Quarta-feira, 16 de Agosto, 2017
Media

A imprensa numa encruzilhada entre as noticias falsas e o “fact checking”

A imprensa vive uma fase parodoxal. Enquanto se implementa o fact checking como forma de triagem das noticias falsas, há quem considere que essas mesmas noticias estão a contribuir para animar as vendas de alguns jornais, designadamente, tablóides, embora a descredibilização seja o efeito boomerang que pode condenar a prazo as edições em papel.

Esta ideia constitui o essencial do texto de Miguel Ángel Ossorio Vega, publicado no site electrónico media-tics, onde este reflecte sobre o facto de o publico estar cada mais consciente das mentiras que circulam na internet, refugiando-se nos jornais sérios e confiáveis.

De facto, a pós-verdade é um desafio não somente para os media como, também, para a sociedade no seu conjunto. Se a mentira triunfar, camuflando-se como verdade, o que poderá acontecer?
Os boatos que passaram a circular na net, a par das várias mudanças politicas ocorridas nos Estados Unidos e na Europa, poderão contribuir para “o apocalipse do jornalismo factual”, mesmo que pontualmente beneficiem alguns jornais populares.

 

O certo é que os jornais que apostam na qualidade e no rigor da informação, como são os casos do 'New York Times', do 'Washington Post' ou do 'Wall Street Journal', têm vindo a somar novos assinantes, ao mesmo tempo que compensam esta adesão às edições em papel com vantagens nas edições premium digitais.

Observa-se, pois, uma encruzilhada com diferentes tendências em confronto aberto, enquanto a quebra das receitas publicitárias mais compromete a sobrevivência dos jornais. Culpa também do Facebook e da Google, os gigantes do mundo digital, que absorvem uma fatia de 75% do investimento global.

 

Leia aqui artigo de Miguel Ángel Ossorio Vega, publicado no site media-tics

  

Connosco
Modos de combater a vigilância electrónica sobre jornalistas e as suas fontes Ver galeria

Jornalistas que tenham de trabalhar em ambientes autoritários tendem a ser alvo de vigilância electrónica. Muitos acabam por se adaptar e aceitá-la como um risco indesejado, mas inevitável na sua profissão. Ou podem tentar combatê-la. “Afinal de contas, ela ameaça a sua segurança, bem como das suas fontes, e constitui um ataque à liberdade de Imprensa e de expressão.” A reflexão é do jornalista mexicano Jorge Luis Sierra, perito em segurança digital, que adianta alguns conselhos práticos para casos destes. 

A avalancha da Internet atropelou a nossa capacidade de lidar com tantos dados Ver galeria

A grande revolução nas rotinas e normas do jornalismo foi-nos imposta, não pelo computador, mas pela Internet, quando “a avalancha informativa e as redes sociais virtuais atropelaram a capacidade das redacções processarem informações; (...) o volume cresceu em tal magnitude que se tornaram incapazes de lidar com tantos dados, factos e eventos”.

A “curadoria de notícias”, que parecia inerente ao trabalho de qualquer jornalista, tornou-se mais necessária do que nunca, mas, “como actividade lucrativa, só funciona em nichos especializados de informação”. É esta a reflexão de Carlos Castilho, ex-assessor da União Europeia para projectos de comunicação na América Central e membro da direcção do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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Opinião
Ser Jornalista
Dinis de Abreu

O jornalismo vive dias difíceis. O avanço no digital não compensa os jornais que fecham e as redacções que reduzem os quadros. Criou-se um sentimento de precariedade no oficio de jornalsita que ameaça a sua independência. Ou pior: que o coloca numa grande dependência perante as incertezas.

Uma comunicação mal comunicada
Francisco Sarsfield Cabral
A tragédia dos incêndios florestal tem evidenciado uma preocupante desorganização no seu combate. Essa desorganização também se manifesta no campo da comunicação social. A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) anunciou há dias que passaria a concentrar a informação sobre os fogos em dois “briefings” diários na sua sede em Carnaxide – um de manhã, outro...
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Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
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