Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

"Site" norueguês obriga visitantes a provar que leram artigos que comentam

A estação pública de rádio e televisão NRK, da Noruega, pôs em funcionamento um portal de autenticação dos leitores do seu site que desejem comentar os artigos publicados. As suas mensagens só são aceites depois de terem respondido a um pequeno questionário sobre o texto que desejam comentar, para ficar provado que o leram, de facto. O objectivo é promover um debate saudável sobre as notícias em questão e reduzir a intensidade "do modo zangado como as pessoas comentam", segundo o editor do site, Marius Arnesen.

Segundo notícia no DN – Media, que cita o editor do site NRKbeta, “os comentadores são obrigados a passar algum tempo extra a pensar no artigo e no que vão comentar, diminuindo assim a intensidade dos ataques pessoais indiscriminados e infundados que por vezes acontecem nas secções de comentários dos jornais”. 

“Se gastarem 15 segundos no questionário, então são 15 segundos que diminuem a intensidade do modo zangado com que as pessoas comentam”, explicou Arnesen ao Nieman Lab. 

Esta ferramenta foi instalada em Fevereiro e a NRKbeta testou-a recentemente, quando publicou um artigo sobre uma proposta de lei sobre a vigilância digital na Noruega. Apesar de ser um assunto controverso, os comentadores partilharam referências de livros e outras pesquisas, fizeram perguntas pertinentes e deram respostas construtivas. 

Segundo o Nieman Lab, a NRK considerou o debate respeitoso e produtivo, mas afirmou que nem todas as notícias vão ter um questionário.

 

Mais informação no DN – Media e o artigo original, no NiemanLab

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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