null, 26 de Maio, 2019
Mundo

Para a RSF-Espanha a Turquia converteu-se no "maior cárcere para jornalistas"

O ano de 2016 foi mau para a liberdade de Informação e, se teve menos jornalistas mortos do que o de 2015, foi porque, em determinadas zonas de conflito armado, “os jornalistas, praticamente, já não vão ao terreno”. A Turquia mantém o seu lugar de “principal protagonista do retrocesso da liberdade de Informação no mundo”, mas este mesmo retrocesso está agora a aumentar em países europeus com regimes democráticos. São estes os dados do novo Relatório Anual, referido a 2016, elaborado pela secção espanhola dos Repórteres sem Fronteiras e apresentado em Madrid.

O documento trata da situação numa centena de países e aponta, em números gerais, que foram assassinados 75 jornalistas (menos 26% do que no ano anterior), foram encarcerados 349 e  continuavam sequestrados 52, no final do ano. 

Malén Aznárez, presidente dos Repórteres sem Fronteiras – Espanha, afirmou que se apresentam tempos difíceis para a profissão, mais ainda “quando se fala continuamente da ‘pós-verdade’, quando havia que falar da mentira, e quando nos querem impor falsas realidades à força de autoritarismo e, por vezes, de abuso arrogante [bullying] do poder”.  

Na sua apresentação do Relatório, Malén Aznárez chamou a atenção para sinais de um retrocesso geral mesmo em países democráticos, o qual, “embora não sendo tão grave como quando há assassínios, é muito perigoso”. 

Referiu-se concretamente à aprovação de “medidas legislativas contra o terrorismo que trouxeram importantes retrocesos em matéria de liberdade de Informação, e que põem em risco o jornalismo de investigação, a confidencialidade das fontes e a privacidade das comunicações”. Citou, neste ponto, os casos da Grã-Bretanha e da Espanha, e de outras medidas de vigilância ou assédio dos media na Alemanha, França, Itália, Polónia e Rússia. 

Na Turquia, o ano de 2016 foi repleto de “repleto de prisões e detenções de jornalistas, encerramento de meios de comunicação, condenações abusivas, exílio de jornalistas, despedimentos maciços, censura e leis repressivas”.

“A Turquia converteu-se no maior cárcere do mundo para os jornalistas” – acrescentou. 

Palo quarto ano consecutivo, a Síria continua a ser “o país mais perigoso do mundo para exercer o jornalismo”, com 26 profissionais presos e 19 assassinados, tanto pelos terroristas do Estado Islâmico como pelo regime de Bashar Al-Assad. 

Malén Aznárez referiu-se também à situação vivida na América Latina, destacando o caso das Honduras, onde nos últimos cinco anos foram assassinados 60 jornalistas, e o do México, “um país teóricamente em paz, mas o mais letal da América Latina para a Informação e para os jornalistas”.

 

A reportagem no site da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e onde se inclui o link para o Relatório dos RSF – Espanha

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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