Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

O papel das mulheres jornalistas espanholas em cenário de conflito armado

Quando há uma guerra, chegam sempre jornalistas para fazer a sua cobertura. Uma vez acabada, são poucos os que ficam para contar de que modo os sobreviventes “tentam voltar à normalidade”. As jornalistas espanholas com experiência de reportagem em situações de conflito afirmam que é necessário descrever a “pós-guerra”, trabalho mais difícil e arriscado depois do cessar-fogo oficial, porque é nessa altura que se passam todos os ajustes de contas. Mas as chefias dos media que representam não as querem manter no local, porque “deixou de ser notícia”. Esta reflexão é de Ana del Paso, autora da tese de doutoramento “O papel das mulheres jornalistas espanholas em conflitos armados”, cujo artigo original pode ser lido na revista Periodistas, da FAPE, citado no site da da APM, com a qual mantemos um acordo de parceria.

É esse preconceito, frequente nas editorias dos jornais, que contesta Rosa Meneses  -  que recebeu, ex-aequo com Alberto Rojas, ambos correspondentes de El Mundo, o Premio Periodismo de Derechos Humanos 2016, pela sua cobertura dos refugiados que fogem da Síria e do Iraque. A situação continua a ser notícia mesmo depois dos bombardeamentos. “Em 2006  - como conta -  fui enviada para o Líbano e consegui relatar os efeitos da guerra entre os civis, como se sentem quando perdem familiares ou bombardeiam as suas casas.” (...) 

“O nosso trabalho é transmitir o sofrimento das vítimas e denunciar situações de injustiça extrema, e estas não terminam com o cessar-fogo”  -  diz também Ana Alba, freelance e ex-subchefe da secção de Internacional do diário Avui, de Barcelona. Ou Almudena Ariza, que fez reportagem das guerras do Afeganistão e do Iraque para a TVE, quando conta que “ficamos sempre com pena dos que ficam, e das coisas que deixamos para trás”. 

Rosa Maria Calaf, uma das pioneiras neste tipo de cobertura (hoje com 70 anos), diz que “agora vai-se mais depressa, tudo é mais imediato e menos profundo: procura-se o que tem impacto, acima do que tem importância, principalmente na televisão e na Internet, que nos oferece quarenta informações sem ter a certeza de saber se são autênticas ou tóxicas”. 

Segundo outra veterana famosa, Maruja Torres, “tive de viver cinco anos no Líbano até poder compreendê-lo, e só o consegui vinte anos depois da primeira vez em que lá fui”. (...) 

O artigo que citamos, de Ana del Paso, explica que, por motivo da perigosidade dos locais, que encarece os prémios dos seguros, cada vez mais os media, “além de encurtarem a permanência dos seus jornalistas no terreno, enviam menos efectivos para fazer a cobertura de conflitos armados e compram, a preços humilhantes, peças informativas dos freelances”. 

Mas Mayte Carrasco, que trabalha precisamente como freelance, afirma que “a nossa vantagem é que temos mais tempo para ficar na área de interesse jornalístico, e isto correu-me bem, por exemplo, quando em 2013, depois de um mês de espera, pude chegar a uma zona do Mali que estava em guerra; o mesmo me sucedeu em Homs, na Síria, e vou agora tentar em Mossul, no Iraque”.

 

 

Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
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