Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Denúncia das "falsas notícias" favorece objectivos de regimes autoritários

A moda que pegou agora, entre dirigentes autoritários ou acusados de corrupção, é de “virar o bico ao prego” e acusar de “falsas informações” os jornais que os incomodam. O exemplo em que se apoiam vem “de cima”, e é Donald Trump. Esta reflexão é de um artigo no Le Monde, começando pelo caso do primeiro-ministro do Cambodja, Hun Sen, que aproveitou o facto de media como The New York Times, a CNN ou a BBC, terem sido recentemente excluídos de um briefing com a Imprensa, na Casa Branca. “Donald Trump compreende que eles são um grupo anárquico”  - declarou Hun Sen.

Ora, os bons exemplos são para seguir... O porta-voz do primeiro-ministro do Cambodja foi, aliás, mais longe, congratulando-se pelo facto de o Presidente dos EUA ver que “as informações publicadas por estas instituições dos media não reflectem a situação real” e deixando desde já avisos à Imprensa estrangeira no seu país. 

Também o primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, suspeito de corrupção, denuncia as fakenews que, segundo afirma, estão a ser usadas pelos seus acusadores “para fazerem cair um governo”:

“É esta a maior ameaça, e vamos combatê-la sem descanso”  - declarou. 

Por seu lado, na China, argumento semelhante começa a ser usado, neste caso a respeito de artigos publicados no Ocidente sobre torturas infligidas a um “defensor dos direitos humanos”,  Xie Yang, detido há um ano por “subversão”. A agência oficial Nova China ataca o advogado do detido, acusando-o de “ter utilizado a opinião pública para fazer pressão sobre a polícia e manchar o governo chinês”. 

Como comenta o artigo que citamos, essas denúncias “não seriam outra coisa senão fakenews”.

Ainda no Le Monde, outro texto muito recente explica como a desconfiança em relação aos meios de comunicação se tem acentuado, segundo os dados do inquérito realizado pelo Instituto Kandar para o jornal La Croix

São aí citadas as palavras do chefe da redacção de France Inter, Jean-Marc Four, sobre este inquérito:

“O mundo parece dividido em dois: de um lado, os que se voltam para os media tradicionais, pelo menos em caso de grandes acontecimentos; do outro, uma parte que já não escuta, não vê ou não lê estes meios de comunicação, e que estes já não sabem como atingir.” 

Jean-Marc Four pede que haja mais equilíbrio entre o espaço que ocupam os editorialistas e comentadores e o do que se passa no terreno; e declara que é necessário “um diálogo directo entre os jornalistas e o público, ou de viva voz ou por meio das redes sociais”. 


Mais informação em Le Monde, a que pertence a imagem, da AFP

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
Agenda
16
Set
16
Set
Ferramentas Google para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa
19
Set
Local Media Fal(l) School
09:00 @ Covilhã
23
Set
Radio Broadcasters Convention of Southern Africa
09:00 @ Johannesburg, África do Sul