Quinta-feira, 19 de Outubro, 2017
Media

O papel das mulheres jornalistas espanholas em cenário de conflito armado

Quando há uma guerra, chegam sempre jornalistas para fazer a sua cobertura. Uma vez acabada, são poucos os que ficam para contar de que modo os sobreviventes “tentam voltar à normalidade”. As jornalistas espanholas com experiência de reportagem em situações de conflito afirmam que é necessário descrever a “pós-guerra”, trabalho mais difícil e arriscado depois do cessar-fogo oficial, porque é nessa altura que se passam todos os ajustes de contas. Mas as chefias dos media que representam não as querem manter no local, porque “deixou de ser notícia”. Esta reflexão é de Ana del Paso, autora da tese de doutoramento “O papel das mulheres jornalistas espanholas em conflitos armados”, cujo artigo original pode ser lido na revista Periodistas, da FAPE, citado no site da da APM, com a qual mantemos um acordo de parceria.

É esse preconceito, frequente nas editorias dos jornais, que contesta Rosa Meneses  -  que recebeu, ex-aequo com Alberto Rojas, ambos correspondentes de El Mundo, o Premio Periodismo de Derechos Humanos 2016, pela sua cobertura dos refugiados que fogem da Síria e do Iraque. A situação continua a ser notícia mesmo depois dos bombardeamentos. “Em 2006  - como conta -  fui enviada para o Líbano e consegui relatar os efeitos da guerra entre os civis, como se sentem quando perdem familiares ou bombardeiam as suas casas.” (...) 

“O nosso trabalho é transmitir o sofrimento das vítimas e denunciar situações de injustiça extrema, e estas não terminam com o cessar-fogo”  -  diz também Ana Alba, freelance e ex-subchefe da secção de Internacional do diário Avui, de Barcelona. Ou Almudena Ariza, que fez reportagem das guerras do Afeganistão e do Iraque para a TVE, quando conta que “ficamos sempre com pena dos que ficam, e das coisas que deixamos para trás”. 

Rosa Maria Calaf, uma das pioneiras neste tipo de cobertura (hoje com 70 anos), diz que “agora vai-se mais depressa, tudo é mais imediato e menos profundo: procura-se o que tem impacto, acima do que tem importância, principalmente na televisão e na Internet, que nos oferece quarenta informações sem ter a certeza de saber se são autênticas ou tóxicas”. 

Segundo outra veterana famosa, Maruja Torres, “tive de viver cinco anos no Líbano até poder compreendê-lo, e só o consegui vinte anos depois da primeira vez em que lá fui”. (...) 

O artigo que citamos, de Ana del Paso, explica que, por motivo da perigosidade dos locais, que encarece os prémios dos seguros, cada vez mais os media, “além de encurtarem a permanência dos seus jornalistas no terreno, enviam menos efectivos para fazer a cobertura de conflitos armados e compram, a preços humilhantes, peças informativas dos freelances”. 

Mas Mayte Carrasco, que trabalha precisamente como freelance, afirma que “a nossa vantagem é que temos mais tempo para ficar na área de interesse jornalístico, e isto correu-me bem, por exemplo, quando em 2013, depois de um mês de espera, pude chegar a uma zona do Mali que estava em guerra; o mesmo me sucedeu em Homs, na Síria, e vou agora tentar em Mossul, no Iraque”.

 

 

Connosco
Relatório assinala em Espanha quebra do consumo de TV por assinatura Ver galeria

O consumo doméstico de televisão por assinatura em Espanha, no ano de 2016, foi de 14,5 euros por mês, por habitação, o que significa quase 21% do seu gasto total em tecnologias de informação e comunicação. Esta quantia é 6,5% inferior à de 2015, que se situava numa média de 15,4%. Os dados são do relatório La sociedad en red 2016, elaborado pelo Observatorio Nacional de las Tecnologías de la Sociedad de la Información (ONTSI).

As imagens e as palavras depois da tragédia Ver galeria

A tragédia causada pelos incêndios no centro e norte do País, neste domingo 15 de Outubro, já considerado “o pior dia do ano” em número de ocorrências (mais de 500), simultâneas ou consecutivas, é retratado nas primeiras páginas dos jornais de 17. Quase todos destacam os números das vítimas, somando as de agora às de Pedrógão. Os dois jornais que usam a mesma foto, de três mulheres junto de uma casa destruída, abraçando-se ao lado de uma menina, são também os que procuram as palavras fortes para caracterizar o ocorrido: “Imperdoável” (Correio da Manhã); “Cem mortes sem desculpa” (Jornal de Notícias). 

O Clube

Está formado o Júri que vai apreciar os trabalhos concorrentes ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído pelo Clube Português de Imprensa (CPI) e pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM),  com o apoio da Fundação Jorge Álvares.

O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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Opinião
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