Sábado, 18 de Janeiro, 2020
Media

Interesse pela actualidade noticiosa diminui em França

Apesar de uma actualidade política que se apresenta "muito densa", neste princípio de 2017, o interesse por ela, bem como a confiança nos meios de comunicação, estão em baixa na população francesa, com maior incidência entre os jovens. Um factor a ter em conta é a consciência, de oito em cada dez franceses, de que são expostos a "notícias falsas". Estes dados são do Barómetro Anual do diário La Croix, do qual Le Figaro antecipa uma síntese.

Segundo este texto, que aqui citamos, "o interesse que os franceses atribuem à actualidade perdeu seis pontos e encontra-se no seu nível mais baixo desde 2002 (64% agora, em 2017, contra 70% em 2016)". Este desinteresse é marcado entre os jovens (56%) e os menos escolarizados (58%).  

"Estando a entrar num ano eleitoral importante, e num contexto de subida dos populismos, o interesse dos franceses pela informação regista a sua pior marca em 30 anos"  - observa La Croix.

Um elemento que faz pensar, neste contexto, é o facto de ser a primeira vez que o inquérito, realizado anualmente pela empresa Kantar para o jornal La Croix, inclui uma pergunta sobre as fakenews. Elas são uma realidade para oito em cada dez franceses, afirmando 83% que por muitas vezes se sentiram, ultimamente, expostos a "contra-verdades". 

A confiança nos media tem diminuído, e mesmo a rádio, que escapava mais a esta tendência, também perdeu credibilidade. De um modo geral, "a percepção da independência dos jornalistas em relação ao poder atingiu a sua pior marca. Só 24% dos franceses acham que os jornalistas resistem às pressões políticas; e 27% que eles resistem às pressões do dinheiro". (…) 

Mas apesar desta quebra de interesse e de confiança, 78% dos inquiridos continuam a atribuir aos media um papel importante para este tempo de decisão democrática, nomeadamente os jovens licenciados. "Uma esmagadora maioria dos nossos compatriotas (74%) exige uma informação verificada que lhe permita seguir a campanha, ‘e não tomadas de posição ou mesmo uma ajuda à escolha’  - sublinha o estudo." 


Mais informação em Le Figaro - Médias

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Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
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