null, 26 de Maio, 2019
Media

A importância das palavras e o papel dos Media perante a realidade mal conhecida

Há expressões que deformam a realidade, ou tentam camuflar parte dela. Há outras, pelo contrário, que identificam uma realidade mal conhecida, lhe dão nome próprio e contribuem, assim, para a consciência pública dela. Os meios de comunicação têm um papel importante neste processo de difusão do facto e do conceito, até à sua consagração final no dicionário. É este o tema de um estudo publicado no Observatório dos Media francês, Acrimed, sobre uma expressão nascida há pouco mais de quatro anos: o "assédio de rua".

Os factos são mais antigos; o artigo que citamos designa-os por uma série de termos encadeados  -  "assobios, solicitações verbais, gestos obscenos", ou "o comportamento de homens (caso mais frequente) que interpelam, assobiam ou insultam mulheres (caso mais frequente) na rua". 

Mas a expressão aparece pela primeira vez, na Imprensa francesa, num artigo de Le Figaro, em 2 de Agosto de 2012, e a sua importância cresceu rapidamente; de modo paralelo, no Twitter, o hashtag #harcelementderue conheceu uma popularidade imediata. 

Pouco antes, em 26 de Julho do mesmo ano, a RTBF – Rádio-Televisão Belga Fancófona tinha difundido um documentário de Sophie Peeters intitulado Femme de la rue, sobre situações de assédio a mulheres em Bruxelas. Logo a seguir, a expressão harcèlement de rue "fez uma grande entrada na Imprensa francesa: do Figaro ao Monde, passando por La Voix du Nord e La Nouvelle République, nada menos que 21 artigos a utilizaram no espaço de poucos dias". 

Os arquivos do Twitter datam a aparição do hashtag em 31 de Julho, portanto logo após a difusão do documentário e pouco antes do primeiro artigo impresso; e quatro em cada nove utilizadores(as) identificam-se como "feministas" no seu perfil. A autora deste artigo aponta que o assédio de rua já era teorizado entre as feministas nos EUA, onde se designava por street harassment

Violaine Nicaud descreve, depois, a expansão de harcèlement de rue na Imprensa escrita: pouco expressiva depois do início e durante o ano seguinte, mas crescente a partir de 2014. Uma análise mais fina "mostra que a Imprensa regional parece interessar-se mais pelo fenómeno do ‘assédio de rua’ do que a nacional", por efeito de debates sobre o tema ou mesmo a constituição de associações com o objectivo de sensibilizar para este tipo de assédio  - como a Stop harcèlement de rue

A autora comenta também o progressivo desaparecimento das aspas na apresentação da expressão, que é indicativo "para predizer se um neologismo será solúvel na cultura de um país". O primeiro artigo de Le Figaro, acima mencionado, já fazia eco de um debate entre os utentes do Twitter, opondo pessoas que davam testemunho de situações que tinham a ver com ‘assédio de rua’ a outras "que minimizavam ou negavam o fenómeno". 

A consagração de um neologismo é a sua entrada no dicionário. Em 2015, três anos depois do início da sua difusão, a expressão integra Le Petit Robert, com a seguinte definição: "Acto de abordar alguém com insistência, ou de lhe fazer assédio verbal num espaço público."


O artigo original, na íntegra, no Acrimed, com imagem do twitter StopHarcèlementDeRue

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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14
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