Sexta-feira, 15 de Dezembro, 2017
Media

O papel das mulheres jornalistas espanholas em cenário de conflito armado

Quando há uma guerra, chegam sempre jornalistas para fazer a sua cobertura. Uma vez acabada, são poucos os que ficam para contar de que modo os sobreviventes “tentam voltar à normalidade”. As jornalistas espanholas com experiência de reportagem em situações de conflito afirmam que é necessário descrever a “pós-guerra”, trabalho mais difícil e arriscado depois do cessar-fogo oficial, porque é nessa altura que se passam todos os ajustes de contas. Mas as chefias dos media que representam não as querem manter no local, porque “deixou de ser notícia”. Esta reflexão é de Ana del Paso, autora da tese de doutoramento “O papel das mulheres jornalistas espanholas em conflitos armados”, cujo artigo original pode ser lido na revista Periodistas, da FAPE, citado no site da da APM, com a qual mantemos um acordo de parceria.

É esse preconceito, frequente nas editorias dos jornais, que contesta Rosa Meneses  -  que recebeu, ex-aequo com Alberto Rojas, ambos correspondentes de El Mundo, o Premio Periodismo de Derechos Humanos 2016, pela sua cobertura dos refugiados que fogem da Síria e do Iraque. A situação continua a ser notícia mesmo depois dos bombardeamentos. “Em 2006  - como conta -  fui enviada para o Líbano e consegui relatar os efeitos da guerra entre os civis, como se sentem quando perdem familiares ou bombardeiam as suas casas.” (...) 

“O nosso trabalho é transmitir o sofrimento das vítimas e denunciar situações de injustiça extrema, e estas não terminam com o cessar-fogo”  -  diz também Ana Alba, freelance e ex-subchefe da secção de Internacional do diário Avui, de Barcelona. Ou Almudena Ariza, que fez reportagem das guerras do Afeganistão e do Iraque para a TVE, quando conta que “ficamos sempre com pena dos que ficam, e das coisas que deixamos para trás”. 

Rosa Maria Calaf, uma das pioneiras neste tipo de cobertura (hoje com 70 anos), diz que “agora vai-se mais depressa, tudo é mais imediato e menos profundo: procura-se o que tem impacto, acima do que tem importância, principalmente na televisão e na Internet, que nos oferece quarenta informações sem ter a certeza de saber se são autênticas ou tóxicas”. 

Segundo outra veterana famosa, Maruja Torres, “tive de viver cinco anos no Líbano até poder compreendê-lo, e só o consegui vinte anos depois da primeira vez em que lá fui”. (...) 

O artigo que citamos, de Ana del Paso, explica que, por motivo da perigosidade dos locais, que encarece os prémios dos seguros, cada vez mais os media, “além de encurtarem a permanência dos seus jornalistas no terreno, enviam menos efectivos para fazer a cobertura de conflitos armados e compram, a preços humilhantes, peças informativas dos freelances”. 

Mas Mayte Carrasco, que trabalha precisamente como freelance, afirma que “a nossa vantagem é que temos mais tempo para ficar na área de interesse jornalístico, e isto correu-me bem, por exemplo, quando em 2013, depois de um mês de espera, pude chegar a uma zona do Mali que estava em guerra; o mesmo me sucedeu em Homs, na Síria, e vou agora tentar em Mossul, no Iraque”.

 

 

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

O "jornalismo - espectáculo" que condena inocentes na praça pública Ver galeria

A investigação de suspeitos de qualquer conduta ilícita ou criminal é realizada pelas autoridades judiciais, que procuram provas para instrução de processo. Tendo conhecimento dessas condutas, também os meios de comunicação fazem a necessária investigação, para apuramento dos factos e posterior publicação. Uns e outros vão cruzar-se no mesmo terreno  - contidos, de ambos os lados, pelo cumprimento da lei e pela deontologia profissional. Mas o pior pode acontecer quando agentes da autoridade e repórteres se juntam para fazer “jornalismo do espectáculo”. A jornalista Nereide Beirão parte do ocorrido em 1994, com o caso que ficou conhecido como Escola Base, em São Paulo. Descreve o que sucedeu e acrescenta o exemplo de mais alguns casos da mesma natureza. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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