Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Jornais de referência sobem com assinantes que procuram informação de qualidade

Em tempo de pós-verdade, os leitores começam a aperceber-se que os conteúdos não conferidos, publicados nas redes sociais, contaminam a informação.

Por isso, passaram a escolher marcas de qualidade, o que se pode verificar se tivermos em conta os dados de alguns dos jornais diários de referência dos Estados Unidos - o New York Times, por exemplo, captou 267 mil  novos subscritores no quarto trimestre de 2016 (a maioria, após a vitória de Trump, nas eleições de Novembro).

Por outro lado, o Washington Post cresceu 75% em 2016. E, em Janeiro deste ano, viu aumentar em 30%  o número dos seus subscritores. Já, o Wall Street Journal progrediu cerca de 110 mil  subscritores nos últimos meses, tendo alcançado já um milhão de assinantes no digital.

Alguns analistas, veêm, por detrás destes números, uma reacção dos leitores, à enorme quantidade de noticias falsas, que se “materializaram” com o Brexit e Donald Trump…

Os media  encontram nesta análise uma possível “tábua de salvação” para os seus negócios, uma vez que as vendas de publicidade em suporte papel tem estado em queda.
Em  2016, esse fenómeno quase todos os jornais de referência. Os dados são elucidativos: quebras de receita de 20%  no New York Times, 15% no USA Today , 29%  no News Corporation, 20% no Wall Street Journal e 12% em média na imprensa australiana..Também o Financial Times, o Los Angeles Times e o Chicago Tribuner registaram diminuição nas receitas..

 

E o pior, é que a tendência detectada continua a ser negativa. De acordo com o relatório da  Magna Global, a aquisição de espaço publicitario nos jornais em papel, continuará em plano inclinado até 2021.

 

Leia aqui o artigo completo do media-tics.com

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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