Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

A importância das palavras e o papel dos Media perante a realidade mal conhecida

Há expressões que deformam a realidade, ou tentam camuflar parte dela. Há outras, pelo contrário, que identificam uma realidade mal conhecida, lhe dão nome próprio e contribuem, assim, para a consciência pública dela. Os meios de comunicação têm um papel importante neste processo de difusão do facto e do conceito, até à sua consagração final no dicionário. É este o tema de um estudo publicado no Observatório dos Media francês, Acrimed, sobre uma expressão nascida há pouco mais de quatro anos: o "assédio de rua".

Os factos são mais antigos; o artigo que citamos designa-os por uma série de termos encadeados  -  "assobios, solicitações verbais, gestos obscenos", ou "o comportamento de homens (caso mais frequente) que interpelam, assobiam ou insultam mulheres (caso mais frequente) na rua". 

Mas a expressão aparece pela primeira vez, na Imprensa francesa, num artigo de Le Figaro, em 2 de Agosto de 2012, e a sua importância cresceu rapidamente; de modo paralelo, no Twitter, o hashtag #harcelementderue conheceu uma popularidade imediata. 

Pouco antes, em 26 de Julho do mesmo ano, a RTBF – Rádio-Televisão Belga Fancófona tinha difundido um documentário de Sophie Peeters intitulado Femme de la rue, sobre situações de assédio a mulheres em Bruxelas. Logo a seguir, a expressão harcèlement de rue "fez uma grande entrada na Imprensa francesa: do Figaro ao Monde, passando por La Voix du Nord e La Nouvelle République, nada menos que 21 artigos a utilizaram no espaço de poucos dias". 

Os arquivos do Twitter datam a aparição do hashtag em 31 de Julho, portanto logo após a difusão do documentário e pouco antes do primeiro artigo impresso; e quatro em cada nove utilizadores(as) identificam-se como "feministas" no seu perfil. A autora deste artigo aponta que o assédio de rua já era teorizado entre as feministas nos EUA, onde se designava por street harassment

Violaine Nicaud descreve, depois, a expansão de harcèlement de rue na Imprensa escrita: pouco expressiva depois do início e durante o ano seguinte, mas crescente a partir de 2014. Uma análise mais fina "mostra que a Imprensa regional parece interessar-se mais pelo fenómeno do ‘assédio de rua’ do que a nacional", por efeito de debates sobre o tema ou mesmo a constituição de associações com o objectivo de sensibilizar para este tipo de assédio  - como a Stop harcèlement de rue

A autora comenta também o progressivo desaparecimento das aspas na apresentação da expressão, que é indicativo "para predizer se um neologismo será solúvel na cultura de um país". O primeiro artigo de Le Figaro, acima mencionado, já fazia eco de um debate entre os utentes do Twitter, opondo pessoas que davam testemunho de situações que tinham a ver com ‘assédio de rua’ a outras "que minimizavam ou negavam o fenómeno". 

A consagração de um neologismo é a sua entrada no dicionário. Em 2015, três anos depois do início da sua difusão, a expressão integra Le Petit Robert, com a seguinte definição: "Acto de abordar alguém com insistência, ou de lhe fazer assédio verbal num espaço público."


O artigo original, na íntegra, no Acrimed, com imagem do twitter StopHarcèlementDeRue

Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


ver mais >
Opinião
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto. Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A...
Ironias de uma tragédia
Francisco Sarsfield Cabral
O horrível assassinato de um jornalista saudita no consulado do seu país em Istambul tem várias e graves implicações políticas. Embaraça Trump, que logo no início do seu mandato decidiu apoiar a Arábia Saudita, contra o seu ódio de estimação, o Irão. Por outro lado, ninguém acredita que o até aqui todo poderoso príncipe herdeiro saudita, M. bin Salman, seja alheio ao crime. Pelo...
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Agenda
14
Nov
News Xchange 2018
09:00 @ Edinburgo, Escócia
14
Nov
10ª Conferência Comunicação e Jornalismo
10:00 @ Universidade Lusófona, Lisboa
17
Nov
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa
19
Nov