Quarta-feira, 30 de Novembro, 2022
Media

Imprensa espanhola em queda livre ... e a portuguesa não menos

O panorama é preocupante: os diários espanhóis de grande circulação perderam nos últimos oito anos metade da sua difusão, ou seja, cerca, 2,3 milhões de exemplares, arrecadando menos 60% de receitas de publicidade, de acordo com o site electrónico media-tics.

Porém, a reacção da imprensa do país vizinho perante esta descida vertiginosa de vendas, limitou-se a uma única estratégia: despedir jornalistas. Um caso assaz insólito de imobilismo suicida, como é referido no texto que citamos.

A estrutura das suas edições em papel segue o mesmo modelo anterior à crise, com a diferença dos títulos de primeira página aparecerem cada vez mais carregados de ideologia e de politica, quebrando um principio há muito consagrado no jornalismo de referência: não misturar informação com opinião.

Esta situação segue de perto o que se passa, aliás, com a imprensa portuguesa, também ela vítima de uma degradação constante da sua tiragem e das receitas publicitárias, replicando o que se passa com os jornais espanhóis, em termos de carga ideológica e partidária.

De acordo com a associação de controlo de vendas em Espanha, a OJD, o diário líder El País perdeu cerca de 14% de vendas, fechando, em Dezembro passado, com uma média de 103 mil exemplares.

El Mundo, caiu ainda mais, com um retrocesso de 18,5%, ficando nos 66 mil exemplares.

O ABC, não está longe com 65 mil exemplares e uma queda de 13,8%. La Vanguardia vendeu uma média de 30 mil exemplares (menos 12,9%). El Periódico, vendeu por cada edição 43 mil exemplares (menos 11,9%). E, pela primeira vez, os diários regionais caíram cerca de 6%.

Perante este desastre generalizado, como enfatiza o media-tics, e a erupção da informação digital -  alargando a sua influencia e tendências informativas -  os diários tradicionais persistem num certo imobilismo, com capas sujeitas à mesma hierarquia das noticias do dia.

 

Se olharmos para a imprensa generalista portuguesa, o quadro não é mais animador. De acordo com a APCT – Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens, a circulação média do Publico, em finais de 2016, situava-se nos 30 mil exemplares. A do Diário de Notícias, nos 16 mil e só o Correio da Manhã se aproximou da fasquia dos 100 mil.

As conclusões são óbvias.

 

Ler na íntegra o trabalho do media-tics, onde recolhemos também a imagem junta

 

 

Connosco
Maestrina Oksana Lyniv recebeu o Prémio Helena Vaz da Silva na Fundação Gulbenkian Ver galeria

Numa cerimónia realizada no auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, foi homenageada a maestrina ucraniana Oksana Lyniv, vencedora do Prémio Helena Vaz da Silva, atribuído anualmente pelo Centro Nacional de Cultura, com o apoio da Europa Nostra e do Clube Português de Imprensa.

Na cerimónia, presidida pelo Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, e sendo anfitrião Guilherme de Oliveira Martins, administrador da Fundação, a figura e a carreira de Oksana Lyniv foi apresentada pela maestrina Joana Carneiro.

Impossibilitada de se deslocar a Portugal, por motivos pessoas insuperáveis, foi o seu pai quem recebeu o prémio, em sua representação.

Recorde-se que a vencedora da décima edição do Prémio Helena Vaz da Silva concedeu, entretanto, uma entrevista ao semanário Expresso, na qual declarou que a invasão russa do seu país é uma clara tentativa de destruir uma nação, tendo sido, completamente, motivada por ódio.

Em relação à família que tem na Ucrânia, a vencedora do prémio revelou que estes querem permanecer no país, dedicando-se a acolher e ajudar várias famílias de refugiados.

Lyniv comentou, também, o papel dos artistas na guerra, descrevendo as grandes obras artísticas como “canais para comunicar algo importante”. De acordo com a maestrina, “quando olhamos [para] a história da cultura, e estudamos as obras e o contexto em que foram criadas, vemos que os grandes artistas — Michelangelo, Mozart ou Beethoven — agiram dentro de uma sociedade, por vezes uns passos à frente dela”.

No entanto, Lyniv admitiu que o papel que a arte e os artistas assumem tem vindo a ser cada vez mais explorado e usado para fins de propaganda, como é o caso do maestro russo Valery Gergiev, que se tornou “uma bandeira do regime ditatorial de Putin”.

Em relação à sua carreira profissional, Lyniv revelou que a sua decisão para se tornar maestrina foi tomada aos 18 anos, depois de descobrir que as mulheres podiam ocupar esse cargo. Após obter o seu diploma na Academia de Música de Lviv e ganhar o terceiro prémio no Concurso Gustav Mahler, em 2004, a maestrina prosseguiu a sua formação em Dresden, na Alemanha.

Lyniv acrescentou, igualmente, que “o seu primeiro cargo fixo veio da Ópera Nacional de Odessa, como maestrina assistente”, tendo também oportunidade de trabalhar na Ópera do Estado da Bavária, como assistente de Kirill Petrenko.

Apesar de ser a directora musical do Teatro Comunale di Bologna, sendo “a primeira mulher à frente de uma casa de ópera italiana”, Lyniv confessou que inclui sempre compositores ucranianos em todos os seus concertos, o que passou a constituir a sua “imagem de marca”.

Numa última reflexão acerca das mulheres na regência de orquestras, Lyniv admitiu que “já existem jovens maestrinas fantásticas” e que tudo indica que se trata de um movimento imparável.

A transformação digital dos "media" e os vários modelos utilizados Ver galeria

Os media estão, actualmente, a passar por uma transformação digital, mudança que ganhou mais balanço após a pandemia ter “acelerado a quebra da circulação e publicidade das edições impressas” e a invasão russa da Ucrânia ter “disparado os preços da tinta e do papel”.

Apesar de não existir um modelo específico para a transformação dos media, o director do Evoca Media, Pepe Cerezo, sublinhou que são essenciais três “pilares” para “estabelecer uma estratégia de negócios digitais”, nomeadamente, inovação e adaptação, diversificação, e hibridização.

Estes três elementos implicam que as fontes de receita devem ser obtidas a partir de diversas fontes (assinaturas, publicidade, lojas online), utilizando modelos que se adaptam a diferentes públicos e mercados e que respondem às necessidades e aos hábitos de consumo dos utilizadores.

O aumento da publicidade digital, uma das maiores fontes de receita, hoje em dia, tem vindo a desacelerar, devido, em parte, à mudança a que esta foi sujeita, causada pela “pelo desaparecimento dos cookies de terceiros”.

A falta de cookies de terceiros torna mais difícil aspectos como a criação de perfis de utilizadores, a sua monotorização e a adaptação às suas necessidades, implicando que as empresas devem desenvolver um “relacionamento individual com os utilizadores” para recolher esses dados.

Existe, também, a opção de utilizar “tecnologia baseada na recolha, armazenamento e análise de cookies”, que permite adaptar a publicidade aos hábitos do utilizador, baseando-se, por exemplo, no seu histórico de navegação, pesquisas, compras anteriores e links clicados. 

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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European Media and Information Fund
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Secreto profesional, asignatura pendiente
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15
Dez
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05
Jan
Ligados ou desligados? A Publicidade na era da hiperestimulação
00:00 @ Instituto Politécnico de Viseu, Portugal