null, 20 de Maio, 2018
Media

Estudo britânico avalia jornalismo perante o declínio do papel impresso

Na era turbulenta das notícias falsas, é claro que fazem falta reportagens rigorosas e comentários bem informados. Mas exactamente quando mais precisamos deles é que o futuro dos jornais se mostra menos claro. A ironia é que “a procura e vontade de leitura dos jornais nunca foram tão elevadas, mas a dificuldade em fazer lucro com eles nunca foi tão grande”. Um grupo de académicos e jornalistas britânicos reuniu em livro estas perplexidades, sob o título apelativo de “Last Words? How Can Journalism Survive the Decline of Print?”  (“Últimas Palavras? Como Pode o Jornalismo Sobreviver ao Declínio do Papel Impresso?”)

Como explica o texto de apresentação desta obra, de Richard Sambrook, da Universidade de Cardiff, o livro é mais longo no diagnóstico do que na prescrição de remédios, “mas a experiência directa daqueles que estão dentro, ou muito perto das trincheiras dos media, é convincente”. 

Este ano de 2017 será “decisivo” para os jornais britânicos em papel. The Independent desistiu da impressão e optou pelo digital, “enquanto as receitas da publicidade no papel continuam a cair precipitadamente, levando a alarmes sobre os lucros e a revisões estratégicas em toda a indústria”. É previsível que outros jornais sigam o seu exemplo. 

Mas, como diz neste livro Adam Smith, do grupo publicitário WPP, coloca-se aqui um dilema: se vale a pena “perder o pássaro que temos na mão (os lucros da impressão, do mundo analógico), por dois na floresta  - os lucros do digital, que prometem muito mas têm revelado, até agora, uma colheita desanimadora”. 

Os caminhos seguidos não muitos. O texto faz um resumo do caso britânico.

The Times e outros jornais do grupo de Murdock têm optado por uma pay-wall completa. De certo modo, é uma defesa contra a pirataria das empresas tecnológicas, em proveito do pagamento do jornalismo original. “Mas, como sugerem os despedimentos no Wall Street Journal, esta troca pode não ser garantia de lucro seguro”. 

Outros, como The Telegraph, usam uma pay-wall parcial, “deixando alguns artigos em acesso livre para garantir que a marca continua visível online”, mas pedindo pagamento pelo uso subsequente.

The Guardian tem mantido o modelo aberto, por adesão voluntária, na crença de que o acesso global acabará por trazer receita sem a cobrar por assinatura. Mas as suas finanças estão a sofrer  - o Grupo Guardian Media perdeu 69 milhões de libras no ano findo, e uma mudança de direcção parece inevitável. 

Por último, há o modelo grátis, liderado pelo London Evening Standard, que distribui o jornal para atingir uma alta circulação (os números citados, de Junho de 2016, chegavam aos 900 mil exemplares), que pode então “ser vendida aos anunciantes a um preço mais elevado”.

“Mas o que funciona numa das mais vibrantes capitais do mundo, pode não funcionar em toda a parte”  -  conclui a resenha do livro.

 

O artigo original, no site da Ethical Journalism Network

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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