Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Mundo

Para a RSF-Espanha a Turquia converteu-se no "maior cárcere para jornalistas"

O ano de 2016 foi mau para a liberdade de Informação e, se teve menos jornalistas mortos do que o de 2015, foi porque, em determinadas zonas de conflito armado, “os jornalistas, praticamente, já não vão ao terreno”. A Turquia mantém o seu lugar de “principal protagonista do retrocesso da liberdade de Informação no mundo”, mas este mesmo retrocesso está agora a aumentar em países europeus com regimes democráticos. São estes os dados do novo Relatório Anual, referido a 2016, elaborado pela secção espanhola dos Repórteres sem Fronteiras e apresentado em Madrid.

O documento trata da situação numa centena de países e aponta, em números gerais, que foram assassinados 75 jornalistas (menos 26% do que no ano anterior), foram encarcerados 349 e  continuavam sequestrados 52, no final do ano. 

Malén Aznárez, presidente dos Repórteres sem Fronteiras – Espanha, afirmou que se apresentam tempos difíceis para a profissão, mais ainda “quando se fala continuamente da ‘pós-verdade’, quando havia que falar da mentira, e quando nos querem impor falsas realidades à força de autoritarismo e, por vezes, de abuso arrogante [bullying] do poder”.  

Na sua apresentação do Relatório, Malén Aznárez chamou a atenção para sinais de um retrocesso geral mesmo em países democráticos, o qual, “embora não sendo tão grave como quando há assassínios, é muito perigoso”. 

Referiu-se concretamente à aprovação de “medidas legislativas contra o terrorismo que trouxeram importantes retrocesos em matéria de liberdade de Informação, e que põem em risco o jornalismo de investigação, a confidencialidade das fontes e a privacidade das comunicações”. Citou, neste ponto, os casos da Grã-Bretanha e da Espanha, e de outras medidas de vigilância ou assédio dos media na Alemanha, França, Itália, Polónia e Rússia. 

Na Turquia, o ano de 2016 foi repleto de “repleto de prisões e detenções de jornalistas, encerramento de meios de comunicação, condenações abusivas, exílio de jornalistas, despedimentos maciços, censura e leis repressivas”.

“A Turquia converteu-se no maior cárcere do mundo para os jornalistas” – acrescentou. 

Palo quarto ano consecutivo, a Síria continua a ser “o país mais perigoso do mundo para exercer o jornalismo”, com 26 profissionais presos e 19 assassinados, tanto pelos terroristas do Estado Islâmico como pelo regime de Bashar Al-Assad. 

Malén Aznárez referiu-se também à situação vivida na América Latina, destacando o caso das Honduras, onde nos últimos cinco anos foram assassinados 60 jornalistas, e o do México, “um país teóricamente em paz, mas o mais letal da América Latina para a Informação e para os jornalistas”.

 

A reportagem no site da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e onde se inclui o link para o Relatório dos RSF – Espanha

Connosco
Prémio Europeu Helena Vaz da Silva atribuído à Directora do CERN Ver galeria

A cientista italiana Fabiola Gianotti, especializada em física de partículas e, desde 2016, Directora-Geral do CERN (acrónimo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2019.

“O conhecimento é como uma arte”  - afirmou Fabiola Gianotti ao agradecer a nomeação. “Ambos são as mais altas expressões da mente humana e o CERN é o lugar perfeito para as alcançar.”

“O conhecimento científico pertence a todos”  - disse ainda. “Como cientistas, devemos fazer os maiores esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos. Ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo.”

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, que representa em Portugal, e também com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prémio deste ano atribuíu Menções Especiais a duas outras personalidades: o Director do Royal Danish Theatre,  Kasper Holten, pelo seu esforço em prol da compreensão do património cultural, e o italiano Angelo Castiglioni, que dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas.

A cerimónia de entrega do Prémio terá lugar no dia 25 de Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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“Fake news”, ontem e hoje
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Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
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