Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Mundo

“Wikipédia” quer melhorar fiabilidade e diversificar idiomas e fontes de informação

A Fundação Wikimédia, que edita a Wikipédia tem, actualmente, mais de 30 milhões de contas registadas em todo o mundo e transformou-se numa ferramenta indispensável em qualquer pesquisa, embora não escape a algumas criticas por algumas inexactidões.

A verdade, porém, é que a fundação, que dispõe de um orçamento para o actual exercício de 67 milhões de dólares, financiados por donativos, emprega apenas 267 colaboradores, ao contrário do Facebook, Google, ou Amazon, que têm centenas de milhares de empregados.

A Wikimédia, actualmente dirigida por Katherine Maher, uma jovem quase desconhecida de 33 anos, confrontou-se, entretanto, com a posição assumida por vários colaboradores em inglês, que decidiram, mediante votação, afastar alguns tabloides britânicos, conforme refere o site media-tics, entre os quais 'Daily Mail', 'Daily Mirror' e o 'The Sun' por seremfontes potencialmente pouco fiáveis”.

Trata-se, como aliás já referimos noutro espaço deste site, de uma alteração da matriz da politica editorial da Wikipédia, que goza de indiscutível influência global e que se converteu “na biblioteca pública do mundo”.

A jovem directora pretende agora diminuir a presença do inglês na Wikipédia, com mais de 5 milhões de artigos neste idioma, e valorizar outras línguas, designadamente, o espanhol que é a versão mais consultada, em comparação, por exemplo, com o alemão e o francês.

Como se sabe, os artigos da Wikipédia são redigidos em regime de voluntariado – qualquer um pode elaborar um texto e corrigi-lo depois – , o que equivale a ser um arquivo assegurado por milhões de colaboradores em todo o mundo.

Há um relativo equilíbrio no fluxo de informação, embora, ultimamente, se tenham sentido pressões para que a Wikipédia utilize regras mais estritas no controlo das suas entradas. O certo é que o saldo é francamente positivo. Nota-se que a grande maioria dos textos são rigorosos, o que é um importante activo da Humanidade.

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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