Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

Estudo britânico avalia jornalismo perante o declínio do papel impresso

Na era turbulenta das notícias falsas, é claro que fazem falta reportagens rigorosas e comentários bem informados. Mas exactamente quando mais precisamos deles é que o futuro dos jornais se mostra menos claro. A ironia é que “a procura e vontade de leitura dos jornais nunca foram tão elevadas, mas a dificuldade em fazer lucro com eles nunca foi tão grande”. Um grupo de académicos e jornalistas britânicos reuniu em livro estas perplexidades, sob o título apelativo de “Last Words? How Can Journalism Survive the Decline of Print?”  (“Últimas Palavras? Como Pode o Jornalismo Sobreviver ao Declínio do Papel Impresso?”)

Como explica o texto de apresentação desta obra, de Richard Sambrook, da Universidade de Cardiff, o livro é mais longo no diagnóstico do que na prescrição de remédios, “mas a experiência directa daqueles que estão dentro, ou muito perto das trincheiras dos media, é convincente”. 

Este ano de 2017 será “decisivo” para os jornais britânicos em papel. The Independent desistiu da impressão e optou pelo digital, “enquanto as receitas da publicidade no papel continuam a cair precipitadamente, levando a alarmes sobre os lucros e a revisões estratégicas em toda a indústria”. É previsível que outros jornais sigam o seu exemplo. 

Mas, como diz neste livro Adam Smith, do grupo publicitário WPP, coloca-se aqui um dilema: se vale a pena “perder o pássaro que temos na mão (os lucros da impressão, do mundo analógico), por dois na floresta  - os lucros do digital, que prometem muito mas têm revelado, até agora, uma colheita desanimadora”. 

Os caminhos seguidos não muitos. O texto faz um resumo do caso britânico.

The Times e outros jornais do grupo de Murdock têm optado por uma pay-wall completa. De certo modo, é uma defesa contra a pirataria das empresas tecnológicas, em proveito do pagamento do jornalismo original. “Mas, como sugerem os despedimentos no Wall Street Journal, esta troca pode não ser garantia de lucro seguro”. 

Outros, como The Telegraph, usam uma pay-wall parcial, “deixando alguns artigos em acesso livre para garantir que a marca continua visível online”, mas pedindo pagamento pelo uso subsequente.

The Guardian tem mantido o modelo aberto, por adesão voluntária, na crença de que o acesso global acabará por trazer receita sem a cobrar por assinatura. Mas as suas finanças estão a sofrer  - o Grupo Guardian Media perdeu 69 milhões de libras no ano findo, e uma mudança de direcção parece inevitável. 

Por último, há o modelo grátis, liderado pelo London Evening Standard, que distribui o jornal para atingir uma alta circulação (os números citados, de Junho de 2016, chegavam aos 900 mil exemplares), que pode então “ser vendida aos anunciantes a um preço mais elevado”.

“Mas o que funciona numa das mais vibrantes capitais do mundo, pode não funcionar em toda a parte”  -  conclui a resenha do livro.

 

O artigo original, no site da Ethical Journalism Network

Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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