Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

Imprensa espanhola em queda livre ... e a portuguesa não menos

O panorama é preocupante: os diários espanhóis de grande circulação perderam nos últimos oito anos metade da sua difusão, ou seja, cerca, 2,3 milhões de exemplares, arrecadando menos 60% de receitas de publicidade, de acordo com o site electrónico media-tics.

Porém, a reacção da imprensa do país vizinho perante esta descida vertiginosa de vendas, limitou-se a uma única estratégia: despedir jornalistas. Um caso assaz insólito de imobilismo suicida, como é referido no texto que citamos.

A estrutura das suas edições em papel segue o mesmo modelo anterior à crise, com a diferença dos títulos de primeira página aparecerem cada vez mais carregados de ideologia e de politica, quebrando um principio há muito consagrado no jornalismo de referência: não misturar informação com opinião.

Esta situação segue de perto o que se passa, aliás, com a imprensa portuguesa, também ela vítima de uma degradação constante da sua tiragem e das receitas publicitárias, replicando o que se passa com os jornais espanhóis, em termos de carga ideológica e partidária.

De acordo com a associação de controlo de vendas em Espanha, a OJD, o diário líder El País perdeu cerca de 14% de vendas, fechando, em Dezembro passado, com uma média de 103 mil exemplares.

El Mundo, caiu ainda mais, com um retrocesso de 18,5%, ficando nos 66 mil exemplares.

O ABC, não está longe com 65 mil exemplares e uma queda de 13,8%. La Vanguardia vendeu uma média de 30 mil exemplares (menos 12,9%). El Periódico, vendeu por cada edição 43 mil exemplares (menos 11,9%). E, pela primeira vez, os diários regionais caíram cerca de 6%.

Perante este desastre generalizado, como enfatiza o media-tics, e a erupção da informação digital -  alargando a sua influencia e tendências informativas -  os diários tradicionais persistem num certo imobilismo, com capas sujeitas à mesma hierarquia das noticias do dia.

 

Se olharmos para a imprensa generalista portuguesa, o quadro não é mais animador. De acordo com a APCT – Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens, a circulação média do Publico, em finais de 2016, situava-se nos 30 mil exemplares. A do Diário de Notícias, nos 16 mil e só o Correio da Manhã se aproximou da fasquia dos 100 mil.

As conclusões são óbvias.

 

Ler na íntegra o trabalho do media-tics, onde recolhemos também a imagem junta

 

 

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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