Quarta-feira, 16 de Agosto, 2017
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A imprevisibilidade europeia vista como “sopa de letrinhas”

Será que a Europa está a desintegrar-se? Doze anos não são muito tempo, em termos da História, mas, se uma pessoa tivesse sido congelada em 2005, banhada pelo clima de optimismo da construção europeia, e acordasse agora, “morria de choque”. Esta imagem é de Timothy Garton Ash, num artigo muito recente em The New York Review of Books, onde compara a onda de esperança dos países periféricos, nessa altura, com as realidades inquietantes de hoje  - com “os jovens doutorados espanhóis reduzidos a servir às mesas em Londres ou Berlim e os filhos dos portugueses a procurarem trabalho no Brasil ou em Angola”.

No Observatório da Imprensa do Brasil, Alberto Dines parte deste texto para fazer, por sua vez, uma reflexão aplicada, não à Europa, mas ao seu próprio país: “O mesmo acontece com o Brasil. Na virada para 2005 o Brasil vivia o sonho de Primeiro Mundo, com alentadoras promessas de felicidade e conforto para todos e para sempre. Depois estourou o escândalo da corrupção nos Correios e na denúncia de Roberto Jefferson mas, se hibernássemos antes, naquele momento de glória, para só acordar em 2017, não resistiríamos aos golpes que se seguiram.” E prossegue o texto, descrevendo “o fim do sonho”, com uma lista do que correu mal.

“É uma sopa de letrinhas de factos avassaladores e desordenados e medonhos, que fazem os brasileiros sonhar, não com a Felicidade ou o Primeiro Mundo, mas com a hibernação”  -  conclui.

O seu texto no Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria, e o artigo original de Timothy Ash.

Connosco
Modos de combater a vigilância electrónica sobre jornalistas e as suas fontes Ver galeria

Jornalistas que tenham de trabalhar em ambientes autoritários tendem a ser alvo de vigilância electrónica. Muitos acabam por se adaptar e aceitá-la como um risco indesejado, mas inevitável na sua profissão. Ou podem tentar combatê-la. “Afinal de contas, ela ameaça a sua segurança, bem como das suas fontes, e constitui um ataque à liberdade de Imprensa e de expressão.” A reflexão é do jornalista mexicano Jorge Luis Sierra, perito em segurança digital, que adianta alguns conselhos práticos para casos destes. 

A avalancha da Internet atropelou a nossa capacidade de lidar com tantos dados Ver galeria

A grande revolução nas rotinas e normas do jornalismo foi-nos imposta, não pelo computador, mas pela Internet, quando “a avalancha informativa e as redes sociais virtuais atropelaram a capacidade das redacções processarem informações; (...) o volume cresceu em tal magnitude que se tornaram incapazes de lidar com tantos dados, factos e eventos”.

A “curadoria de notícias”, que parecia inerente ao trabalho de qualquer jornalista, tornou-se mais necessária do que nunca, mas, “como actividade lucrativa, só funciona em nichos especializados de informação”. É esta a reflexão de Carlos Castilho, ex-assessor da União Europeia para projectos de comunicação na América Central e membro da direcção do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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Opinião
Ser Jornalista
Dinis de Abreu

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Uma comunicação mal comunicada
Francisco Sarsfield Cabral
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