Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
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A imprevisibilidade europeia vista como “sopa de letrinhas”

Será que a Europa está a desintegrar-se? Doze anos não são muito tempo, em termos da História, mas, se uma pessoa tivesse sido congelada em 2005, banhada pelo clima de optimismo da construção europeia, e acordasse agora, “morria de choque”. Esta imagem é de Timothy Garton Ash, num artigo muito recente em The New York Review of Books, onde compara a onda de esperança dos países periféricos, nessa altura, com as realidades inquietantes de hoje  - com “os jovens doutorados espanhóis reduzidos a servir às mesas em Londres ou Berlim e os filhos dos portugueses a procurarem trabalho no Brasil ou em Angola”.

No Observatório da Imprensa do Brasil, Alberto Dines parte deste texto para fazer, por sua vez, uma reflexão aplicada, não à Europa, mas ao seu próprio país: “O mesmo acontece com o Brasil. Na virada para 2005 o Brasil vivia o sonho de Primeiro Mundo, com alentadoras promessas de felicidade e conforto para todos e para sempre. Depois estourou o escândalo da corrupção nos Correios e na denúncia de Roberto Jefferson mas, se hibernássemos antes, naquele momento de glória, para só acordar em 2017, não resistiríamos aos golpes que se seguiram.” E prossegue o texto, descrevendo “o fim do sonho”, com uma lista do que correu mal.

“É uma sopa de letrinhas de factos avassaladores e desordenados e medonhos, que fazem os brasileiros sonhar, não com a Felicidade ou o Primeiro Mundo, mas com a hibernação”  -  conclui.

O seu texto no Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria, e o artigo original de Timothy Ash.

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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