Terça-feira, 17 de Maio, 2022
Media

"Fact-Checking" tem de competir com as mentiras virais

Agora que se fala tanto na era da “pós-verdade”, a boa notícia é que as pessoas, confrontadas com os factos, são capazes de mudar de opinião, “mesmo que esses factos contrariem as suas preferências políticas”. Pelo outro lado, “é tão fácil publicar uma mentira viral e transmiti-la por todo o mundo”, que o jornalismo responsável tem aqui um problema de prontidão e velocidade de resposta. Esta reflexão é de Alexios Mantzarlis, director da rede internacional de Fact-Checking do Poynter Institute, em entrevista ao Observador.

E há mais factores envolvidos. Não temos que nos render a uma espécie de impossibilidade de demonstrar a diferença entre o verdadeiro e o falso mas, como acrescenta o entrevistado, “vivemos num mundo demasiado complexo, onde os factos e as emoções concorrem entre si e influenciam as decisões que tomamos”. Em política, a mensagem não vive só de factos:  

“Basta recordar o exemplo de Barack Obama. Em 2008, Obama conseguiu o voto de milhões de novos eleitores com base na esperança e na mudança. E isso não são factos. São sentimentos, emoções. A política é muito mais do que um conglomerado de factos. E isso é bom.”  

Mas, para uma democracia saudável, um jornalismo rigoroso e insistente na disciplina da “verificação dos factos” é indispensável:

 

“Não podemos discutir objectivamente nada se não tivermos presentes todos os factos. É muito difícil alcançarmos um mínimo consenso como sociedade se não tivermos um leque partilhado de factos. Dito isto, sim, acredito que o Fact Check pode ser uma parte importante de uma democracia que se quer saudável.”


“O Fact Check insere-se num contexto mais alargado de jornalismo de responsabilização, de exigir ao poder político evidências e rigor sobre as afirmações que faz. Os jornalistas de Fack Check não são os favoritos da classe política, mas creio que estão a ganhar cada vez mais respeito.”

 

O próprio Alexios Mantzarlis é, apesar da sua juventude, conhecido e respeitado no meio destas organizações especializadas no fact-checking. Um “itinerante greco-romano”, como se define a si mesmo no Twitter, foi co-fundador do factcheckeu.org, a primeira plataforma europeia neste terreno, e fundou e dirigiu o Pagella Politica, em Itália, antes de ser recrutado pelo Poynter Institute, em Setembro de 2015, para se tornar o primeiro director e editor da International Fact-Checking Network.

 

O seu conselho final, na entrevista ao Observador:

“Um dos maiores desafios que enfrentamos passa por ter acesso a fontes primárias de qualidade que transmitam informação fidedigna   —  muitas vezes porque as instituições não publicam essa informação ou fazem-no demasiado tarde. E, por causa da velocidade com que temos de trabalhar, numa altura em que é tão fácil publicar uma mentira viral e transmiti-la por todo o mundo, os fact checkers precisam de encontrar uma forma de tornar o seu trabalho mais rápido para impedir que a informação falsa [sem contraditório] chegue a uma audiência maior.”

 

O texto da entrevista, na íntegra, no Observador

Connosco
Jornalistas enfrentam “período negro” com risco de vida Ver galeria

O mês de Maio tem sido negro para os jornalistas, com o assassinato de quatro mulheres  jornalistas em apenas sete dias.

Conforme apontou o “Guardian”, dois dos homicídios ocorreram no México, um dos países mais perigosos para o exercício jornalístico. As vítimas foram Yesenia Mollinedo Falconi e Sheila Johana García Olivera, do “site”  “El Veraz”.

Semanas antes da sua morte, Yesenia Mollinedo Falconi, havia recebido ameaças de morte, na sequência das suas investigações sobre crime e corrupção. Ainda assim, aquela jornalista estava confiante de que não corria perigo.

Dois dias após a morte das profissionais mexicanas, foi noticiada outra tragédia: o assassinato de Shireen Abu Akleh, uma correspondente da Al Jazeera, que acompanhava o conflito israelo-árabe há vários anos.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU mostrou-se “chocado” com a morte deste profissional e exigiu, entretanto,  uma “investigação independente e transparente” sobre o sucedido.

Também a directora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, se juntou no apelo a uma “investigação completa” à morte da jornalista.

“O assassinato de uma jornalista claramente identificada, numa zona de conflito, é uma violação do direito internacional“, disse Azoulay em comunicado, pedindo uma investigação para levar “os responsáveis à justiça”.

No dia a seguir, ficou conhecido o homicídio da jornalista colombiana Francisca Sandoval, morta durante a cobertura noticiosa de uma manifestação.


“Media” polacos apostam em conteúdos em ucraniano Ver galeria

Na Polónia, várias empresas mediáticas começaram a lançar produtos noticiosos em ucraniano, como forma de responder às necessidades dos três milhões de refugiados que chegaram ao país desde o início da guerra.

Conforme apontou o “Nieman Lab”, a Agência Noticiosa Polaca (Polska Agencja Prasowa, ou PAP) foi uma das primeiras organizações a partilhar artigos em ucraniano, graças a uma equipa de cinco jornalistas, que têm vindo a dedicar-se à tradução e produção de conteúdos.

Este serviço em ucraniano foi criado em apenas uma semana, e publica artigos diários sobre a invasão da Ucrânia.

“Esta guerra mudou tudo”, disse Jaros?aw Junko, coordenador dos serviços ucraniano e russo daquela agência noticiosa. “Todos os ‘sites’ informativos polacos de renome começaram a oferecer produtos em ucraniano. Esta é uma mudança importante, e mostra que a Polónia está a respeitar os ‘vizinhos’ que chegam ao país”.

Agora, a PAP quer expandir a editoria ucraniana, passando a incluir conteúdos sobre apoio legal, e ajuda económica para refugiados.

Outra das publicações que apostou em conteúdos ucranianos foi a “Onet” que, agora, partilha dez artigos diários sobre o conflito e, ainda, sobre a adaptação à vida na Polónia.

“Fazemos o nosso melhor para sermos um guia sobre a vida neste país”, explicou Kamil Turecki, coordenador da “Onet”.

Também o Grupo RMF decidiu ajudar esta causa, lançando uma nova estação de rádio em ucraniano, com frequências nas cidades fronteiriças de Przemysl e Hrubieszow.

O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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Opinião
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Agenda
19
Mai
2022 Collaborative Journalism Summit
10:00 @ Chicago, Estados Unidos
25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason