Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Editor do "Breitbart News" abre polémica no Pulitzer Hall

Um dos editores de Breitbart News  - o site de direita cujo principal fundador, Steve Bannon, é hoje conselheiro especial de Donald Trump -  acusou os grandes meios noticiosos de referência nos EUA de praticarem um jornalismo de preconceito e inexactidão. “A verdadeira ameaça à confiança do público nos media são todas estas falsas histórias que os nossos colegas têm produzido. Eu não acho que estejam a ler muitas notícias falsas no Breitbart.”

John Carney, o novo editor de economia do referido site, fez estas afirmações no Pulitzer Hall da Escola de pós-graduação em Jornalismo da Columbia University, na qualidade de convidado para um painel organizado pela Columbia Journalism Review, The Guardian e a agência Reuters. Com ele encontravam-se jornalistas do New York Times, The Guardian, da CNN e The New Yorker, para debaterem o futuro do jornalismo na era de Trump. 

A sua descrição da linha editorial do Breitbart é “nacionalista de centro-direita”, uma certa distância em relação ao título de Alt-right, que lhe fora atribuído pelo próprio Steve Bannon. A sua atitude em relação à Imprensa tradicional de referência foi de desafio explícito: 

“Vocês acham que têm gente suficiente, nas vossas empresas noticiosas, que compreenda e simpatize com a visão do mundo de Trump? Ou acham que têm sobretudo pessoas que encaram o ponto de vista de Trump, não só errado como também maléfico?” 

Elisabeth Bumiller, directora da delegação do New York Times em Washington, respondeu quase instantaneamente: “Você tem gente suficiente, na sua empresa, que discorde do ponto de vista de Trump?” 

David Uberti, o autor desta notícia na Columbia Journalism Review, procurou, à saída, John Carney, para lhe agradecer “ter-se aventurado a entrar na ‘cova dos leões’ do jornalismo de elite”  - o Pullitzer Hall -  e por “ter defendido o que muitos, nesta sala, consideravam uma publicação indefensável”. 

“Ele respondeu que a antipatia tornava ainda mais importante, para si, o facto de ter vindo.” 


A notícia original, na íntegra, na CJR

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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