionais de eventos controversos”, lê-se no relatório.

 

 

 

Mais informação no Público e no texto original, do NiemanLab

 

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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