Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Denúncia das "falsas notícias" favorece objectivos de regimes autoritários

A moda que pegou agora, entre dirigentes autoritários ou acusados de corrupção, é de “virar o bico ao prego” e acusar de “falsas informações” os jornais que os incomodam. O exemplo em que se apoiam vem “de cima”, e é Donald Trump. Esta reflexão é de um artigo no Le Monde, começando pelo caso do primeiro-ministro do Cambodja, Hun Sen, que aproveitou o facto de media como The New York Times, a CNN ou a BBC, terem sido recentemente excluídos de um briefing com a Imprensa, na Casa Branca. “Donald Trump compreende que eles são um grupo anárquico”  - declarou Hun Sen.

Ora, os bons exemplos são para seguir... O porta-voz do primeiro-ministro do Cambodja foi, aliás, mais longe, congratulando-se pelo facto de o Presidente dos EUA ver que “as informações publicadas por estas instituições dos media não reflectem a situação real” e deixando desde já avisos à Imprensa estrangeira no seu país. 

Também o primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, suspeito de corrupção, denuncia as fakenews que, segundo afirma, estão a ser usadas pelos seus acusadores “para fazerem cair um governo”:

“É esta a maior ameaça, e vamos combatê-la sem descanso”  - declarou. 

Por seu lado, na China, argumento semelhante começa a ser usado, neste caso a respeito de artigos publicados no Ocidente sobre torturas infligidas a um “defensor dos direitos humanos”,  Xie Yang, detido há um ano por “subversão”. A agência oficial Nova China ataca o advogado do detido, acusando-o de “ter utilizado a opinião pública para fazer pressão sobre a polícia e manchar o governo chinês”. 

Como comenta o artigo que citamos, essas denúncias “não seriam outra coisa senão fakenews”.

Ainda no Le Monde, outro texto muito recente explica como a desconfiança em relação aos meios de comunicação se tem acentuado, segundo os dados do inquérito realizado pelo Instituto Kandar para o jornal La Croix

São aí citadas as palavras do chefe da redacção de France Inter, Jean-Marc Four, sobre este inquérito:

“O mundo parece dividido em dois: de um lado, os que se voltam para os media tradicionais, pelo menos em caso de grandes acontecimentos; do outro, uma parte que já não escuta, não vê ou não lê estes meios de comunicação, e que estes já não sabem como atingir.” 

Jean-Marc Four pede que haja mais equilíbrio entre o espaço que ocupam os editorialistas e comentadores e o do que se passa no terreno; e declara que é necessário “um diálogo directo entre os jornalistas e o público, ou de viva voz ou por meio das redes sociais”. 


Mais informação em Le Monde, a que pertence a imagem, da AFP

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

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Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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