Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

Editor do "Breitbart News" abre polémica no Pulitzer Hall

Um dos editores de Breitbart News  - o site de direita cujo principal fundador, Steve Bannon, é hoje conselheiro especial de Donald Trump -  acusou os grandes meios noticiosos de referência nos EUA de praticarem um jornalismo de preconceito e inexactidão. “A verdadeira ameaça à confiança do público nos media são todas estas falsas histórias que os nossos colegas têm produzido. Eu não acho que estejam a ler muitas notícias falsas no Breitbart.”

John Carney, o novo editor de economia do referido site, fez estas afirmações no Pulitzer Hall da Escola de pós-graduação em Jornalismo da Columbia University, na qualidade de convidado para um painel organizado pela Columbia Journalism Review, The Guardian e a agência Reuters. Com ele encontravam-se jornalistas do New York Times, The Guardian, da CNN e The New Yorker, para debaterem o futuro do jornalismo na era de Trump. 

A sua descrição da linha editorial do Breitbart é “nacionalista de centro-direita”, uma certa distância em relação ao título de Alt-right, que lhe fora atribuído pelo próprio Steve Bannon. A sua atitude em relação à Imprensa tradicional de referência foi de desafio explícito: 

“Vocês acham que têm gente suficiente, nas vossas empresas noticiosas, que compreenda e simpatize com a visão do mundo de Trump? Ou acham que têm sobretudo pessoas que encaram o ponto de vista de Trump, não só errado como também maléfico?” 

Elisabeth Bumiller, directora da delegação do New York Times em Washington, respondeu quase instantaneamente: “Você tem gente suficiente, na sua empresa, que discorde do ponto de vista de Trump?” 

David Uberti, o autor desta notícia na Columbia Journalism Review, procurou, à saída, John Carney, para lhe agradecer “ter-se aventurado a entrar na ‘cova dos leões’ do jornalismo de elite”  - o Pullitzer Hall -  e por “ter defendido o que muitos, nesta sala, consideravam uma publicação indefensável”. 

“Ele respondeu que a antipatia tornava ainda mais importante, para si, o facto de ter vindo.” 


A notícia original, na íntegra, na CJR

Connosco
Bettany Hugues defendeu a importância da memória na construção do futuro e da paz Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Para Alberto Dines, “o jornalismo era o próprio sentido da vida” Ver galeria

Cada história é uma vida, e algumas delas são muito especiais. “Alberto Dines foi autor e protagonista de uma dessas trajectórias incomuns: um intelectual visceral, que usou a sua inteligência e lucidez não para disputar uma partida, mas para mudar o jogo.” Sob o título “Uma vida sem ponto final”, um dos seus numerosos discípulos, Bruno Thys, evoca com a saudade de uma relação muito pessoal o percurso e obra de Alberto Dines, falecido em São Paulo em Maio deste ano.

O autor do texto que citamos valoriza uma parte da biografia menos mencionada de Alberto Dines, a que o coloca numa linhagem de judeus emigrados de uma Europa em várias convulsões:

“Dines tornou-se uma das mais cintilantes estrelas de sua geração, a primeira de judeus nascidos no Brasil. (...) Da geração de seus pais, herdou a cultura ancestral. Dines tinha sólida formação humanística e as suas raízes remontam à Haskalá, o iluminismo judaico que floresceu na Europa Ocidental nos séculos XVIII e XIX. Este movimento pregava a interacção da sabedoria judaica com a cultura europeia e produziu nomes como Einstein, Freud, Herzel e Stefan Zweig, o grande biógrafo austríaco, que, muitos anos depois, seria biografado por Dines.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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