Os meios de comunicação, nos EUA, estão a fazer um esforço de “reinvenção” na nova era aberta pelo resultado das eleições presidenciais. Editores e jornalistas de vários dos mais conhecidos jornais de referência estiveram reunidos, na Universidade de Harvard, para partilhar experiências e o propósito de retomarem o seu papel de “garantes dos valores democráticos”. A divulgação de trabalhos de esclarecimento público sobre temas controversos, um esforço de envolvimento maior dos leitores, e uma aposta mais clara no jornalismo local, contam-se entre os caminhos propostos.
O primeiro caso apresentado no texto que citamos, em Media-Tics, é o do diário The Boston Globe, que decidiu, após o tiroteio de Junho de 2016, numa discoteca de Orlando, esclarecer o que está realmente em causa na venda desregulada de armas de tipo militar, como decorrente do respeito pela Segunda Emenda. Katie Kingsbury, a responsável pela edição digital, apresentou a primeira página dessa edição, que mostra uma imagem da M-15, a versão civil da espingarda de assalto M-16, usada na guerra do Vietname.
O editorial lembra que a arma mais vulgar na América Colonial era o mosquete Brown Bess, que podia disparar um tiro a cada 20 segundos e abater tanto um homem como um alce, sendo usado por soldados ou civis e considerado a espingarda de assalto do seu tempo. A M-15 pode disparar 45 balas por minuto.
Como sublinha o editorial, “neste país, o governo federal limita os caçadores de patos a usarem armas que só levam três cartuchos, para proteger a população dos patos; mas qualquer pessoa pode comprar uma arma de assalto em sete minutos e um número ilimitado de munições para a abastecer”. Isto coloca em perspectiva as interpretações permissivas que se fazem hoje da Segunda Emenda, à luz da realidade actual e da que era vivida pelos Founding Fathers da América.
Representantes de jornais como The Wall Street Journal, The New York Times e The Huffington Post, falaram do esforço feito na direcção do aumento de assinaturas, ou de pagamento de conteúdos escolhidos, e um jornalista da CNN contou que se sente, depois da “declaração de guerra” de Donald Trump, “um público cheio de fome de jornalismo, nestes momentos”.
Ainda segundo o texto de Media-Tics, “o jornalismo local tem muito a dizer nesta nova era mediática”. Os jornais com menos de 50 mil exemplares de circulação, nos EUA, são 6.851 (de um total de 7.071). O NiemanJournalismLab fez sobre eles um estudo que “convida ao optimismo”.
O artigo original, em Media-Tics; a imagem é da conferência de Katie Kingsbury, do Boston Globe, em Harvard
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.