Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

"Site" norueguês obriga visitantes a provar que leram artigos que comentam

A estação pública de rádio e televisão NRK, da Noruega, pôs em funcionamento um portal de autenticação dos leitores do seu site que desejem comentar os artigos publicados. As suas mensagens só são aceites depois de terem respondido a um pequeno questionário sobre o texto que desejam comentar, para ficar provado que o leram, de facto. O objectivo é promover um debate saudável sobre as notícias em questão e reduzir a intensidade "do modo zangado como as pessoas comentam", segundo o editor do site, Marius Arnesen.

Segundo notícia no DN – Media, que cita o editor do site NRKbeta, “os comentadores são obrigados a passar algum tempo extra a pensar no artigo e no que vão comentar, diminuindo assim a intensidade dos ataques pessoais indiscriminados e infundados que por vezes acontecem nas secções de comentários dos jornais”. 

“Se gastarem 15 segundos no questionário, então são 15 segundos que diminuem a intensidade do modo zangado com que as pessoas comentam”, explicou Arnesen ao Nieman Lab. 

Esta ferramenta foi instalada em Fevereiro e a NRKbeta testou-a recentemente, quando publicou um artigo sobre uma proposta de lei sobre a vigilância digital na Noruega. Apesar de ser um assunto controverso, os comentadores partilharam referências de livros e outras pesquisas, fizeram perguntas pertinentes e deram respostas construtivas. 

Segundo o Nieman Lab, a NRK considerou o debate respeitoso e produtivo, mas afirmou que nem todas as notícias vão ter um questionário.

 

Mais informação no DN – Media e o artigo original, no NiemanLab

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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