Segunda-feira, 25 de Março, 2019
Media

Crise no jornalismo americano é mais geográfica do que tecnológica

A verdadeira crise no jornalismo americano “não é tecnológica, mas geográfica”. Os media, nos EUA, foram durante muito tempo locais, “frequentemente empregando repórteres e editores nas suas próprias comunidades e trazendo à luz vozes que reflectem a composição da sua audiência de leitores”. O que tem estado a acontecer é que as consequências, tanto da revolução digital como da crispação política, são mais pesadas para o jornalismo local, que está a encolher. A reflexão é da jornalista Kathleen McLaughlin, que começou a carreira num jornal local em Missoula, no Estado de Montana.

Os Estados Unidos têm 1.300 jornais, mas só três ou quatro deles são de âmbito nacional  - diz Tom Rosenthiel, que dirigiu durante 16 anos o Projecto para a Excelência no Jornalismo, no Pew Research Center. E o texto prossegue: 

“Temos 600 estações locais de televisão e seis redes a nível nacional. A nossa estrutura noticiosa está assente, em primeiro lugar, a nível local e regional, mas essa dinâmica está em mudança, em grande medida graças às redes sociais. De repente, a política presidencial prevaleceu sobre [trumped, no original] a local e estadual  - algo que eu nunca tinha visto no meu Estado de origem.”

Segundo o trabalho de Kathleen McLaughlin, que aqui citamos: 

“Os jornais locais e regionais, nos EUA, sofreram uma sangria de dinheiro, recursos humanos e leitores, e neste processo perderam muita da sua autoridade como vigilantes e fontes de influência. A seguir à eleição presidencial mais divisionista de memória recente, e no meio de muitos discursos angustiados sobre o estado do jornalismo, de certo modo olhámos menos para o que aconteceu aos media locais, o sítio onde a maioria dos americanos costumava ir buscar o essencial da sua informação. O suporte do jornalismo americano, um baluarte fundamental no nosso aparentemente delicado sistema, está a desmoronar-se.” 

“No seu lugar, ficámos com um vazio que foi facilmente preenchido, durante a campanha presidencial e até hoje, pela retórica e palhaçadas bombásticas, frequentemente racistas e sexistas, de estilo reality-TV, de Donald Trump.” (...) 

A consequência, como diz adiante, é que “os jornais ficaram mais pequenos e o seu conteúdo mais limitado, menos diferenciado; os jornalistas mais velhos, que conhecem os assuntos às vezes melhor do que aqueles sobre quem vão escrever, foram postos de lado, dando lugar a repórteres mal pagos que sabem usar o Twitter e o Instagram, mas a quem faltam as bases na história e na investigação.” (...) 

Diz ainda a autora:

“A situação é bem adequada a políticos que não querem responder a questões difíceis vindas do público, ou do seu intermediário, a Imprensa. (...)  Os funcionários eleitos, principalmente aqueles que usam as redes sociais, sentem-se mais confortáveis enviando a sua mensagem directamente ao público, pelo Facebook ou Twitter, do que confiando nos repórteres.” (...)

 

O artigo original de Kathleen McLaughlin, na íntegra, em The Guardian, a que pertence também a imagem utilizada

Connosco
José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
A realidade choca. Um trabalho de investigação jornalística, publicado no Expresso,  apurou que Portugal tem 95 políticos a comentar nos media. É algo absolutamente inédito em qualquer parte do mundo, da Europa aos EUA. Nalguma coisa teríamos de ser inovadores, infelizmente, da pior maneira. É um “assalto”, que condiciona a opinião pública e constitui um simulacro de pluralismo, já que  o elenco...
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António Gomes de Almeida
Com o falecimento de Augusto Cid, desaparece um dos mais conhecidos desenhadores de Humor portugueses, com uma obra que pode considerar-se quase monumental. Desenhou milhares de cartoons, fez livros, e até teve a suprema honra de ver parte da sua obra apreendida – depois do 25 de Abril (!) – e tornou-se conhecido, entre outras, por estas duas razões: pelas piadas sibilinas lançadas contra o general Ramalho Eanes, e por fazer parte do combativo grupo das...
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