Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Media

O papel das mulheres jornalistas espanholas em cenário de conflito armado

Quando há uma guerra, chegam sempre jornalistas para fazer a sua cobertura. Uma vez acabada, são poucos os que ficam para contar de que modo os sobreviventes “tentam voltar à normalidade”. As jornalistas espanholas com experiência de reportagem em situações de conflito afirmam que é necessário descrever a “pós-guerra”, trabalho mais difícil e arriscado depois do cessar-fogo oficial, porque é nessa altura que se passam todos os ajustes de contas. Mas as chefias dos media que representam não as querem manter no local, porque “deixou de ser notícia”. Esta reflexão é de Ana del Paso, autora da tese de doutoramento “O papel das mulheres jornalistas espanholas em conflitos armados”, cujo artigo original pode ser lido na revista Periodistas, da FAPE, citado no site da da APM, com a qual mantemos um acordo de parceria.

É esse preconceito, frequente nas editorias dos jornais, que contesta Rosa Meneses  -  que recebeu, ex-aequo com Alberto Rojas, ambos correspondentes de El Mundo, o Premio Periodismo de Derechos Humanos 2016, pela sua cobertura dos refugiados que fogem da Síria e do Iraque. A situação continua a ser notícia mesmo depois dos bombardeamentos. “Em 2006  - como conta -  fui enviada para o Líbano e consegui relatar os efeitos da guerra entre os civis, como se sentem quando perdem familiares ou bombardeiam as suas casas.” (...) 

“O nosso trabalho é transmitir o sofrimento das vítimas e denunciar situações de injustiça extrema, e estas não terminam com o cessar-fogo”  -  diz também Ana Alba, freelance e ex-subchefe da secção de Internacional do diário Avui, de Barcelona. Ou Almudena Ariza, que fez reportagem das guerras do Afeganistão e do Iraque para a TVE, quando conta que “ficamos sempre com pena dos que ficam, e das coisas que deixamos para trás”. 

Rosa Maria Calaf, uma das pioneiras neste tipo de cobertura (hoje com 70 anos), diz que “agora vai-se mais depressa, tudo é mais imediato e menos profundo: procura-se o que tem impacto, acima do que tem importância, principalmente na televisão e na Internet, que nos oferece quarenta informações sem ter a certeza de saber se são autênticas ou tóxicas”. 

Segundo outra veterana famosa, Maruja Torres, “tive de viver cinco anos no Líbano até poder compreendê-lo, e só o consegui vinte anos depois da primeira vez em que lá fui”. (...) 

O artigo que citamos, de Ana del Paso, explica que, por motivo da perigosidade dos locais, que encarece os prémios dos seguros, cada vez mais os media, “além de encurtarem a permanência dos seus jornalistas no terreno, enviam menos efectivos para fazer a cobertura de conflitos armados e compram, a preços humilhantes, peças informativas dos freelances”. 

Mas Mayte Carrasco, que trabalha precisamente como freelance, afirma que “a nossa vantagem é que temos mais tempo para ficar na área de interesse jornalístico, e isto correu-me bem, por exemplo, quando em 2013, depois de um mês de espera, pude chegar a uma zona do Mali que estava em guerra; o mesmo me sucedeu em Homs, na Síria, e vou agora tentar em Mossul, no Iraque”.

 

 

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


ver mais >
Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França