Sexta-feira, 15 de Dezembro, 2017
Mundo

Para a RSF-Espanha a Turquia converteu-se no "maior cárcere para jornalistas"

O ano de 2016 foi mau para a liberdade de Informação e, se teve menos jornalistas mortos do que o de 2015, foi porque, em determinadas zonas de conflito armado, “os jornalistas, praticamente, já não vão ao terreno”. A Turquia mantém o seu lugar de “principal protagonista do retrocesso da liberdade de Informação no mundo”, mas este mesmo retrocesso está agora a aumentar em países europeus com regimes democráticos. São estes os dados do novo Relatório Anual, referido a 2016, elaborado pela secção espanhola dos Repórteres sem Fronteiras e apresentado em Madrid.

O documento trata da situação numa centena de países e aponta, em números gerais, que foram assassinados 75 jornalistas (menos 26% do que no ano anterior), foram encarcerados 349 e  continuavam sequestrados 52, no final do ano. 

Malén Aznárez, presidente dos Repórteres sem Fronteiras – Espanha, afirmou que se apresentam tempos difíceis para a profissão, mais ainda “quando se fala continuamente da ‘pós-verdade’, quando havia que falar da mentira, e quando nos querem impor falsas realidades à força de autoritarismo e, por vezes, de abuso arrogante [bullying] do poder”.  

Na sua apresentação do Relatório, Malén Aznárez chamou a atenção para sinais de um retrocesso geral mesmo em países democráticos, o qual, “embora não sendo tão grave como quando há assassínios, é muito perigoso”. 

Referiu-se concretamente à aprovação de “medidas legislativas contra o terrorismo que trouxeram importantes retrocesos em matéria de liberdade de Informação, e que põem em risco o jornalismo de investigação, a confidencialidade das fontes e a privacidade das comunicações”. Citou, neste ponto, os casos da Grã-Bretanha e da Espanha, e de outras medidas de vigilância ou assédio dos media na Alemanha, França, Itália, Polónia e Rússia. 

Na Turquia, o ano de 2016 foi repleto de “repleto de prisões e detenções de jornalistas, encerramento de meios de comunicação, condenações abusivas, exílio de jornalistas, despedimentos maciços, censura e leis repressivas”.

“A Turquia converteu-se no maior cárcere do mundo para os jornalistas” – acrescentou. 

Palo quarto ano consecutivo, a Síria continua a ser “o país mais perigoso do mundo para exercer o jornalismo”, com 26 profissionais presos e 19 assassinados, tanto pelos terroristas do Estado Islâmico como pelo regime de Bashar Al-Assad. 

Malén Aznárez referiu-se também à situação vivida na América Latina, destacando o caso das Honduras, onde nos últimos cinco anos foram assassinados 60 jornalistas, e o do México, “um país teóricamente em paz, mas o mais letal da América Latina para a Informação e para os jornalistas”.

 

A reportagem no site da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e onde se inclui o link para o Relatório dos RSF – Espanha

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Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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