Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Media

Estudo britânico avalia jornalismo perante o declínio do papel impresso

Na era turbulenta das notícias falsas, é claro que fazem falta reportagens rigorosas e comentários bem informados. Mas exactamente quando mais precisamos deles é que o futuro dos jornais se mostra menos claro. A ironia é que “a procura e vontade de leitura dos jornais nunca foram tão elevadas, mas a dificuldade em fazer lucro com eles nunca foi tão grande”. Um grupo de académicos e jornalistas britânicos reuniu em livro estas perplexidades, sob o título apelativo de “Last Words? How Can Journalism Survive the Decline of Print?”  (“Últimas Palavras? Como Pode o Jornalismo Sobreviver ao Declínio do Papel Impresso?”)

Como explica o texto de apresentação desta obra, de Richard Sambrook, da Universidade de Cardiff, o livro é mais longo no diagnóstico do que na prescrição de remédios, “mas a experiência directa daqueles que estão dentro, ou muito perto das trincheiras dos media, é convincente”. 

Este ano de 2017 será “decisivo” para os jornais britânicos em papel. The Independent desistiu da impressão e optou pelo digital, “enquanto as receitas da publicidade no papel continuam a cair precipitadamente, levando a alarmes sobre os lucros e a revisões estratégicas em toda a indústria”. É previsível que outros jornais sigam o seu exemplo. 

Mas, como diz neste livro Adam Smith, do grupo publicitário WPP, coloca-se aqui um dilema: se vale a pena “perder o pássaro que temos na mão (os lucros da impressão, do mundo analógico), por dois na floresta  - os lucros do digital, que prometem muito mas têm revelado, até agora, uma colheita desanimadora”. 

Os caminhos seguidos não muitos. O texto faz um resumo do caso britânico.

The Times e outros jornais do grupo de Murdock têm optado por uma pay-wall completa. De certo modo, é uma defesa contra a pirataria das empresas tecnológicas, em proveito do pagamento do jornalismo original. “Mas, como sugerem os despedimentos no Wall Street Journal, esta troca pode não ser garantia de lucro seguro”. 

Outros, como The Telegraph, usam uma pay-wall parcial, “deixando alguns artigos em acesso livre para garantir que a marca continua visível online”, mas pedindo pagamento pelo uso subsequente.

The Guardian tem mantido o modelo aberto, por adesão voluntária, na crença de que o acesso global acabará por trazer receita sem a cobrar por assinatura. Mas as suas finanças estão a sofrer  - o Grupo Guardian Media perdeu 69 milhões de libras no ano findo, e uma mudança de direcção parece inevitável. 

Por último, há o modelo grátis, liderado pelo London Evening Standard, que distribui o jornal para atingir uma alta circulação (os números citados, de Junho de 2016, chegavam aos 900 mil exemplares), que pode então “ser vendida aos anunciantes a um preço mais elevado”.

“Mas o que funciona numa das mais vibrantes capitais do mundo, pode não funcionar em toda a parte”  -  conclui a resenha do livro.

 

O artigo original, no site da Ethical Journalism Network

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França