Sexta-feira, 25 de Setembro, 2020
Media

Imprensa espanhola em queda livre ... e a portuguesa não menos

O panorama é preocupante: os diários espanhóis de grande circulação perderam nos últimos oito anos metade da sua difusão, ou seja, cerca, 2,3 milhões de exemplares, arrecadando menos 60% de receitas de publicidade, de acordo com o site electrónico media-tics.

Porém, a reacção da imprensa do país vizinho perante esta descida vertiginosa de vendas, limitou-se a uma única estratégia: despedir jornalistas. Um caso assaz insólito de imobilismo suicida, como é referido no texto que citamos.

A estrutura das suas edições em papel segue o mesmo modelo anterior à crise, com a diferença dos títulos de primeira página aparecerem cada vez mais carregados de ideologia e de politica, quebrando um principio há muito consagrado no jornalismo de referência: não misturar informação com opinião.

Esta situação segue de perto o que se passa, aliás, com a imprensa portuguesa, também ela vítima de uma degradação constante da sua tiragem e das receitas publicitárias, replicando o que se passa com os jornais espanhóis, em termos de carga ideológica e partidária.

De acordo com a associação de controlo de vendas em Espanha, a OJD, o diário líder El País perdeu cerca de 14% de vendas, fechando, em Dezembro passado, com uma média de 103 mil exemplares.

El Mundo, caiu ainda mais, com um retrocesso de 18,5%, ficando nos 66 mil exemplares.

O ABC, não está longe com 65 mil exemplares e uma queda de 13,8%. La Vanguardia vendeu uma média de 30 mil exemplares (menos 12,9%). El Periódico, vendeu por cada edição 43 mil exemplares (menos 11,9%). E, pela primeira vez, os diários regionais caíram cerca de 6%.

Perante este desastre generalizado, como enfatiza o media-tics, e a erupção da informação digital -  alargando a sua influencia e tendências informativas -  os diários tradicionais persistem num certo imobilismo, com capas sujeitas à mesma hierarquia das noticias do dia.

 

Se olharmos para a imprensa generalista portuguesa, o quadro não é mais animador. De acordo com a APCT – Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens, a circulação média do Publico, em finais de 2016, situava-se nos 30 mil exemplares. A do Diário de Notícias, nos 16 mil e só o Correio da Manhã se aproximou da fasquia dos 100 mil.

As conclusões são óbvias.

 

Ler na íntegra o trabalho do media-tics, onde recolhemos também a imagem junta

 

 

Connosco
Campanha de emergência para os "media" desencadeada em Espanha Ver galeria

A Federação de Associações de Jornalistas de Espanha (FAPE) -- integrada pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria --  juntou-se à Federação Internacional de Jornalistas (IFJ), e à UNI Global Union para lançar uma campanha de emergência para os “media”. 

Face à grave crise económica, espoletada pela pandemia, os sindicatos exigem que os governos nacionais intervenham nos “media”, garantindo a qualidade, a ética, a solidariedade, os direitos laborais e as liberdades fundamentais.

Além disso, as associações querem pressionar os governos a introduzir um imposto sobre os serviços digitais , que têm monopolizado as receitas da publicidade nos meios de comunicação.

"A actual crise global de saúde está a agravar as dificuldades enfrentadas pelo sector da imprensa escrita", advertiu Anthony Bellanger, secretário-geral do IFJ. "Os governos devem reagir com urgência. Os ‘media’ são um bem público e um pilar fundamental das nossas democracias”.


A televisão tem passado e futuro democrático Ver galeria

A evolução da tecnologia veio, ao longo dos tempos, servir os “media”, oferecendo-lhes novos mecanismos para transmitir a informação e de alargar as audiências

A televisão, que celebra agora 70 anos no Brasil, é considerada uma das mais importantes “máquinas” dessa mesma evolução, já que se impôs no “modus vivendi” da Humanidade, moldando os seus hábitos e gostos.

Mas, mais do que isso -- recordou Alexander Goulart num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- a televisão, que nasceu como simples aparato tecnológico para transmissão de imagens, foi recebendo outros atributos, especialmente de cunho social, político, económico e cultural.

No Brasil, a TV nasceu sob a marca do entretenimento. Em poucos anos, ganhou fama e difundiu-se largamente. “Como uma espécie de hipnose massificante, na visão de muitos críticos, tomou conta das classes e o Brasil real passou a ser representado na tela. Nos anos 60, 70 e 80, a TV  tornou-se o principal “media” brasileiro, agente da unificação e geradora de uma identidade nacional”, recordou o autor.

“O sistema ‘broadcasting’ -- acrescentou, ainda, Goulart --  formando as redes, sobrepôs o nacional ao regional e o Brasil real passou a ser aquele que é reproduzido a partir de um determinado ponto de vista, que informava e entretinha a maioria da população”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo