Quarta-feira, 16 de Agosto, 2017
Media

Interesse pela actualidade noticiosa diminui em França

Apesar de uma actualidade política que se apresenta "muito densa", neste princípio de 2017, o interesse por ela, bem como a confiança nos meios de comunicação, estão em baixa na população francesa, com maior incidência entre os jovens. Um factor a ter em conta é a consciência, de oito em cada dez franceses, de que são expostos a "notícias falsas". Estes dados são do Barómetro Anual do diário La Croix, do qual Le Figaro antecipa uma síntese.

Segundo este texto, que aqui citamos, "o interesse que os franceses atribuem à actualidade perdeu seis pontos e encontra-se no seu nível mais baixo desde 2002 (64% agora, em 2017, contra 70% em 2016)". Este desinteresse é marcado entre os jovens (56%) e os menos escolarizados (58%).  

"Estando a entrar num ano eleitoral importante, e num contexto de subida dos populismos, o interesse dos franceses pela informação regista a sua pior marca em 30 anos"  - observa La Croix.

Um elemento que faz pensar, neste contexto, é o facto de ser a primeira vez que o inquérito, realizado anualmente pela empresa Kantar para o jornal La Croix, inclui uma pergunta sobre as fakenews. Elas são uma realidade para oito em cada dez franceses, afirmando 83% que por muitas vezes se sentiram, ultimamente, expostos a "contra-verdades". 

A confiança nos media tem diminuído, e mesmo a rádio, que escapava mais a esta tendência, também perdeu credibilidade. De um modo geral, "a percepção da independência dos jornalistas em relação ao poder atingiu a sua pior marca. Só 24% dos franceses acham que os jornalistas resistem às pressões políticas; e 27% que eles resistem às pressões do dinheiro". (…) 

Mas apesar desta quebra de interesse e de confiança, 78% dos inquiridos continuam a atribuir aos media um papel importante para este tempo de decisão democrática, nomeadamente os jovens licenciados. "Uma esmagadora maioria dos nossos compatriotas (74%) exige uma informação verificada que lhe permita seguir a campanha, ‘e não tomadas de posição ou mesmo uma ajuda à escolha’  - sublinha o estudo." 


Mais informação em Le Figaro - Médias

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O Clube Português de Imprensa fecha em Agosto para férias. E este site também. A partir de 31 de Julho e até 27 de Agosto não serão feitas as habituais actualizações diárias.

Em vésperas de fazermos esta pausa, e à semelhança do que já aconteceu no Verão passado, queremos agradecer aos jornalistas (e aos não jornalistas) pela sua preferência e que têm contribuído com as suas visitas regulares para alargar a audiência deste espaço, lançado há  menos de dois anos, com objectivo de constituir uma alternativa de informação e de reflexão sobre os jornalismo e os jornalistas, sem receio de problematizar as questões que hoje se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, tanto  às empresas editoriais como aos profissionais do sector.

São esses os conteúdos que privilegiamos, a par da cobertura das actividades do Clube, desde os ciclos de jantares-debate, em parceria com o CNC-Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, ao Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau; e ao Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído pelo CNC, em conjunto com o CPI e a Europa Nostra .

No regresso prometemos mais novidades no Clube e no site. Boas Férias!   


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