null, 17 de Novembro, 2019
Media

Jornalismo "reinventa-se" nos EUA e aposta nos temas locais

Os meios de comunicação, nos EUA, estão a fazer um esforço de “reinvenção” na nova era aberta pelo resultado das eleições presidenciais. Editores e jornalistas de vários dos mais conhecidos jornais de referência estiveram reunidos, na Universidade de Harvard, para partilhar experiências e o propósito de retomarem o seu papel de “garantes dos valores democráticos”. A divulgação de trabalhos de esclarecimento público sobre temas controversos, um esforço de envolvimento maior dos leitores, e uma aposta mais clara no jornalismo local, contam-se entre os caminhos propostos.

O primeiro caso apresentado no texto que citamos, em Media-Tics, é o do diário The Boston Globe, que decidiu, após o tiroteio de Junho de 2016, numa discoteca de Orlando, esclarecer o que está realmente em causa na venda desregulada de armas de tipo militar, como decorrente do respeito pela Segunda Emenda. Katie Kingsbury, a responsável pela edição digital, apresentou a primeira página dessa edição, que mostra uma imagem da M-15, a versão civil da espingarda de assalto M-16, usada na guerra do Vietname. 

O editorial lembra que a arma mais vulgar na América Colonial era o mosquete Brown Bess, que podia disparar um tiro a cada 20 segundos e abater tanto um homem como um alce, sendo usado por soldados ou civis e considerado a espingarda de assalto do seu tempo. A M-15 pode disparar 45 balas por minuto. 

Como sublinha o editorial, “neste país, o governo federal limita os caçadores de patos a usarem armas que só levam três cartuchos, para proteger a população dos patos; mas qualquer pessoa pode comprar uma arma de assalto em sete minutos e um número ilimitado de munições para a abastecer”. Isto coloca em perspectiva as interpretações permissivas que se fazem hoje da Segunda Emenda, à luz da realidade actual e da que era vivida pelos Founding Fathers da América.

Representantes de jornais como The Wall Street Journal, The New York Times e The Huffington Post, falaram do esforço feito na direcção do aumento de assinaturas, ou de pagamento de conteúdos escolhidos, e um jornalista da CNN contou que se sente, depois da “declaração de guerra” de Donald Trump, “um público cheio de fome de jornalismo, nestes momentos”.

Ainda segundo o texto de Media-Tics, “o jornalismo local tem muito a dizer nesta nova era mediática”. Os jornais com menos de 50 mil exemplares de circulação, nos EUA, são 6.851 (de um total de 7.071). O NiemanJournalismLab fez sobre eles um estudo que “convida ao optimismo”.

 

 
O artigo original, em Media-Tics; a imagem é da conferência de Katie Kingsbury, do Boston Globe, em Harvard

 

Connosco
Centro Báltico ensaia novos modelos para o jornalismo investigativo Ver galeria

Um dos principais actores no campo do jornalismo colaborativo no Báltico é o Re:Baltica – Centro Báltico para a Investigação do Jornalismo de Investigação. O projecto está sediado na capital da Letónia, Riga, e foi criado há oito anos, introduzindo duas ideias inovadoras para a prática do jornalismo na região.

O Centro realiza pesquisas e cria uma história e, posteriormente, fornece-a, a título gratuito, aos meios de comunicação. Em segundo lugar, adoptou um novo modelo de negócio, que depende principalmente de doações e concessões.

O Observatório Europeu de Jornalismo falou recentemente com Inga Springe, questionando-a sobre o trabalho quotidiano de uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos, e os desafios que actualmente enfrenta.

Springe defende que que o problema não é o das pessoas lerem o jornal "certo" ou "errado". O problema é não lerem os media tradicionais. Esse foi o motivo que a levou a impulsionar com o projecto Re:Baltica Light e várias reportagens sob a rubrica #StarpCitu (#ByTheWay), disponíveis no YouTube e no Facebook.

Um artigo sobre a organização foi publicado, pela primeira vez, no site do Observatório Europeu de Jornalismo e reproduzido no site da GIJN, do qual a Re:Baltica é membro.

O “LeKiosk” muda para “Cafeyn” e alarga oferta a assinantes Ver galeria

O serviço de notícias LeKiosk mudou de nome para Cafeyn e passou a apresentar-se como um serviço de streaming de informações. O quiosque digital permite a consulta de mais de mil títulos de imprensa francesa e internacional por 9,99 euros por mês.

A mudança de nome e de visual têm como objectivo atrair um público mais numeroso e fazer frente à Apple News+.

De salientar que a alteração da designação é, também, explicada por uma batalha jurídica, iniciada em 2012, entre LeKiosk Monkiosque.fr, publicada pelo Grupo Toutabo.

O departamento de propriedade intelectual da União Europeia decidiu, em Março, que havia um risco de confusão para o público, e que a Toutabo tinha registado a sua marca antes da LeKiosk.

Cafeyn tem, atualmente, cerca de um milhão de utilizadores activos por mês, em comparação com os 200 mil em 2017, que lêem uma média de 15 revistas diferentes. A maior parte destes assinantes foram obtidos através de operadores de telecomunicações, como a Bouygues Telecom e a Free, que oferecem o acesso a alguns dos seus clientes.

Isto permitiu à empresa aumentar o seu volume de negócios, que quintuplicou em três anos.

Em breve deverão ser anunciadas parcerias internacionais.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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