Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
Media

Estudo britânico avalia jornalismo perante o declínio do papel impresso

Na era turbulenta das notícias falsas, é claro que fazem falta reportagens rigorosas e comentários bem informados. Mas exactamente quando mais precisamos deles é que o futuro dos jornais se mostra menos claro. A ironia é que “a procura e vontade de leitura dos jornais nunca foram tão elevadas, mas a dificuldade em fazer lucro com eles nunca foi tão grande”. Um grupo de académicos e jornalistas britânicos reuniu em livro estas perplexidades, sob o título apelativo de “Last Words? How Can Journalism Survive the Decline of Print?”  (“Últimas Palavras? Como Pode o Jornalismo Sobreviver ao Declínio do Papel Impresso?”)

Como explica o texto de apresentação desta obra, de Richard Sambrook, da Universidade de Cardiff, o livro é mais longo no diagnóstico do que na prescrição de remédios, “mas a experiência directa daqueles que estão dentro, ou muito perto das trincheiras dos media, é convincente”. 

Este ano de 2017 será “decisivo” para os jornais britânicos em papel. The Independent desistiu da impressão e optou pelo digital, “enquanto as receitas da publicidade no papel continuam a cair precipitadamente, levando a alarmes sobre os lucros e a revisões estratégicas em toda a indústria”. É previsível que outros jornais sigam o seu exemplo. 

Mas, como diz neste livro Adam Smith, do grupo publicitário WPP, coloca-se aqui um dilema: se vale a pena “perder o pássaro que temos na mão (os lucros da impressão, do mundo analógico), por dois na floresta  - os lucros do digital, que prometem muito mas têm revelado, até agora, uma colheita desanimadora”. 

Os caminhos seguidos não muitos. O texto faz um resumo do caso britânico.

The Times e outros jornais do grupo de Murdock têm optado por uma pay-wall completa. De certo modo, é uma defesa contra a pirataria das empresas tecnológicas, em proveito do pagamento do jornalismo original. “Mas, como sugerem os despedimentos no Wall Street Journal, esta troca pode não ser garantia de lucro seguro”. 

Outros, como The Telegraph, usam uma pay-wall parcial, “deixando alguns artigos em acesso livre para garantir que a marca continua visível online”, mas pedindo pagamento pelo uso subsequente.

The Guardian tem mantido o modelo aberto, por adesão voluntária, na crença de que o acesso global acabará por trazer receita sem a cobrar por assinatura. Mas as suas finanças estão a sofrer  - o Grupo Guardian Media perdeu 69 milhões de libras no ano findo, e uma mudança de direcção parece inevitável. 

Por último, há o modelo grátis, liderado pelo London Evening Standard, que distribui o jornal para atingir uma alta circulação (os números citados, de Junho de 2016, chegavam aos 900 mil exemplares), que pode então “ser vendida aos anunciantes a um preço mais elevado”.

“Mas o que funciona numa das mais vibrantes capitais do mundo, pode não funcionar em toda a parte”  -  conclui a resenha do livro.

 

O artigo original, no site da Ethical Journalism Network

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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